Sérgio Zimmerman, presidente da Petz, contou como fez a rede cresce em meio à crise durante o Latam Retail Show

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Por mais que a tecnologia avance, a alma do varejo ainda é a mesma adotada pelos donos de pequenos armazéns das décadas de 60: conhecer o cliente e, com isso, ofertar exatamente o que ele quer e quando quer.

Ao menos é isso o que pensa Sérgio Zimerman, presidente da Petz, maior varejista focada em animais de estimação do país. “Quer dizer, é isso, mas em larga escala, claro”, diz ele.

Para o empresário, toda a tecnologia hoje dá ao gestor a liberdade de cuidar do negócio de onde estiver, o que facilita a expansão do negócio pelo país. “Isso era quase impossível antes, quando o varejista tinha de estar de olho nas lojas, in loco”, afirmou.

Como ele fez seu negócio crescer na crise

O motivo, disse, é  simples – a Petz faz parte de um setor, não imune à crise, mas resiliente. Trata-se de um negócio pensado para apaixonados por animais de estimação.

“Neste ano, o setor de pets ficou estagnado, mas não retraiu como o resto do varejo, o que é uma coisa boa”, afirmou ele. “Nós conseguimos nos descolar e crescer bastante por apostar em mais lojas e personalização de consumidores”.

A rede, que não abre faturamento (ainda que o mercado estime uma receita de mais 500 milhões de reais), cresceu 31% em 2016 e espera um aumento de 50% para este ano.

O salto, em meio à crise econômica do país, foi impulsionado pela abertura de lojas – são quase 58 unidades espalhadas pelo país, no total. Ainda assim, se mensurado apenas o aumento das vendas de mesmas lojas em 2017, o incremento deve ser de 13% neste ano.

O segredo está na gestão focada em 1.800 funcionários contratados, bem treinados e apaixonados por bichos, garante o empresário.

“Além da diversidade de serviços que passamos a ofertar”, disse ele.

Zimerman explica que tem dois tipos de precificação em seu negócio – produtos e serviços. Em produtos, ao contrário de muitos concorrentes, ele garante que itens de pouca saída e muito valor agregado não saem do portfólio, nem em tempos mais difíceis.

A ideia é que os clientes possam encontrar itens como casinhas de cachorros mais elaboradas nas lojas, independente da crise, para que ele saiba que ali pode encontrar de tudo.

“O preço da ração, da Petz e da concorrência, será o mesmo, não tenho intenção de entrar numa disputa mais agressiva de preço”, disse ele. “Por outro lado, oferecemos vários serviços, de banhos a veterinários, com preços justos e alta qualidade”.

Negócio animal

Não à toa, a área de serviços expande a cada ano e até ganhou uma divisão especial dentro da companhia recentemente. Oferta de hotéis, canis e dogwalker estão entre as opções e a companhia estuda até a possibilidade de fechar parcerias com profissionais independentes.

“De qualquer forma, daríamos a nossa chancela de que aquele serviço é feito por um parceiro, por alguém de qualidade atestada”, disse.

A demanda é tanta, que o empresário garante que as grandes lojas da rede, com tamanho médio de 1.000 metros quadrados, são adequadas. “Há clientes que querem passear ali e que voltam para comprar depois, o ponto é um ótimo jeito de fidelizá-los”, afirmou.

A contratação de gente especializada ainda é um desafio, mas Zimerman garante que há três anos a varejista passou a preferir pessoas apaixonadas por bichos, assim como os clientes, do que profissionais com experiência anterior.

“Vale a pena dar treinamento a quem ama animais de estimação, a razão de existir de nosso negócio”, afirmou o empresário.

Zimerman tem consciência de que a concorrência aumentou muito desde que ele abriu a Petz, antiga Pet Center Marginal, em 2002. No entanto, a pulverização não o assunta.

“Muita gente abre um petcenter porque gosta de animais, sem saber gerir um negócio, que acaba durando pouco”, afirma. “Neste caso, sempre digo, tenha um pet, não abra uma loja”.

Fonte: Exame.com

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