Confiança: Onde fica o fundo do poço?

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Por Marcos Gouvêa de Souza*

Em julho o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado pela FGV, atingiu 82 pontos, o menor da série histórica que começou em setembro de 2005. Nos primeiros sete meses deste ano é a quarta vez que o índice atinge um ponto ainda mais baixo dentro da série.


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O indicador mostra que nunca antes neste País chegamos a um ponto tão baixo em termos de confiança da população em relação ao seu presente e o futuro. O que é também seguido por todo o empresariado, para diferentes segmentos e porte de empresas.

O ICC é composto por dois vetores medindo a percepção em relação ao curto prazo: o Índice da Situação Atual (ISA), que atingiu no mês 71,2 pontos, puxando a média para baixo; e outro medindo a percepção sobre o futuro: o Índice da Expectativa (IE), que em julho ficou em 86,5 pontos.

Essa combinação mostra que a confiança é muito menor que a esperança, numa tradução comportamental do significado dos índices, ou seja, o presente é incerto e duvidoso, desestimulando o consumo e ensejando uma atitude cautelosa e depressiva, ainda que a visão de que o futuro possa ser um pouco melhor, traço marcante no comportamento coletivo.

Os elementos para esse estado de espírito são conhecidos e debatidos permanentemente, mas o mais relevante é a incapacidade dos poderes, especialmente o Executivo e o Legislativo, de se entenderem e sinalizarem perspectivas minimamente positivas para o País. O que fica é um quadro de descalabro desenhado pelos resultados da apuração dos desvios de recursos e corrupção que diariamente chegam à tona.

A confiança do consumidor é elemento fundamental da equação econômica de avaliação e previsão do comportamento do consumo e da economia como um todo, ao lado do emprego, renda, que na sua combinação gera a massa salarial e o crédito.

Esse quadro colocará um tempero explosivo nas negociações salariais que marcam os próximos meses, pois do lado empresarial haverá forte rejeição aos pedidos de recomposição salarial por conta do cenário futuro e incerto e do lado dos empregados a determinação de busca da compensação inflacionária que teima em continuar crescendo e chegou em Julho próximo aos dois dígitos sinalizando um período ainda mais conturbado à frente.

Nesse cenário, o Brasil está parando e os reflexos são crescentemente preocupantes no emprego, na renda e no consumo, numa espiral descendente de consequências que se espalham pelas mais diversas áreas que vão das compras de produtos e serviços ao consumo de alimentos.

Ainda na semana passada, o IFB – Instituto Foodservice Brasil, mostrou que em julho o crescimento das vendas dos operadores do setor, as redes atuando com diversos formatos de lojas orientadas para alimentação fora do lar, tiveram expansão nominal de vendas de 12,4 % sobre o mesmo período do ano passado, sem ajuste sazonal e com a abertura de novas lojas, realizada por essas redes. Expurgado o efeito da expansão do período, no critério mesmas lojas, considerado no mesmo período e também sem ajuste sazonal, o crescimento nominal foi de 5,5% que, deflacionado pelo IPCA de 10,41%, específico dessa atividade, representa um crescimento negativo de 4,5 %.
É a população rigorosamente encolhendo a barriga e apertando o cinto.

A discussão anterior sobre que letra representaria o formato da atual crise no Brasil, se um V, U, W ou L (leia artigo sobre a “Qual a letra?”) parece, ao menos por enquanto, sinalizar que estamos ainda na percepção de um V que teima em se aprofundar, não deixando antever onde está esse fundo do poço para depois discutirmos por quanto tempo lá ficará.

NOTA. Entre os dias 24 e 27 de agosto, será realizado o LATAM Retail Show, no Expo Center Norte, com mais de 130 palestras, 25 delas internacionais, com alguns dos principais líderes do varejo, franquia e shopping centers. E na área de exposições de instalações, equipamentos, serviços e tecnologia para esses setores, será apresentada a Omniera – A loja do futuro, que trará uma concepção inovadora de integração de pessoas com tecnologia para maximizar a experiência do consumidor.

E nas discussões sobre o momento e os cenários presente e futuro, algumas das mais influentes lideranças do Brasil e do mercado internacional estarão apresentando e debatendo suas visões, gerando insights preciosos para todos que atuam no e com esses setores e, em particular, a palestra de Abilio Diniz, compartilhando seus aprendizados pelas diferentes crises que atravessou em sua vida, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida a mais equilibrada e reconhecida liderança política do País.

*Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) é diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza

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