Lojas de proximidade: a bola da vez

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Por Artur Motta*

– De tempos em tempos surgem tendências em formato de lojas que são rapidamente adotadas por players do varejo. Já passamos pela expansão dos hipermercados, o surgimento dos atacarejos e o crescimento das drogarias/perfumarias, para citar alguns. A bola da vez são as lojas de proximidade.

O Casino lançou as bandeiras Minuto Pão de Açúcar e Mini Mercado Extra. O Carrefour desenvolveu o Carrefour Express. O Dia%, atuando no Brasil desde 2001, atualmente possui mais de 800 lojas que priorizam a proximidade. Raízen, BR e Ipiranga, em função da poderosa capilaridade das lojas de conveniência (aproximadamente sete mil lojas), também começam a avaliar elementos do modelo para aproveitar essa oportunidade.

Em um mundo cada vez mais soterrado na tecnologia, o consumidor se habitua a agilidade e rapidez. O e-commerce entrega uma grande variedade de produtos a poucos cliques, faz recomendações de compras e “conhece” seu padrão de consumo. As lojas de proximidade são uma parcela da resposta a essa tendência. Elas entregam sortimento mais focado, maior velocidade de decisão e pagamento, reposição mais frequente (transmitindo a ideia de produtos mais frescos em FLV), praticidade e conveniência por não ter que enfrentar o trânsito e ser próxima.

Mas, para maximizar a penetração dessas lojas, há também um eficiente movimento de modernização e inovação das redes. A experiência é valorizada incluindo o aprimoramento do visual merchandising e adoção de novas tecnologias de interação. A atenção ao Foodservice acompanha o novo perfil do consumidor que aumentou o consumo fora de lar (aproximadamente de 33% do gasto em alimentação), as refeições intermediárias (os lanches detém 23% do tráfego) e o take away.

As novas estratégias de sortimento merecem um debate adicional, principalmente pela valorização da marca própria. Ocupando um papel cada vez mais relevante, que supera 30% do faturamento na rede Dia%, os produtos de marca própria costumam apresentar margem superior (até 25% acima das marcas do fabricante) e elevada responsabilidade na fidelização dos clientes. A valorização da qualidade, sustentabilidade e preocupação com a saúde são exigências dessa nova geração de marca própria.

O potencial de transformação no cenário de consumo das lojas de proximidade pode ser percebido quando olhamos a realidade do mercado europeu, que tem nesse formato uma grande concentração das vendas. Essa possibilidade chama a atenção de outras empresas como a Heinkein que desenvolveu o conceito da Beer Cave para as lojas AmPm dos postos Ipiranga e até mesmo a Amazon, que acaba de fechar parceria com a rede Oxxo (13 mil PDVs no México) para servir como ponto de entrega das compras efetuadas pelo site. A Oxxo se beneficiará de taxa operacional e um aumento no fluxo de clientes!

Atuar no formato de proximidade, entretanto, exige um modelo de negócio especifico que integre a massificação da operação, em função do número de lojas, com elevado grau de flexibilidade na definição do sortimento e do preço, adequados a área de atuação. A logística é crítica, pois a maximização da área de vendas depende da otimização do estoque e da eficiência no abastecimento, além de se submeter às restrições de mobilidade em áreas residenciais. Os grandes varejistas do Brasil estão segmentando a operação para se adequar as exigências do formato como, por exemplo, o Carrefour que disponibilizou um centro de distribuição apenas para a bandeira Carrefour Express.

Por fim, gostaria de ressaltar que quando falamos em lojas de proximidade, devemos expandir a visão além do varejo alimentar. As padarias também estão por perto e se reinventando em super padarias, rotisserias especializadas que ofertam produtos diferenciados e as lojas de conveniência que ampliam sua proposta de valor.

Sobre essas últimas, no mês de outubro, acontecerá a NACS 2015. A GS&AGR Gouvêa de Souza estará presente, captando as tendências e oportunidades para as lojas de conveniência. Entretanto, já conseguimos antecipar uma das vantagens que esse formato possui, ao menos em São Paulo, na briga pelo mercado de proximidade: nas lojas de conveniência a sacolinha é de graça!

Boas vendas!

*Artur Motta (artur.motta@gsmd.com.br) é diretor de Consultoria da GS&AGR Consultores.

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