Carta Final do 6º Fórum Lide do Varejo

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Anualmente, o Lide realiza seu Fórum de Varejo, sob coordenação do Lide Comércio.

O evento deste ano, no Hotel Sofitel Jequitimar no Guarujá, neste último fim de semana, reuniu perto de 300 líderes dos diversos setores do varejo, consumo e shopping centers do Brasil e, como é tradição, ao final, foi divulgada a Carta-Legado que consolida as discussões e aprendizados vindos das apresentações feitas.

Eis abaixo o que foi lido e apoiado por todos os participantes do evento.

 

Carta-Legado do 6º Fórum Lide do Varejo

O cenário que envolve os setores de Varejo, Consumo e Shopping Centers é cada vez mais desafiante.

O crescimento da competitividade, global e local, é inerente ao processo de trasferência de maior poder aos omniconsumidores-cidadãos criando desafios e oportunidades em todos os formatos, categorias, canais e negócios do mercado, precipitando migração de poder estratégico entre varejistas, fornecedores de produtos, serviços e soluções e os shopping centers.

Nesse macro-cenário, esses setores se defrontam com as transformações advindas da conjugação dos processos de globalização, digitalização e concentração de negócios, que exponenciam a competitivadade e internalizam no Brasil as transformações estruturais internacionais.

No cenário interno, o encerramento do ciclo recessivo reconfigura a realidade do mercado e do consumo, sinalizando um período de melhor desempenho de vendas, porém, sem que as transformações estruturais que o país demanda tenham sido obtidas.

O Brasil avançou no combate à corrupção, na modernização trabalhista, na limitação  dos gastos públicos, no equilíbro fiscal, porém, está ainda MUITO distante do que deveria nas áreas Tributária, Previdenciária, Burocrática, na Estrutura Política e na Modernização da Gestão das matérias públicas.

Além disso, o crédito às pessoas físicas, concentrado, caro e escasso é um entrave ao maior crescimento da economia pelo aumento do consumo das famílias.

A retomada do consumo é uma evidente melhoria que permitiria, de forma ambiciosa, quase inconsequente, estimar que possamos continuar crescendo nos próximos anos por conta de um cenário externo e interno mais positivo.

Mas estamos muito distantes da visão de um país moderno, competitivo globalmente, mais justo socialmente e com propostas estruturadas e estratégicas de longo prazo.

Não podemos nos deixar envolver por essa situação restrita e pontual, perdendo de vista o cenário de longo prazo e mais amplo.

Já nos iludimos muito na década de 70 com o Milagre Brasileiro ou nos anos 2000 quando do Boom mais recente da economia.

Não podemos nos deixar envolver novamente pela sensação de alívio com a recuperação momentânea do consumo e da economia, pois estamos nos distanciando de uma realidade vivida por economias mais maduras e modernas e nos limitando a sobreviver cada vez mais enclausurados em nossos microcosmos, cercados por pobreza, insegurança e, ainda, corrupção.

E perdendo jovens  talentos, desiludidos com essa realidade, para outros países e realidades.

Apesar de termos setores e negócios empresariais inovadores, ambiciosos em suas propostas, competitivos em âmbito global, líderes em seus segmentos, verdadeiros benchmarks globais, convivemos num cenário injusto, desigual, desestimulante de mais investimentos e empreededorismo, além  de asfixiado em sua capacidade empresarial por todos os fatores conhecidos.

E tudo isso ficou muito claro nas discussõs e debates que tivemos nesta oportunidade.

Quem tem juízo e visão deveria manter-se inconformado com o Brasil que temos e teremos nos próximos anos, caso o setor empresarial não esteja mobilizado para atuar decisivamente na necessária transformação.

No curto prazo, o período eleitoral é o momento certo e fundamental para que o setor empresarial, especialmente o de varejo e consumo, se engaje com as propostas que possam transformar, positiva e estruturalmente, o país.

Não vamos nos desmobilizar e nos conformarmos com as benesses da recuperação de curto prazo. Este é o mais importante alerta.

Estamos muito distantes do sonho possível.

O Brasil exige dos líderes empresariais do setores de varejo, consumo e shoppings center mais responsabilidade, visão, atitude e compromisso com o futuro e esta é a convocação que fazemos neste momento.

Vamos nos mobilizar e integrar esforços para transformar de forma estrutural e definitiva esta realidade.

Temos que acreditar, mas, acima de tudo, temos que agir de forma integrada e ambiciosa pois depende, fundamentalmente,  de nós.

Guarujá, 17 de Março de 2018

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