O momento da cobrança de “luvas” nos pontos comerciais de ruas

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Por Márcia Novais*

Para o varejista, há duas maneiras de se olhar o atual momento econômico. Olhando o lado ruim (bem, este todo mundo já sabe). Mas se olharmos por outro ângulo, a crise também traz oportunidades. Além de uma oferta maior de imóveis vagos, podemos dizer que também temos sinal verde para boas negociações nos valores das luvas e dos aluguéis. “Luvas”, também conhecidas como “fundo de comércio” ou “cessão de direito de uso”, sempre foram polêmicas e de difícil equação para lojistas.

Para entendermos um pouco melhor, luvas é o nome dado ao valor adiantado pago pelo inquilino ao locador ou sublocador, reservadamente, para assinatura de contrato de locação, além do aluguel mensal. É um costume que os proprietários de imóveis comerciais localizados em áreas muito valorizadas adquiriram, frente à grande demanda. Funciona como uma espécie de leilão, sendo cobrada uma quantia de entrada, para a garantia da locação.

O mercado de imóveis comerciais tem passado por um processo de grandes transformações, por conta da economia desacelerada. Quem tem imóvel para alugar ou vender, certamente percebeu isso. Andando pelas ruas das cidades brasileiras, o cenário lembra a sessão de classificados de jornais. A profusão de placas de “aluga-se”, acabam sendo um termômetro do atual mercado imobiliário.

Como nos últimos anos foram lançadas centenas de imóveis, observa-se que hoje os valores estão se adequando ao potencial de faturamento dos lojistas, pois há um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura. A desaceleração do consumo fez com que muitos lojistas fechassem suas portas ou procurassem imóveis com valores menores, mais adequados à atual realidade.

A alta disponibilidade de pontos comerciais faz com que proprietários de imóveis comerciais revejam a cobrança do valor das luvas, na tentativa de tornarem atrativos para uma locação mais rápida. Descontos ou mesmo a extinção da cobrança talvez seja uma realidade. Estima-se que os valores caíram em média 30% nos últimos 12 meses.

Mesmo com a grande variedade de imóveis disponíveis, recomenda-se cautela, pois apesar da turbulência deste cenário, a escolha de um ponto comercial mantém-se como uma tarefa difícil, trabalhosa e paciente, pois é fator determinante para que o lojista alcance bons resultados nas vendas (ou não).

Você já deve ter ouvido a frase: “O sucesso ou o fracasso de uma operação varejista depende de diversos fatores, mas um ponto comercial bem localizado, com um custo de ocupação adequado, pode significar 50% do sucesso do negócio”. Seguindo isto, vá em frente!

*Márcia Novais (marcia.novais@bgeh.com.br) é consultora de Real Estate da GS&BGH

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