O que esperar desta retomada? (Parte 2)

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[tempo para leitura: 3 minutos]

Por Marcos Gouvêa de Souza*

Neste artigo continuamos com a análise dos aspectos que devem pautar o período que estamos vivendo, que caracterizamos como o de retomada nos conceitos mais amplos que envolvem o cenário macro-econômico e o comportamento de consumo.

No artigo anterior, destacamos os cinco primeiros aspectos envolvendo: 1-Consumidor-cidadão mais empoderado do que nunca; 2-Consolidação de Mercado; 3-Aumento transitório da informalidade; 4-Pressão sobre a rentabilidade; e 5-Exacerbação da Competitividade.

Eis os que complementam essa lista:

  1. Redimensionamento do Retail Real Estate. É resultado de uma conjugação de fatores que envolve a revisão feita com respeito aos espaços necessários para as lojas, especialmente devido ao aumento de participação do e-commerce, e, ao mesmo tempo, uma profunda revisão quais áreas geográficas serão mais ou menos afetados pelo redesenho geral de mercado nesse período de retomada. O que é inegável é que regiões que foram anteriormente descobertas ou redescobertas, poderão agora perder importância e potencial na reconfiguração de fatores que irão impactar o consumo. Ao mesmo tempo, vive-se no mercado mundial, com impactos também no Brasil, um processo interessante de repensar do tamanho das lojas, pelas possibilidades e perspectivas geradas pelo omni-varejo; 
  1. O consumidor-cidadão que trabalha para nós. Não é possível falarmos das abrangentes mudanças que envolvem o empoderamento do consumidor-cidadão no mercado como um todo, e ignorarmos que os funcionários e colaboradores que trabalham em nossas organizações estão também mudados em suas ambições, desejos, atitudes, conexões e referências. E isso exige mudanças importantes nas formas como recrutamos, selecionamos, integramos e gerenciamos esses funcionários, trazendo novos e relevantes desafios para as empresas de forma geral, em particular no varejo, pela relevância da interação deles como os consumidores; 
  1. Revisão e racionalização de estoques. O processo mais dramático de ajustes de estoques ao novo cenário de mercado com menores índices de crescimento, neste momento, já foi feito e implementado pelas empresas. Quem não o fez ainda tem tempo e emergência em fazê-lo. O que é inegável é que o custo financeiro atual e futuro não condiz com níveis de estoques diferentes do ótimo, especialmente por conta das alternativas possíveis de combinação de vendas online e off-line, que podem contribuir para um oferta mais ajustada às demandas no tempo e no espaço. Impõem-se novos modelos de análise e otimização de estoques tanto nas operações analógicas como nas digitais dentro de uma nova realidade onde se mesclam ameaças e oportunidades; 
  1. Mais serviços para diferenciar e rentabilizar. É um caminho sem volta e que se acelera, especialmente por conta de momentos como os atuais onde a pressão sobre a rentabilidade cresce e gera novos desafios. O caminho do varejo do futuro, tanto quanto para os fornecedores de bens de consumo, passa pelo aumento de participação dos serviços no conjunto dos dispêndios familiares e, consequentemente, na atividade econômica como um todo. Como o varejo irá repensar estrategicamente seus negócios para incorporar serviços no conjunto de sua oferta é um exercício cada vez mais estrategicamente importante para as empresas e no momento da retomada deve ter prioridade na visão estratégica dos negócios; 
  1. Reposicionamento promocional. É tempo de um profundo, amplo e abrangente reposicionamento da atividade promocional no varejo de produtos e serviços. Depois de ter se acautelado durante o período mais agudo da crise, está na hora do varejo retomar sua agressividade e criatividade na geração de uma motivação adicional para os consumidores voltarem a consumir;
  1. Muito mais segmentação. Os períodos passados pediam maior cautela nos processos de segmentação em busca da maior racionalização possível. Vencida essa etapa de contração, será um tempo de retomar a visão estratégica de buscar alternativas de formatos, canais, propostas e marcas que possam gerar diferenciação e identidade com segmentos específicos de consumo emergentes;
  1. Sustentabilidade ainda que tardia. Da mesma forma como aconteceu nos Estados Unidos, durante o período da crise financeira que aconteceu por lá, as preocupações e ações envolvendo sustentabilidade perderam protagonismo. O foco foi cuidar do essencial como era percebido naquele momento. Passada a crise, o tema voltou com força total, até porque não podem ser ignorados os desafios que envolvem o tema. O mesmo acontecerá no Brasil. Houve uma natural retração sobre a importância na agenda do tema e agora deverá retomar com força ainda maior a preocupação com a prestação de contas das empresas e conceitos com tudo que envolva a sustentabilidade, porém, agora, reconfigurada na visão dos 3 Ps: Profit, People e Planet, que tornam o tema ainda mais aderente com as principais estratégias das organizações.

NOTA. A análise dos elementos emergentes desse período de retomada faz parte das avaliação das perspectivas de mercado que estarão sendo realizadas pelas equipes das empresas do Grupo GS& – Gouvêa de Souza, ao longo das próximas semanas, em eventos a serem realizados nas principais cidades brasileiras.

Acesse aqui a primeira parte deste artigo.

*Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) é diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza. Siga-o no Twitter: @marcosgouveaGS

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