Novas dimensões no Franchising

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Quando uma empresa como Google elege o franchising como uma de suas estratégias de expansão de negócios, assim como Procter & Gamble, Unilever, Nestlé, Casino, Carrefour, X5 (maior grupo varejista de origem russa), e corporações na Austrália, Índia, países do Oriente Médio e Ásia, a ideia do franchising como algo que envolve detentores de marcas e conceitos de negócios atuando junto a franqueados individuais, deve ser revista.

Existe uma nova dimensão global para o Franchising que está muito adiante da ideia original de detentores de marcas se relacionando com operadores individuais, agora se transformou em algo muito mais ambicioso onde corporações são formadas para operar franquias de marcas em escala, no mínimo internacionais, como é o caso de Arcos Dorados, operador McDonald’s na América Latina, ou Alsea, franqueado de diversas marcas também na América Latina, dentre elas Starbuck’s, Cheesecake Factory, Friday’s e PF Chang’s. Da mesma forma, corporações como o grupo Casino ou Carrefour, também operam negócios com marcas franqueadas, diversificando seu portfólio de negócios.

Em todos os casos a premissa é o conhecimento relevante sobre mercados e negócios setoriais, que permitem a criação de novas oportunidades e conseguem escala para melhorar o desempenho geral.

Tome-se também como exemplo o grupo Alshaya com sede no Kuwait, que opera mais de 70 marcas internacionais em áreas como o Oriente Médio, Norte da África, Europa, Turquia e Rússia, com mais de 36 mil funcionários, uma corporação global que tem no modelo de franchising sua base de atuação, sendo ao mesmo tempo franqueado e franqueador.

O mesmo a situação da rede de conveniência 7 Eleven que teve o seu controle global comprado pelo franqueado japonês e que se tornou a maior rede mundial com mais de 32 mil lojas em todo o mundo.

Nesse contexto, o Brasil tem sido alvo da atuação  mais cautelosa  de grupos franqueadores externos, como é o caso de Arcos Dorados, IMC e Alsea, ao invés da criação de grupos de origem nacional expressivos que multiplicam bandeiras e marcas a partir de seu conhecimento das estratégias, práticas e modelos de negócios. Dentre esses se destacam O Boticário, com sua recente ampliação de marcas e negócios, BFFC, que a partir das operações de Bob’s vem incorporando novas marcas e conceitos, como KFC, Pizza Hut, Doggis e, mais recentemente Yoggi.

Também merecem registro as operações da Brasil Franchising, que opera diversas marcas como Livrarias Nobel e outras como a Rede Serviços do Futuro, operadora de diversas marcas nas áreas de serviços, como sapatarias, chaves, costura e lavanderia.

A avançada regulamentação envolvendo os negócios de franchising no Brasil, que pode ser considerada uma das mais avançadas e equilibradas no mundo, é um primeiro elemento importante para a continuidade no desenvolvimento do setor, assim como a maturidade que já se vive no Brasil, em boa parte desenvolvida pelo trabalho pioneiro da ABF – Associação Brasileira de Franchising e as consultorias e prestadores de serviços que atuam no setor, o que coloca o país como gerador de benchmarks globais.

A recente entrada de grupos financeiros, nacionais e internacionais, em negócios de franchising, como BTG, Advent, Carlyle e outros, desenha uma nova e importante realidade, trazendo ainda mais investimentos, profissionalismo e maturidade ao setor, e redesenhando a realidade futura do setor de Franchising no Brasil em tudo contribuindo para sua mais rápida evolução, desenvolvimento e aumento de sua participação na economia brasileira o que deveria, necessariamente, ser complementado com uma postura mais ativa na exportação de marcas e conceitos brasileiros para o mercado global.

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

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