Panorama do mercado de Food Service no Brasil

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Por Eduardo Yamashita*

Recentemente, foram lançados novos estudos sobre o segmento de Food Service (alimentação fora do lar). O levantamento foi realizado pela GS&MD – Gouvêa de Souza e traz insights relevantes sobre o setor.

A pujança do Food Service fica evidente ao observarmos o crescimento do mesmo entre 2011 e 2014, que saiu de R$ 121 bilhões para R$ 157 bilhões, crescimento médio anual acima de 9%. A evolução do segmento demonstra forte correlação com o crescimento do PIB, Varejo, Renda, Emprego e Confiança, o que nos permite projetar a sua evolução para os próximos anos, que deve alcançar o patamar de R$ 230 bilhões em 2019, crescimento médio anual de 8%.

Panorama do Food Service

A participação do Food Service no gasto das famílias com alimentação saltou de 24,1% em 2002, para 33,3% em 2014. Para efeito de comparação, a presença desse segmento no mercado norte americano é de 49%, setor esse entre os mais desenvolvidos do mundo.

É notória também a diferença da participação do Food Service entre as diferentes classes sociais: enquanto as famílias de classe A gastam com alimentação fora do lar, entre 45 a 50% do seu orçamento para alimentação, as famílias de classe B, C e D gastam cerca de 35%, 25% e 20% respectivamente.

A maior participação nos gastos em FoodService continua na região Sudeste, representando 56,4% do consumo no Brasil, seguida pelas regiões Nordeste (17,6%) e Sul (, com 17,6% e 13,4%).

Transformadores

Em abril de 2015 foi lançado, em conjunto com o Instituto FoodService Brasil (IFB), a pesquisa “Transformadores 2015”, que traça um panorama e tendências desse importante elo da cadeia: os restaurantes.

O estudo apontou uma mudança relevante no fluxo de clientes entre os diferentes canais, havendo uma migração relevante do canal padarias para os canais Fast Casual, Full Service e Fast Food. Apesar da migração, houve pouca variação no ticket médio, frente à pesquisa de 2014 em todos os canais.

O faturamento médio declarado foi de R$ 84 mil por mês, sendo 73% desse volume proveniente de alimentos preparados no local e a venda de bebidas e demais produtos industrializados participando com os 27% restantes.
Apesar das modalidades On Premise (alimentação no local) e Take Away (levar para casa) serem os mais oferecidos pelos estabelecimentos, os canais de delivery por telefone e delivery pela internet, quando oferecidos, têm uma participação expressiva no faturamento dos restaurante, além disso, eles também contribuem fortemente com o aumento do ticket médio dos restaurantes que os oferecem.

A pesquisa apontou também que o Cash&Carry continua sendo o principal canal de abastecimento dos transformadores em diversas categorias. Com relação aos produtos mais comprados/preferidos, observamos a consolidação das principais marcas em categorias como bebidas e carnes, mas por outro lado, tivemos surpresas em categorias como queijos, molhos, vegetais, etc.

Independentemente do atual cenário econômico de curto/médio prazo, observamos que apesar do forte crescimento do segmento nos últimos 10 anos, ainda há espaço para um forte crescimento do setor, principalmente com as relevantes mudanças sócio econômicas no país: participação das mulheres no mercado de trabalho, crescimento da renda, desemprego, etc, além disso, as mudanças no comportamento dos consumidores, cada vez mais sensíveis a saudabilidade e conveniência, devem continua a mudar o panorama desse mercado nos próximos anos.

Em breve falaremos também sobre o CREST, pesquisa desenvolvida pela GS&MD em parceria com a norte-americana NPD, que faz o tracking contínuo com mais de 6 mil consumidores do segmento Food Service, trazendo insights reveladores e acima de tudo acionáveis sobre o segmento e o comportamento dos consumidores.

*Eduardo Yamashita (eduardo.yamashita@gsmd.com.br) é diretor de Inteligência de Mercado da GS&MD – Gouvêa de Souza

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