Perspectivas para a expansão do varejo em 2016

422
open tag in coffee shop
[tempo para leitura: 3 minutos]

Ano novo. Cenário econômico e político conturbado. Muitas dúvidas surgem entre os gestores varejistas. Quais serão os setores mais afetados? Como será o comportamento das expansões varejistas? Quem será mais ou menos afetado?


Leia também:

=> Um evento que é top do varejo: quem foi, recomenda

=> Delegação GS&MD – Gouvêa de Souza para NRF Big Show ganha peso a cada edição


Fazendo uma análise detalhada em alguns setores, identificamos 4 ameaças que podem agravar os resultados do varejo no atual cenário:

Lojas voltadas para a classe média emergente

A crise atinge a todos, mas acerta em cheio a classe média e principalmente os emergentes (classe C) que serão altamente afetados pelo aumento do desemprego, pela alta da inflação e alta dos juros. Trata-se de uma legião de pessoas que estão com medo de se endividarem e já sentem na pele a perda do seu poder aquisitivo. Aqueles varejistas que mantiverem a estratégia de oferecer a melhor relação custo x benefício devem sofrer menos com os efeitos da crise. Produtos e serviços de baixo valor serão beneficiados. Mas pode ser um momento de repensar o negócio, lançando produtos e serviços que se adaptem ao consumidor atual.

Empresas com dificuldades financeiras

A crise econômica atinge em cheio varejistas com problemas de gestão e financeiros. Sem acesso ao capital, com custos em alta e vendas em baixa, remetem a um cenário que agrava em ambientes como a que estamos vivendo.  As dívidas muitas vezes tornam-se incontroláveis e afetam diretamente o fluxo de caixa. Já surgem noticias de varejistas entrando em processos de recuperação judicial ou até mesmo fechando as suas portas.  Mas pode ser também um período para uma reorganização e adaptação da estrutura das empresas à esta nova realidade de mercado.

Varejo com dependência de produtos importados

A alta do dólar está causando muitos transtornos para lojistas que tem predominância de produtos importados. O dólar subiu muito mais que a inflação no ano passado e causou um ambiente de negócios muito adverso. Num primeiro momento, para diminuir o impacto no consumidor, muitos varejistas absorveram parte da diferença diminuindo seus resultados, mas isto não se sustenta por muito tempo. Na renovação dos estoques, o repasse é inevitável. Uma saída é a nacionalização de produtos, o que não se aplica a todos os processos, além de ser lento. A consequência é a perda de competitividade.

Varejo físico influenciado pelo omnichannel

As lojas físicas de eletroeletrônicos, livros, CDs e DVDs, vestuários e calçados já algum tempo sentem os impactos das vendas realizadas nas plataformas digitais. Fenômeno que afeta varejistas do mundo todo, no caso do Brasil, se agrava pelo atual contexto. Como se trata de um caminho sem volta, os varejistas investem intensamente em plataformas digitais migrando as vendas das lojas físicas. A consequência é a redução do número de lojas, saída de mercados, ou a diminuição das áreas de vendas.

Diante de tantas ameaças, a consequência é que cerca de 70% dos varejistas ou suspenderam ou diminuíram seus planos de expansão para este ano. Mas também a crise pode ser um momento de geração de grandes oportunidades. Olhando pelo lado do copo cheio, no caso dos pontos comerciais, tanto em shopping centers, quanto em ruas, existe uma boa oferta de imóveis ou lojas para repasse com custos de ocupação mais baixos e nota-se  um ambiente de negociação bastante favorável com os proprietários. Também uma oferta maior de mão de obra e maior estabilidade no quadro de funcionários. Os fornecedores tornam-se mais parceiros e flexíveis.

Enfim, a saída é saber se adaptar a este novo cenário num ano que certamente será marcado por grandes emoções.

Marcos Hirai (marcos.hirai@bgeh.com.br) é sócio-diretor da BG&H Retail Real Estate

 

Deixe uma resposta