Como um bruxo evitou o fechamento de uma livraria

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Em 13 de janeiro de 1906, foi aberta na cidade do Porto, em Portugal, mais precisamente na rua das Carmelitas, a Livraria Lello. Na ocasião, figuras políticas, autoridades, artistas e jornalistas compareceram para a sua inauguração.

Livraria Lello em 1906

Quase um século depois, a livraria passava por maus momentos, com vendas baixas, devido à crescente pressão dos operadores online e do drástico aumento da competição pelo tempo e atenção dos consumidores das mídias digitais e opções de entretenimento, reduzindo assim o consumo da categoria.

Bilheteria

E não é apenas a tradicional Livraria Lello que precisava se reinventar, o varejo no geral está passando por uma revolução. Nós, do Grupo GS&, temos chamado esse fenômeno de Big Bang do Varejo, onde a velha definição do ponto de venda literalmente explodiu e se fragmentou. Tudo passou a ser ponto de venda. Ele está disponível em qualquer lugar e a qualquer hora. O PDV agora tem que oferecer uma experiência excepcional ao consumidor, ser tecnológico, customizado, personalizado, conveniente, com curadoria, social, etc… Afinal, temos que dar motivo para o consumidor ir à loja, agora que ele pode escolher comprar em qualquer lugar.

Lançamento do último livro de Harry Potter

Prestes a fechar as portas, aconteceu a reviravolta da livraria. Tudo por causa de um bruxinho, mais especificamente, o Harry Potter, que teve parte das suas passagens inspiradas em lugares portugueses, como a Livraria Lello. Ela serve potencialmente como inspiração para cenários nos livros e filmes, como a livraria onde ele conheceu Gilderoy Lockhart, no livro “Harry Potter e a Câmera Secreta “, visto que a escritora morou por anos no país.

A família proprietária se apropriou dessa história e passou a divulgar o local como a “livraria do Harry Potter”, fato esse que nunca foi confirmado e nem negado, mas que foi a salvação do local, visto a popularidade do personagem que passou a atrair levas de turistas para o local, principalmente após a menção e inclusão do local no guia Lonely Planet, em 2010, um dos guias de destinos turísticos mais populares do mundo.

Visita do Grupo GS& à loja

O sucesso foi tamanho que a família proprietária anexou os prédios vizinhos e construiu um amplo espaço dedicado a venda de livros, produtos relacionados a cultura pop, memorabília, contação de histórias, etc. A livraria passou a funcionar como um local de encontro para os fãs, como no lançamento do último livro da série, que atraiu milhares de entusiastas para a divulgação da capa, que colocou à venda 5.800 exemplares nesse dia.

Dado a grande procura pelos turistas, muitas selfies e poucas vendas, em 2015 a livraria passou a cobrar 4 Euros por pessoa para entrar na loja, valor esse que é descontado, caso o visitante compre qualquer livro. A ação triplicou as vendas da loja, que recebe 1.500 pessoas por dia na baixa temporada, 3.000 pessoas na alta temporada e 5.000 pessoas aos finais de semana, gerando uma receita estimada de mais de EUR 3 milhões ao ano, apenas em ingressos.

Espaço para contação de histórias no prédio anexado

Fica o aprendizado da Livraria Lello. A loja que se posiciona apenas como um ponto de venda de produtos está com os seus dias contados. Oferecer experiência ao consumidor, storytelling, curadoria e serviços são imprescindíveis ao varejo (mas é claro que uma boa dose de sorte também ajuda muito nos negócios).

Nota: O Grupo GS& está em Portugal para o encontro do Ebeltoft Group, aliança global de consultoria de varejo e consumo, na qual o Grupo GS& representa a América Latina.

*Imagem reprodução

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