Redes descentralizadas

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Por Jean Paul Rebetez*

Ontem, todos assistimos perplexos às cenas de violência e vandalismo ocorridas em Paris! Sim, em Paris e não em alguma favela tropical do nosso território! Os taxistas daquela cidade simplesmente pararam o trânsito, as vias e até os aeroportos, queimaram pneus, viraram carros ao longo das avenidas do centro e atacaram passageiros. Poderia bem ter sido uma imagem do largo da Batata em SP ou em qualquer outra parte de uma das cidades brasileiras, onde a nossa população desamparada tem muito a clamar e exigir a respeito dos serviços públicos e governantes.

Mas não, esse barulho todo foi na moderna e rica França, e tudo pelo enorme receio dos taxistas em competir com o mais novo meio de carona remunerada, o Uber. Em cinco anos de história, esse pessoal do Uber vem mexendo com as regras tradicionais de serviços de transporte de passageiros nas cidades. Surpreende o sistema legislativo onde opera e facilita a criação de uma rede entre oferta e demanda de transporte individual.


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Por meio de uma rede descentralizada, onde prestadores de serviço (oferta), motoristas autônomos sem carteira assinada, sem sindicato, com total liberdade em trabalhar quando querem, por quanto tempo dispõem, e ainda organizados por algumas regras de serviço e qualidade, atendem clientes (demanda) oferecendo exclusividade, rapidez e preço justo. Munidos de tecnologia móvel e especialmente atrelados aos consumidores que avaliam o serviço, divulgam a sua qualidade e repassam suas experiências, em rede. Sim, está mexendo com as relações de trabalho e prestação de serviço tradicional na França, no Brasil e nos mais de 48 países onde opera.

O que os taxistas franceses ainda não se deram conta é que o caminho é sem volta! Essa empresa Uber, em cinco anos de existência e literalmente global, é considerada a maior empresa de taxi do mundo. Sem ter um veículo sequer!

Em recente entrevista publicada em uma grande revista de negócios, o presidente do Uber alegou que o negócio carece de nova legislação e que a empresa está disponível para adequar-se a elas. É admirável esse mundo novo! Novas organizações de trabalho estão se formando, mais livre, direta, sem que o “Estado BigBrother” a regule. A rede se auto regula! O mercado avaliza ou destitui rapidamente aquilo que não comprova sua qualidade e entregue seu propósito.

Todos ganham e novas oportunidades se abrem para muitos. Menos para os taxistas franceses. Não adianta querer brecar, centralizar e ter reservas de mercado. O mercado só aceita o que é bom, eficiente e justo! A participação direta entre as partes tem um poder enorme, a tecnologia nos aproximou e maximizou nossa interatividade.

Cidades: não sigam Paris – aprovem leis que busquem eficiência e participação, que sejam justas e que estimulem a participação direta entre os players. Inovem e entrem na rede!

Vários exemplos descentralizados e diretos de serviços estão disponíveis fazendo o maior sucesso, entre eles, o conhecidíssimo Aliexpress, que une fabricantes e consumidores B2C, o ebay que é um C2C e também governos com sua população, que é um G2C.

Taxistas de Paris, São Paulo e do mundo: queimem pneus, carros, pressionem o governo, gritem em voz alta, mas, acima de tudo, revejam como coexistirem com as novas regras ditadas pelos consumidores, como atendê-los melhor, sendo mais eficientes. Briguem por excesso de impostos e regulamentações abusivas e demandem por um ambiente cheio de possibilidades empreendedoras! O mercado é gigante, com certeza tem espaço para vários formatos de negócio, alguns negócios morrem, é certo, faz parte da evolução. Darwin já demonstrou isso!

*Jean Paul Rebetez (jean.rebetez@gsmd.com.br) é diretor de Consultoria da GS&AGR

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