Estamos fora do acordão!

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O Acordo Trans-Pacífico anunciado largamente nesta semana precisa ser entendido em maior detalhe, uma vez que o Brasil ficou de fora dele. Este acordo transborda as questões de baixar tarifas alfandegárias entre países ou derrubar barreiras à importação. Representa nada mais, nada menos, que 40% da economia mundial.

Por favor entendam que não tenho a pretensão de esclarecer todos os pontos da TPP (trans pacific partership), uma vez que o documento é extenso e complexo. Tenho, sim, a intenção de aproximar o tema ao dia-a-dia de nossas empresas.

Meu objetivo hoje é gerar alguns “insights” dos impactos deste acordo no varejo brasileiro.

Quem está dentro da TPP e qual a relação comercial do Brasil com esses países?

Em 2014, o Brasil exportou para os 12 países presentes no TPP um total de R$53 bilhões de reais. Os Estados Unidos, maior importador do Brasil, importa basicamente matérias-primas. Mas, percebemos a importância de produtos de consumo como calçados e suco de laranja para alguns países.

Nosso mix de produtos exportado para os 12 países pode ser resumido na seguinte tabela:

Tozzi

Quais os principais assuntos tratados na TPP?
Além das reduzir a zero a grande maioria das tarifas dos bens comercializados entre esses países até 2017, o acordo trata questões como integração das áreas de serviços, proteção a investimentos, compras governamentais, comércio eletrônico, telecomunicações, patentes, concorrência, meio ambiente, facilitação de comércio e regras trabalhistas.

Quais os possíveis impactos para as atividades do varejo brasileiro diante do TPP ?
Como disse anteriormente, a parceria entre os partícipes do TPP tende a zerar os impostos de importação. Por sua vez, a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite e apoia a desgravação de impostos internos às operações de exportação dos países membros.

As redes globais de suprimentos possibilitarão velocidade e amplitude ao comércio eletrônico entre os países parceiros, tanto de insumos quanto para produtos acabados. Isso significa, por exemplo, que o melhor produtor de pneus, o melhor produtor de motor, o melhor produtor de escapamento, rapidamente poderão se unir para produzir carros mais eficientes e mais baratos.

O comércio de produtos acabados, como artigos de vestuário, calçados, cosméticos, eletrônicos etc, entre os participantes do TPP e deles para os demais países desenvolvidos será fortalecido! Ou seja, essa união tende a dar competitividade e velocidade ao grupo do TPP, que obviamente deverá ter um aumento significativo na demanda de novos clientes.

Particularmente, o e-commerce será beneficiado nos países partícipes do TPP e os seus consumidores terão mais e melhores produtos disponíveis a preços ideais.

Como ficam a produção, o varejo e os consumidores brasileiros ?
Preso às amarras do Mercosul, com uma carga tributária gigantesca e que incide sobre transações internas e de exportação, os consumidores pagarão preços maiores por produtos muitas vezes menos eficientes.

A indústria ficará ainda menos rentável, mais distante de inovações e tecnologias e consequentemente menos competitivas.

O varejo corre o risco ainda de ter que lidar com consumidores frustrados, consumidores com uma “inveja cubana”: vendo na mídia internacional e na internet produtos de qualidade, “design” e preços inacessíveis aos reles brasileiros!

Ainda é tempo do Brasil reconhecer a inevitabilidade das redes globais de produção e comércio e se reinventar para aproveitar este cenário que me parece tão otimista.

Oremus!

Ana Paula Tozzi (ana.tozzi@agrconsultores.com.br) é sócia da GS&AGR Consultores.

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