O que é meu é nosso – o fim do hiperconsumo!

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Por Jean Paul Rebetez*

– Muito se fala da crise que estamos atravessando, quanto o consumo diminuiu em todos os segmentos e o quanto tudo isso está afetando a indústria e principalmente o nosso varejo. Sem dúvida o varejo foi afetado de uma maneira dramática, mas, arrisco pensar que a crise no consumo, de uma certa forma, tem a ver com algo mais profundo do que a crise econômica em si.

A crise toda não vem sozinha, ela aponta talvez a uma exaustão da forma de consumir como a conhecemos. A era do hiperconsumo ficou no século XX, onde a indústria e o varejo pós-guerra criaram a necessidade e o descarte.

A partir das plataformas digitais conseguimos aproximar as pessoas como nunca antes visto, criamos comunidades, compartilhamos de tudo, vídeos, opiniões, casa, carro, sofá, parceiros e também produtos e serviços.

Fora isso, criamos, com essa cultura do hiperconsumo, montanhas de lixo, na verdade uma ilha de lixo maior que o estado de São Paulo, boiando erroneamente ao Norte do Pacífico (estima-se em 3,5 milhões de toneladas de descarte plástico à deriva).

O planeta não aguenta tanto descarte, tanto consumo de energia e matéria prima. A natureza dá o seu recado, tanto na mudança climática quanto na escassez de recursos.

Aos poucos, a otimização dos recursos passa a ser a tônica do século XXI.

Os millennials (geração de 1980 a 2000) possuem novos valores aos quais nós temos que estar sensíveis para compreendê-los e incluí-los na nossa forma de gerir os nossos negócios e a produção. Essa geração é definida pela reputação, pela comunidade daquilo que podemos acessar, pelo modo que compartilhamos.

No século XXI o compartilhamento se mostra com o que temos de mais revolucionário e inovador, apesar de não ser nada novo na sua essência em si. O compartilhamento está para a propriedade assim como o iPod está para o toca-fitas; assim como o painel solar está para a mina de carvão.

O compartilhamento é limpo, sustentável sem resíduos!

O compartilhar significa trocar o OPEX pelo CAPEX, proporcionando a milhares de novos microempreendedores a geração de receitas complementares ou grandes ganhos. Empresas mundo a fora estão lucrando e muito com isso e, ao mesmo tempo, proporcionando menos impacto e comunidades mais equilibradas.

Alguns princípios do consumo colaborativo passam pelo aproveitamento da capacidade ociosa, crença pelo bem comum e confiança entre estranhos. A confiança tem como base a plataforma digital onde se pode concretizar o compartilhamento, dividir as nossas experiências e avaliações.

A crise econômica deu um empurrão no sentido de expandir as oportunidades para esta revolução do compartilhamento. A nova economia vem se expandindo e empresas estão florescendo e aproveitando o novo jeito mais racional e descentralizado de prosperar, vide o UBER, Airbnb, NUBANK , CouchSurfing, Whipcar, Wikipedia, Zipcar, e tantas outras.

Já as empresas e negócios têm como desafio entender como gerar valor e serem relevantes nesse novo mundo compartilhado. Lembrando que este novo mundo ainda coexistirá com o velho consumismo que conhecemos, porém, perdendo espaço a cada dia, assim como o fax que ainda existe em nossas residências e escritórios, mas foram perdendo o uso paulatinamente a ponto de se tornarem descartáveis.

O que é meu é nosso!

*Jean Paul Rebetez (jean.rebetez@gsmd.com.br) é diretor de Consultoria da GS&AGR

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