Realidade Virtual e Aumentada mudam a loja física

1992
[tempo para leitura: 4 minutos]

As novas Realidades Virtual (RV) e Aumentada (RA) vão colocar mais alternativas para reconfigurar a loja física num cenário de crescente expansão do varejo digital.

É reconhecido em todo o mundo que o canal digital tem mostrado velocidade de crescimento bastante superior a todas as outras alternativas de canais, especialmente as lojas físicas. Segundo o Statista, em 2016, ele representava 8,6% do varejo global, já neste ano, 2018, deverá alcançar 11,9% e poderá atingir 17,5% em 2021.

Sua participação é crescente em praticamente todos os mercados e teria atingido em 2017, dependendo da fonte de informação, perto de 23% na China, 9% nos Estados Unidos, 19% na Inglaterra, 16% na Coréia, 8% na Alemanha e 7,4% no Japão.

No Brasil, sua participação, por essa fonte, seria de 2,7%, mas, pelas estatísticas locais, esse número se aproxima dos 4%.

E é conhecido o fato de que, como resultado desse cenário, está havendo forte declínio no tráfego de lojas e shopping centers. Isso acontece em parte pelo crescimento das vendas por meio do e-commerce e em parte porque os omniconsumidores estão se organizando e se antecipando na busca de informações na internet quando optam por irem a uma loja física, reduzindo o número de pontos de venda visitados a cada deslocamento. Nos EUA, aproximadamente 50% das vendas de produtos no varejo físico foram influenciadas pelas consultas na internet.

Como resultado desse cenário, mais e mais atenção tem sido dedicada à reinvenção da loja física para enfrentar o desafio e incorporar as oportunidades geradas pela digitalização no comportamento dos omniconsumidores.

Uma das frentes com maior potencial presente e futuro envolve a incorporação da Realidade Virtual e da Realidade Aumentada no conjunto das experiências possíveis nas lojas re-inventadas.

MUITA CALMA NESSA HORA

O que mais temos visto nessas áreas, até o momento, envolve novas alternativas de apresentação de produtos e serviços e sua ambientação para proporcionar uma percepção mais imersiva aos omniconsumidores.

O apartamento decorado, a casa com pisos, revestimentos ou pinturas simuladas, o móvel imaginado com seus módulos e alternativas combinados, os acabamentos possíveis e muito mais, porém, sempre gravitando numa nova forma inovadora de apresentar o que se oferece para facilitar a escolha.

Mas pouco ou nada tem sido mostrado envolvendo a experiência em Realidade Virtual ou Aumentada de forma holística, ou seja, envolvendo todos os elementos da oferta convergindo na sua proposta de criar uma nova opção de venda.

Como deve ser o comportamento do vendedor ou técnico no momento da oferta para o consumidor?

Como apresentar os benefícios de forma customizada?

Como enriquecer a experiência visual proporcionada pela RV ou RA combinada com sons, cheiros, sensações físicas como calor, frio, vento ou outras?

Como mostrar preços e condições dentro do ambiente de RV e RA?

Como conduzir o processo de fechamento da venda nessas circunstâncias?

Como interagir com o consumidor em seu processo de imersão na RV?

Como definir as questões de montagem ou instalação, quando for o caso?

Como apresentar e direcionar as opções de entrega após a definição de compra?

Como encaminhar os aspectos ligados ao crédito dentro desse novo processo?

Como acrescentar serviços que possam ser comprados junto com os produtos nesse novo cenário?

Isso tudo só para listar algumas das questões a serem respondidas, ou melhor, repensadas para combinar os novos recursos que são disponibilizados e a realidade hoje existente.

Seguramente muito mais terá que ser aprendido nesse processo.

Como os diferentes segmentos sócioeconômicos e regionais, em termos de idade, sexo, classe social, para falarmos os básicos, reagirão a essa nova combinação?

Como mudará o design das lojas com essa incorporação?

Será melhor termos vendedores ou consultores que incorporarão competências técnicas para operar os equipamentos de forma amigável para os consumidores ou será melhor desenvolver competências de relacionamento e vendas para os técnicos que já dominam os equipamentos?

Os diferentes segmentos de omniconsumidores irão preferir experiências individuais ou coletivas usando RV e RA quando nas lojas e nos shoppings?

Será mais fácil ou mais difícil vender solução ao invés de apenas produtos?

Estamos definitivamente entrando num outro ambiente que envolverá profunda transformação no varejo, nas lojas e shoppings como hoje conhecemos, algo muito similar, em termos de momento e perspectivas, àquele período que antecedeu a massificação do canal e-commerce em termos de mudanças, monitoramento e desempenho.

Da mesma forma que no e-commerce, esse canal e esses recursos podem oferecer um incrível arsenal de possibilidades para acompanhar e conhecer tudo que envolve o comportamento dos omniconsumidores, seu desempenho, taxas de conversão, tempo de visitas, mensuração de reações, retorno de investimento e muito mais. São elementos que se tornam fundamentais para acompanhar sua evolução de forma contínua num processo de aprendizado permanente.

O que é inegável é que o canal loja, com a incorporação de RV e RA, viverá ampla e dramática mudança.

E muito, muito mais irá acontecer com o VR-Commerce, quando essas opções estiverem disponíveis nos escritórios, academias, nos centros administrativos, hospitais, aeroportos, estações rodoferroviárias ou outros espaços comerciais. E muito, especialmente, nas residências.

Vale a pena pensar e imaginar. E se movimentar. Só não pode ignorar.

 

Nota:

Entre os dias 28 e 30 de agosto, no Latam Retail Show, no Expo Center Norte, em São Paulo serão apresentadas as perspectivas de curto, médio e longo prazos que irão impactar os diversos canais de vendas e relacionamento no Brasil, na América Latina e no mundo, pela visão e contribuições de mais de 160 palestrantes e debatedores, líderes que inspiram líderes, em diversos painéis com a visão da transformação que RV e RA irão precipitar.

*Imagem reprodução

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