Consumo Consciente através da Economia Compartilhada

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No meu último artigo abordei a questão do Brasileiro estar caminhando em direção do Consumo Consciente. A conclusão que SIM está, mas relacionada muito mais por uma necessidade do que por uma convicção. Ou seja, devido a crise financeira as pessoas passaram a consumir de maneira mais racional, mas ao mesmo tempo preocupadas com os gastos e a consequência foi um Consumo Mais Consciente pela DOR e não pelo AMOR.

Fazendo esse mesmo paralelo, também potencializado pelas novas tecnologias e pela evolução dos celulares inteligentes, nasceram depois da crise financeira imobiliária americana, reflexos em todo mundo da necessidade de uma economia circular e compartilhada. Assim nasceram UBER, Airbnb, Easy Taxi, 99 Taxi, Bla Bla Car, Strava, Dots, NetPoints etc. Empresas que procuram gerar vantagens financeiras para os usuários mas que acabam prestando um serviço muito interessante ao meio ambiente.

Segundos dados publicados na revista Exame, apenas um passageiro a mais num carro já economiza 17% de combustível que ele gastaria sozinho. É verdade que num primeiro momento pode até congestionar mais o transito, porque pessoas que usam transporte coletivo de má qualidade também estão migrando para UBER, Cabify e outros, mas aos poucos os proprietários de veículos vão percebendo que não justifica usar seu carro próprio, talvez até nem possuir um.

Porque nessa nova economia, o uso é mais importante que a posse. Por isso não podemos confundir de modo algum, Consumo Consciente ou Economia Circular, Economia Compartilhada, com sacrifícios pessoais e abrir mão de conforto e bens. Devemos entender Consumo Consciente como uma forma de garantir a elevação da Consciência dos Consumidores, para que não deixem de consumir, mas que escolham bem seus itens e serviços a serem consumidos, onde só o necessário deverá ser comprado e mesmo assim, se substitui algum item da sua casa ou do seu vestuário, faça o item velho, andar…economia circular é isso! Há quantos anos temos conhecimento dos famosos brechós? Há quantos anos eles de uma forma indireta pregam a economia circular? E as lojas de aluguel de roupas de festa? Muito pouco se pregou no passado o importante papel que esses negócios ofereciam de forma sustentável, sem nem pensar nisso. Mas porque não explorar mais então?

A Sodimac – mega loja de material de construção do grupo Falabella do Chile chegou oferecendo aluguel de equipamentos e ferramentas para pequenas e medias obras incluindo até o caminhão para transporte, se o usuário não tiver. Afinal quantas vezes em nossa vida fazemos uma obra civil. A estatística mostra que para o Brasileiro médio, apenas 2 vezes na vida temos contato com obras, seja para construir seja para reformar, então porque possuir as ferramentas e equipamentos? Quantas vezes na vida usamos uma furadeira, se não formos profissionais da marcenaria ou vivermos pregando quadros nas paredes?

Na revista de sustentabilidade do Estadão, tem um resumo da pesquisa Brasil Food Trends 2020 que identificou 5 tendências em consumo alimentar:

  • Sensorialidade e prazer: alimentos premium, étnicos e gourmet.
  • Conveniência e praticidade: pratos prontos (ready to eat, ready to go), produtos para micro ondas;
  • Saudabilidade e bem-estar: produtos light, produtos diet,
  • Confiabilidade e Qualidade: garantia de origem, rastreabilidade, selos de certificação.
  • Sustentabilidade e Ética: embalagens recicláveis, recomendações de conservação, consumo e descarte sustentável, uso das sobras, origens garantidas com certificação.

O envelhecimento da população o aumento da urbanização onde no Brasil já somos 88% de moradores das zonas urbanas, tem trazido também um desafio no estilo de vida das pessoas. Como garantir uma qualidade de vida mais justa para todos, se estamos transformando cidades em mega cidades, com cidades dentro delas. E aí temos o desafio de conseguir gerar empregos e lazer para toda essa população dentro dessas suas “cidades internas” às mega cidades, para diminuirmos sensivelmente o stress, a pegada de carbono e os riscos de acidentes de transito e consumo de combustíveis.

Por exemplo a Reserva – loja de roupas jovens para homens criada no Rio, lançou uma “loja nova” no Fashion Mall Shopping. E porque as aspas? Porque na verdade é uma loja virtual, uma loja de internet no mundo físico. Ela permite todo tipo de experimentação e interação com os tecidos, produtos, tamanhos, modelos, oferece toda a gama de produtos por categorias que a Reserva comercializa, incluindo além de sua marca própria as grandes parcerias que tem com New Balance, Vert e Moleskine, só para citar algumas.

Na loja, além de um atendimento diferenciado onde você é convidado a viver uma verdadeira experiência sensorial e de “tribo”, você tem lounge, lanchonete, geladeira de cerveja, pebolim, barbeiro etc. A única coisa que você não faz é levar a roupa que comprou para sua casa na hora. A Reserva, como um site de e-commerce, entrega sua compra no Rio em até 5 horas. A Diretoria da empresa acredita, que além da economia de carregar um estoque elevado, consegue atender toda a gama de produtos, com uma sensação de exclusividade permitindo ao Cliente continuar seu passeio no shopping, ir comer ou ao cinema sem carregar suas compras, além de uma potencial redução na pegada de carbono, ao evitar que volumes e volumes de roupas sejam transferidos para a loja física e depois os clientes as transfiram para as suas casas, pois a operação é reduzida a apenas um passo: da central de distribuição à casa do Cliente. Com isso a “loja nova” não é uma loja mas um Ponto de Encontro, conversas, troca de ideias e experiências, além de novas amizades.

Mas temos muito trabalho ainda pela frente…tudo começa pela educação do Brasileiro, que ele entenda a sua importância e responsabilidade em agir com mais consciência. Mas considerando todos os novos potenciais entrantes na Classe Média, ávidos por consumir, ainda vai levar um tempo. Com isso fica o convite para quem já está da classe media para cima para começar a mudar seus hábitos e pensar em consumir somente o necessário, com a responsabilidade de passar a diante o item que estará sendo substituído no guarda-roupas, por exemplo ou mandar consertar antes de comprar um novo. Se cada um de nós começarmos a fazer pequeno…nossas atitudes ecoarão para muitos outros que se sentirão impulsionados a consumirem de maneira sustentável também.

Então convido-os a uma reflexão: a lagarta e a borboleta são o mesmo individuo. Como lagarta consome tudo que vê pela frente com uma incrível voracidade, como se não existisse amanhã. Como borboleta consome somente o necessário para viver e ainda tem um dos mais relevantes papeis no meio ambiente: a Polinização.

Então convido-os a escolherem qual papel vocês vão desempenhar durante a sua trajetória no mundo: Consumir tudo como uma Lagarta? Ou consumir o necessário e fazer a sua parte na polinização do planeta através do bom exemplo aos seus amigos e parentes?

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