A concorrência é transversal porque afinal o consumidor é único. Ou vice-versa

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Quando discutimos a realidade dos mercados de varejo e consumo em termos globais, todas as separações envolvendo segmentos, categorias e modelos de negócios perdem seu valor individualmente, pois, em termos racionais e emocionais, o consumidor é único.

Ninguém acorda de manhã se propondo a comprar algo numa franquia ou numa loja de rede corporativa. Em termos objetivos, o momento, as experiências, percepções e as circunstâncias definem se o consumidor vai comprar num supermercado, num hipermercado, no atacarejo, numa soft discount, numa loja de vizinhança, no hard discount ou numa loja de conveniência. Ou num site.

Se vai preferir procurar e conhecer sobre um produto ou marca na internet e comprar no e-commerce do fabricante, ou numa das lojas virtuais, ou mesmo físicas de algum varejista especializado no produto.

Se vai optar por uma marca nacional líder naquela categoria ou vai preferir a opção de preço médio, menos charmosa e conhecida, ou então vai optar pela marca “low entry”, com o menor preço da categoria. Ou ainda, se vai preferir a marca exclusiva ou a marca própria daquela rede.

E se preferir a marca própria da rede de varejo, terá que escolher entre as diversas alternativas disponíveis de preço.

Se vai preferir um fast food, um casual dining, uma padaria, um restaurante mais tradicional ou por quilo na hora do almoço.

Ou ainda pode pedir o lanche pelo aplicativo especializado ou diretamente da rede de food service. Além da possibilidade de passar numa conveniência e pegar uma opção “grab and go”.

Se vai preferir comprar do site local de uma rede de varejo com garantia de qualidade, parcelamento e facilidade de retorno, ou no marketplace de um “pure player”. Ou da rede internacional de varejo que entrega no Brasil ou mesmo do site chinês, sem nenhuma loja, com a proposta básica do menor preço, porém com prazo de entrega mais longo para um produto sem marca.

Se suas férias serão compradas num pacote de uma operadora, vendido por uma agencia de viagens, ou se irá comprar o bilhete diretamente da companhia aérea, os transfers e o hotel diretamente da rede hoteleira, os passeios de um fornecedor local e o aluguel do carro da empresa especializada.

Cada uma das inúmeras alternativas está associada com sua percepção de valor e custo, considerando os benefícios, facilidade e conveniência. É crescente o desafio da escolha, que se altera a cada momento a partir dos diferentes níveis de experiência e informação do consumidor, permanentemente atualizadas pelas mais diversas formas e combinadas de múltiplas maneiras no processo decisório.

A isso nos referimos quando destacamos a volatilidade dos mercados e a potencialização da competitividade.

O fato é que as opções disponíveis para os consumidores se multiplicaram e continuam a crescer, e todas disputam com todas, o tempo todo.

Cada alternativa busca atender com a melhor combinação de benefícios percebidos pelos consumidores e, fundamentalmente, com o melhor resultado para os próprios negócios, tornando a concorrência exponencial e transversal, ou seja, atravessa todos os canais, formatos, categorias, departamentos e modelos de negócio.

No epicentro de tudo está o mesmo omniconsumidor, cada vez mais influenciado pelas múltiplas realidades, com uma só combinação de coração, mente e bolso, e que se divide entre todas as opções existentes e opta a partir de uma miríade de fatores que influenciam sua decisão.

Essa transversalidade concorrencial e competitiva é um dos elementos mais essenciais do macro cenário que influencia o presente e o futuro do varejo, e fator cada vez mais relevante em toda a análise estratégica que se faça entre os conceitos, marcas, produtos, formatos, canais, categorias e modelos de negócio presentes no mercado.

Sempre que analisamos perspectivas para cada um dos elementos que compõe o ecossistema do comércio, consumo e varejo temos que levar em conta, essa multiplicidade de alternativas para a unicidade da combinação de coração, mente e bolso dos consumidores.

Tão simples assim.

 

Nota:

Conheçam melhor todo esse processo de transformação de mercado participando do Latam Retail Show de 28 a 30 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento envolve varejo, atacarejo, e-commerce, foodservice, franquias e shopping centers, tudo junto e analisado, porque, afinal, o consumidor é único e a concorrência, transversal.

*Imagem reprodução

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