Concentração e informalidade

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O cenário atual parece convergir para uma expansão do índice de concentração no mercado varejista, conjugado com o aumento da informalidade como resultado do quadro recessivo que vive e viverá a economia do País e o acirramento competitivo no mercado. 

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Com exceção dos setores de supermercados, e-commerce e eletrodomésticos, onde o nível de concentração está nos patamares dos países mais maduros, ou seja, onde os cinco maiores operadores representam mais do que 40% das vendas totais do setor, todas as demais áreas de varejo têm níveis de concentração bastante inferiores a esse percentual.

Isso é verdadeiro para a maiorias dos demais setores, como o de lojas de material de construção, farmácias e drogarias, vestuário e calçados, varejo de food service, artigos esportivos e brinquedos, em boa parte porque o processo de consolidação de mercado está em evolução e existe um número muito grande de pequenas redes e lojas independentes.

Em alguns desses casos o nível atual de concentração é dos mais baixos, com os cinco maiores do setor participando com menos de 10% do mercado total, usualmente, onde a pulverização do mercado é muito grande como é o caso no varejo de foodservice.

No cenário atual, uma série de fatores conspira para acelerar o processo de consolidação e, consequentemente, o aumento do nível de concentração, por conta das melhores condições competitivas das redes mais estruturadas, pela maior capacidade de investimento na melhoria de seu desempenho, acesso ao crédito para suas próprias operações e repasse para consumidores, melhores práticas de gestão e acesso à tecnologia que pode racionalizar custos, maiores recursos financeiros para enfrentar o cenário mais adverso, maior atenção em recursos humanos e, principalmente, na negociação de melhores condições junto aos fornecedores de produtos e serviços.

O quadro difícil e competitivo, com retração de demanda e aumento de custos de infraestrutura e tributários,  precipita uma queda de braços entre varejistas e seus fornecedores de produtos e serviços em busca de compensações que, no momento atual, não se consegue com aumento de volume de vendas por conta de um consumidor mais arredio e retraído. Nessa briga, quem pode mais chora menos, já dizia o dito popular. Na verdade, quem pode mais impõe mais e tenta transferir os benefícios para seus consumidores ou recompõe margens. E isso significa que os grandes ficam maiores e aumentam sua participação de mercado, fazendo crescer a concentração.

Interessante notar que esse aumento de concentração tem seu lado saudável, pois só é viável para quem usa esses recursos, preço, crédito, condições e promoções, para oferecer mais ao consumidor final.

De outro lado, dado o aperto competitivo, para muitos pequenos e médios o caminho da sobrevivência passa pela informalidade, especialmente na área tributária, fiscal e trabalhista.

É verdade que nesse caso, o País tem vivido uma transformação estrutural das mais importantes com alguns movimentos relevantes como a ampliação da legislação do Simples, a inclusão do MEI, ou Micro Empreendedor Individual, que recém atingiu a marca de 5 milhões de cadastrados, e também um amplo programa de monitoramento de práticas comerciais “heterodoxas”, através do uso de um arsenal tecnológico dos mais abrangentes pelos governos no sentido de buscar ampliar sua arrecadação.

Apesar de tudo isso, períodos como o atual, acabam precipitando um aumento da informalidade como recurso extremo para alguns da busca da sobrevivência para seus negócios, mesmo que seja apenas por um período.

Porém, como haverá um aumento de participação das empresas formais e estruturadas no conjunto dos negócios do País, a participação relativa da informalidade no total dos negócios tenderá a ser menor, o que, no extremo, é um resultado positivo quando se considera uma visão mais ampla.

O mercado que vai emergir desse ciclo recessivo será um mercado mais concentrado na maioria dos setores e relativamente mais formal, porém com o eventual desaparecimento de algumas empresas, e até marcas, que podem não suportar a pressão que o Brasil vive.

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) é diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

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