A liderança muito além dos resultados

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Por Rodrigo Anunciato*

Finalmente, após um árduo período de trabalho, um profissional se depara com a tão sonhada promoção de cargo. A nova função, a qual o leva a ocupar uma posição de liderança, traz consigo uma série de anseios, seja por parte do profissional, ou mesmo de sua nova equipe.


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Naturalmente, o novo líder deve ter em mente que existem atitudes altamente favoráveis para que se possa atingir os objetivos esperados pela companhia, mas não se pode perder de vista que existem também atitudes nocivas e que devem ser evitadas.

Dentre todas, uma das mais relevantes é a que envolve a centralização das ações.

Segundo uma recente pesquisa com 1.051 executivos de diversos setores, conduzida pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a qual tinha o objetivo de classificar as características mais admiradas pelos brasileiros em seus líderes, os resultados chamam a atenção.

A primeira delas é a integração, ou seja, a capacidade de estimular o trabalho em equipe e de gerenciar conflitos de forma fraternal.

Logo em seguida, surge a qualidade da persuasão, a qual destaca fatores como carisma, diplomacia, convicções fortes e habilidades de inspirar pessoas.

Por fim, a qualidade que aparece na terceira posição do ranking é o engajamento, o qual, na visão dos respondentes, se traduz em ser acessível, por em prática sugestões da equipe e cuidar da qualidade de vida dos colaboradores.

Se olharmos para tais resultados com algum critério, vamos perceber que nenhum deles é novidade, mas o atual cenário econômico e social do País muitas vezes pode provocar atitudes de centralização por parte do líder.

Assim é preciso que o líder compreenda que a partir do momento em que ele centraliza uma atividade, ou mesmo torna-se o único responsável por ela na ânsia de garantir maior agilidade ou mesmo qualidade ao processo, os resultados da empresa de uma forma geral passam a correr riscos.

Mas como lidar com o ímpeto de fazer pelo time?
O primeiro ponto refere-se a diferenciar na prática o que significa centralizar, delegar e abdicar tarefas, o que pode parecer simples, mas na verdade não é.

Abdicar significa dar ordens e exigir resultados, sem nenhum acompanhamento ou apoio, abrindo mão de qualquer responsabilidade sobre o modo como são realizados os processos. É a política do “vire-se”. Se der certo o gestor assume as glórias e se der errado a culpa é de quem recebeu a incumbência. Isso é péssimo, pois gera insegurança e desmotiva qualquer iniciativa dos colaboradores em buscarem desafios, pois eles percebem que perderão de qualquer maneira.

Centralizar, por outro lado, é desconfiar de todos, fazer tudo sozinho ou dar ordens tão detalhadas que é como se estivesse fazendo ele próprio. Além disso, centralizar demais as tarefas infantiliza a equipe, pois ninguém toma a iniciativa, esperando a decisão do líder.

Delegar é dar uma tarefa e acompanhar o processo. Significa dar autoridade e poder para alguém realizar algo, mas ser corresponsável pelos resultados obtidos, aconselhando, apoiando a tomada de decisões e fazendo ajustes. Isso é saudável para o colaborador, que se sente motivado e seguro, e ótimo para o líder, que consegue formar melhor sua equipe de trabalho e ganhar tempo para dar atenção a outras prioridades na empresa.

De acordo com a “Teoria dos Dois Fatores”, do psicólogo Frederick Herzberg, a realização, o reconhecimento e a responsabilidade aparecem como os principais estimulantes para um bom desempenho de qualquer equipe.

Assim, cabe ao líder estimular e incentivar sua equipe para que a empresa atinja seus objetivos e a chave para cativar e motivar a equipe está no entendimento de que um líder não deve andar à frente ou atrás da equipe, mas ao lado.

Para isso, vale adotar algumas ações fundamentais:
– Conhecer cada integrante de sua equipe e identificar habilidades e oportunidades de aprimoramento em cada profissional;
– Ouvir ao invés de simplesmente escutar a equipe e utilizar-se do feedback para que cada profissional da equipe saiba exatamente como está seu desempenho e como pode aprimorar suas habilidades;
– Tratar os profissionais como iguais e celebrar com o time as conquistas obtidas;
– Comunicar-se de maneira assertiva e transparente, abrindo espaço para que as pessoas possam se posicionar, trazer ideias, dúvidas e sugestões de melhoria;
– Transmitir os valores da empresa e preocupar-se com o bem estar e a satisfação de cada profissional da equipe.

Para qualquer negócio dar certo, mais do que nunca, o líder precisa delegar tarefas conforme a maturidade que cada subordinado tenha para executá-las. Conforme a maturidade for aumentando, aumenta-se também a autonomia, criando um clima de respeito e confiança mútua.

O líder que aprende a delegar consegue, no médio prazo, alcançar resultados muito melhores, pois usa ao máximo o que cada um tem de melhor.

Por fim, lembre-se: pessoas motivadas são capazes de superar qualquer obstáculo. Pense nisso!

*Rodrigo Anunciato (rodrigo.anunciato@gsmd.com.br) é gerente de Soluções e Projetos da GS&MD – Gouvêa de Souza

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