Falando em custos operacionais, o que fazer com a conta de energia elétrica?

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Por Jéssica Costa*

Vendas caindo, custos subindo. Dados divulgados esta semana mostram que as vendas no varejo caíram 3,5%, quando comparadas com o mesmo período do ano passado. O momento exige reinvenção e atenção em cada detalhe!

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Neste contexto e alinhado com o que tenho visto nos últimos meses, o custo com energia elétrica tem me chamado atenção. Afinal, o impacto dos reajustes oneram em muito os resultados. Em alguns segmentos, como shopping centers e supermercados, esse número representa aproximadamente 80% das contas de consumo. No varejo, ar condicionado, lâmpadas e refrigeração também respondem por um valor significativo. O pior é termos a sensação de que não há muito o que fazer.

Não temos água para operar as hidrelétricas e, por sua vez, as termoelétricas que têm o custo superior, estão operando a todo vapor. Mesmo pagando caro temos o risco de não ter energia; avaliando os níveis de nossos reservatórios desde 2000, vivemos o segundo pior momento de armazenamento de energia, ficando atrás apenas de 2001, ano em que vivemos o temido racionamento.

Em estudo recente feito em um de nossos projetos, identificamos que entre 2013 e 2016, teremos um aumento superior a 165% no custo total. Naturalmente, este número varia em função da forma de consumo como, por exemplo, se o consumo é de ponta (horário mais caro) ou fora de ponta (tarifa reduzida). Mas, independente da forma de consumo, para absorver um aumento de 165% em uma conta tão representativa, faz-se necessário muita inovação, quase mágica!

Além da conscientização na forma de consumo, o que as empresas podem fazer de diferente?
Podem buscar soluções em lâmpadas de LED, investimento em equipamentos mais eficientes, buscar projetos de automações em itens com responsabilidade significativa no consumo, operar com geradores nos horários de ponta e, finalmente, caso a Portaria 44** seja regulamentada, o ministério autorizará que comércio e indústria com geradores injetem energia na rede. Ainda temos a opção de migrar para o mercado livre.

Por diversos motivos, tenho certeza de que o Governo busca alternativas para baratear a energia, o que deixa decisões como se manter no mercado cativo (compra de energia direto da concessionária) ou migrar para o mercado livre (contratação de energia de um agente comercializador) bem difíceis.

Ir para o mercado livre é uma aposta, uma vez que as condições de compra e de consumo são negociadas com base no cenário atual, porém condicionadas a um contrato de longo prazo. É como operar na bolsa de valores (lembrando que a bolsa é uma opção de investimento, enquanto a energia é uma commoditie necessária para a existência).

No Brasil, aproximadamente 70% da energia elétrica é proveniente de hidrelétricas, 27% das termoelétricas, e nuclear e eólica se aproximam de 3% juntas. As hidrelétricas, famosas por fornecerem “energia limpa” (há controvérsias), estão cada vez mais escassas, pois dependem das chuvas. Estamos suportados pelas termoelétricas, que têm custo elevado. O Governo encontrou uma forma de repassar esse custo para as pessoas físicas e jurídicas, criando as bandeiras verde, amarela e azul. Todavia, reforço que a economia brasileira não suportará os custos de energia nos patamares atuais e, portanto, tenho a expectativa que seja “tirado algo da cartola” nos próximos meses.

Independentemente de qualquer variável, está na hora de tirar os projetos que resultam em redução de consumo de energia da gaveta e… mãos à obra! Com o custo atual, estes projetos tendem a dar retorno financeiro em um prazo surpreendente.

*Jéssica Costa (jessica.costa@agrconsultores.com.br) é sócia e head de Consultoria da GS&AGR.

**Portaria nº 44. Para acessar o documento, acesse: http://goo.gl/tGnioD

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