São muitas emoções

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Definitivamente ninguém pode reclamar de falta de emoção no momento atual do mercado e do Brasil.

É uma sucessão de fatos, propostas, discussões e decisões que tornam nosso dia a dia uma espiral de emoções.

Elas têm origem no mercado internacional, com Trump, Brexit, Venezuela e assemelhados e são potencializadas no ambiente interno pelas propostas de reformas e o jogo de poder envolvendo suas discussões e aprovações.

Mas estamos avançando positivamente, não se pode negar, e a confiança do consumidor e a redução da inflação são possivelmente os melhores indicadores dessa evolução, que já traz resultados na melhoria do consumo e das vendas do varejo, ainda que sobressaltados pelo indicador oficial de desemprego que atingiu mais de 13 milhões de pessoas e mais de 13% da população. O número 13 definitivamente conspira contra neste momento.

Em termos de evolução das vendas do varejo, com base nos números oficiais  divulgados pela PMC, que são de Janeiro, a queda sobre o mesmo período do ano passado de 5,9% mostra um descasamento entre os dados gerais do país comparado com as empresas de maior porte, sinalizando um processo de concentração de mercado. Mas tudo indica que o índice negativo deverá, cautelosamente, migrar para positivo nos próximos trimestres.

De fato quando comparamos os dados de associações como o IDV, que reúne perto de 60 das mais estruturadas organizações de varejo do país, os números se mostram diferentes, com melhor desempenho dessas em relação ao todo do mercado, pois essas continuam investindo em expansão através de diversos canais de vendas e com isso têm vendas maiores que a média geral do mercado.

 

As reformas

Não existe hoje tema mais relevante para o futuro do país que a evolução das reformas com a ambição estratégica que é preciso imprimir em sua implementação.

A evolução na questão do déficit fiscal com a recente a aprovação da terceirização e o que mais está sendo considerado no âmbito das reformas previdenciária e trabalhista, sinalizam perspectivas positivas para o futuro próximo e podem transformar radicalmente o ambiente de negócios.

A sua perspectiva já contribui fortemente para o atual clima de distensão que estamos vivendo, apenas contida pela inconsequencia de propostas envolvendo aumento de impostos. Isso é brincar com fogo.

Mas é preciso levar adiante o que precisa ser feito, sem tibieza ou recuos, pois estamos decidindo o que será o país nos próximos anos e o lugar na História de quem pode transformar o futuro. E isso não permite concessões.

Mas é preciso ampliar ainda mais o arco de transformação estrutural.

Com um amplo programa de desburocratização para modernizar e destruir esse vínculo do passado ligado ao travamento de tudo que é possível para sustentar uma máquina pública ineficiente e retrógrada.

Mais uma reforma tributária que gradativamente se comprometa com a redução da insustentável carga hoje incidente e que, importante, simplifique o que já foi chamado “manicomio tributário” que temos no país.

Da mesma forma está muito atrasada a reforma política, que faz brotar partidos como se fossem clubes de várzea para aproveitarem benesses criadas por governos do passado, envolvendo fundo partidário, tempo na midia e outros benefícios, suportados de forma magnanima pelo Estado que só faz repassar a conta para a população por uma estrutura tributária absolutamente insustentável.

 

Reforma do Sistema Sindical

A lógica perversa do passado não se sustenta mais.

A ideia que seria possível um crescimento permanente do Estado ampliando sua atuação ineficiente, direta ou indiretamente, e passando a conta para o setor privado não tem como prosseguir.

E nisso é preciso decisão para revogação.

Nessa lógica, outras das áreas que deveríamos olhar com muito mais atenção é a necessidade de uma ampla e irrestrita reforma no sistema sindical brasileiro por ser antigo, defasado, retrógrado e definitivamente totalmente desalinhado com a moderna economia.

Os bilhões arrecadados de empregados e empregadores sustentam uma estrutura que se mostra incapaz de acompanhar as transformações que aconteceram no mundo e no Brasil e são, em muitos casos, geridas por dirigentes que estão há mais de 30 anos à frente de entidades sindicais que se multiplicam.

Defitivamente o número de sindicatos que temos no Brasil não faz o menor sentido e sua multiplicação tem a ver diretamente com artifícios utilizados para manter essa estrutura de poder.

Será preciso muita ousadia, decisão e convicção para levar adiante também essa reforma. Mas ela é imperativa no quadro futuro.

O lado emocionante do que estamos vivendo é que temos a chance de sermos protagonistas nesse processo. Sairmos das sombras e do diletantismo das discussões de bares e encontros sociais para a ação decidida em busca das mudanças que o Brasil precisa.

Está em cada um de nós decidir se queremos simplesmente viver a emoção do momento como espectador ou assumir responsabilidades adicionais na transformação e modernização do Brasil.

É uma decisão eminentemente pessoal.

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