JBS cancela reorganização societária após veto do BNDES; ação tem forte queda

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Banco é sócio do grupo de alimentos e não aprovou plano que previa a criação de um nova empresa com ações negociadas em Nova York e sede na Irlanda.

A JBS é uma das maiores processadoras de carne do mundo. Foto: Divulgação
A JBS é uma das maiores processadoras de carne do mundo. Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) manifestou-se contra a proposta de reorganização societária da JBS, exercendo seu direito de veto, o que levou a companhia a cancelar os trabalhos. Como consequência, o papel da companhia tinha queda de mais de 20%.

A reestruturação havia sido anunciada em 11 de maio e previa a criação da JBS Foods International, a ser listada na Bolsa de Nova York (Nyse) e na BM&FBovespa, por meio do programa de Brazilian Depositary Receipts (BDR), que abarcaria todos os negócios fora do Brasil e os da Seara Alimentos. A JBS SA passaria a se chamar JBS Brasil e seguiria com o controle dos negócios de carne bovina no Brasil e a divisão global de couros.

Em fato relevante, a JBS diz que “por meio da sua diversificação geográfica, seu portfólio de produtos de valor agregado e conveniência com marcas fortes e reconhecidas, continuará investindo no fortalecimento da sua posição como líder global no setor de alimentos em um momento de recuperação gradual da economia mundial e dos fundamentos do setor de alimentos, buscando e propondo alternativas que visem maximizar valor aos seus acionistas e demais stakeholders.”

A manifestação do BNDES contrária à proposta de reorganização societária da JBS surpreendeu o mercado, que agora espera por definições sobre o futuro da companhia. Analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, classificaram a notícia como “péssima”.

Para eles, investidores já haviam precificado positivamente nos papéis da empresa o plano da reestruturação, que culminaria na abertura de capital da JBS Foods International na Bolsa de Nova York (Nyse). Agora, no entanto, esse planos foram colocados em cheque, dizem os analistas.

“Acho que havia no mercado uma grande expectativa por essa reorganização. Era importante para destravar valores e possibilitaria captar recursos a taxas mais interessantes do que no Brasil”, disse Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos. Ele lembra também que o processo seria um aliado para a JBS mitigar os riscos atrelados às suas operações no Brasil, com a diversificação da atuação.

“Isso (a posição do BNDES) deixa a questão da governança absolutamente indefinida e a governança é fundamental”, avalia o economista-chefe da Nova Futura Corretora, Pedro Paulo Silveira. Ele afirma ainda que, por enquanto, não há o que falar sobre o futuro da empresa. Outro analista de mercado afirmou que aguarda mais informações sobre a posição do BNDES, a qual foi inesperada, em suas palavras.

Em maio deste ano, a JBS anunciou seu plano de reestruturação que envolve a criação da JBS Foods International, a ser listada na Bolsa de Nova York (Nyse) e na BM&FBovespa, por meio do programa de Brazilian Depositary Receipts (BDR). De acordo com a empresa, todos os negócios fora do Brasil e os negócios da Seara Alimentos seriam transferidos para a JBS International. Após a mudança, a JBS SA passaria a se chamar JBS Brasil, continuará com o controle dos negócios de carne bovina no Brasil, além da divisão global de couros.

A previsão inicial era a de que esta mudança fosse concluída no quarto trimestre deste ano. Na sequência deste anúncio, as ações da JBS dispararam e chegaram a acumular altas superiores a 37% em três pregões, revertendo, na época, a queda acumulada até então em 2016. O plano fez ainda com que bancos elevassem a recomendação para as ações do frigorífico.

Deste então, os papéis passaram por oscilações negativas, entre outros fatores, pressionados por apurações da Justiça e polícia brasileira que tangenciaram o universo da JBS, como a Operação Greenfield, que investiga a Eldorado Celulose – empresa que faz parte do mesmo grupo que o frigorífico, a controladora J&F. Por outro lado, a reestruturação sempre foi apontada como um suporte, reduzindo as perdas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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