O X da questão na China

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Hoje são 800 milhões de usuários de internet na China, numa população de 1,4 bilhão de pessoas, com nível crescente de urbanização que já chega a 60%. E 98% dos internautas chineses o fazem por meio de celulares.

A China é líder mundial em transações financeiras por smartphones, muito à frente dos Estados Unidos ou de qualquer outro país. Os dados disponíveis mostram que 36% dos pagamentos de transações comerciais na China são por celulares, enquanto nos Estados Unidos são apenas 15%.

Para completar e destacar as diferenças: 93% de todas as transações de pagamentos móveis na China trafegam por Ali Pay ou We Chat Pay. E o e-commerce significa em torno de 24% de todo o varejo, o maior percentual no mundo atual.

Ou seja, essas duas plataformas, Ali Pay e We Chat Pay, têm o controle virtual do sistema de pagamentos digitais na China e usam de forma estratégica as informações relativas aos e-consumidores, incluindo seus hábitos e preferências, tendências e previsões, bem como os “analytics” dos vendedores para criar uma vantagem estratégica dificilmente superável por qualquer outro concorrente, especialmente num mercado semiaberto e controlado.

Apenas um varejista, a Wu-Mart, tem plataforma própria de pagamento digital, tentando se diferenciar num mercado dominado pelas outras duas dominantes.

Esse é o X da questão da China e sinaliza a perspectiva futura e potencial desse quadro para outros mercados do mundo onde os chineses estão concentrando sua expansão. Incluindo o Brasil, onde Alibaba, Tencent, Didi e Fosun têm feito investimentos diretos em negócios financeiros ou de consumo.

Nos Estados Unidos, Brasil, França, Inglaterra, Espanha e a maioria dos países desenvolvidos, os meios de pagamentos transitam entre dinheiro, cartões de crédito e débito, cheques e outras formas, incluindo o e-payment mobile, reconhecimento facial e outros, num processo evolutivo limitado pela questão da infraestrutura tecnológica e os hábitos arraigados.

Na China, houve um salto estratégico e tecnológico, o chamado efeito “leapfroging”, e o e-payment tornou-se rapidamente dominante e isso tem um efeito transformador do mercado jamais visto anteriormente.

A concentração em dois players integrados aos ecossistemas de negócios possibilita embarcar muitos outros benefícios para consumidores nos aplicativos de pagamentos, tais como programas de fidelidade, promoções, seguros, assistência, saúde e muito mais, reforçando o posicionamento e a vantagem competitiva.  E isso faz toda a diferença.

E no Brasil

Os sistemas mobile de pagamentos no Brasil, assim como na esmagadora maioria de mercados do mundo, são ainda incipientes.

Temos vários operadores que oferecem a tecnologia que, definitivamente, não é a principal barreira de entrada. A questão de preservação de mercado dos mecanismos de pagamentos existentes e os hábitos dos consumidores são os principais elementos a retardar a evolução, inevitável, dessa modalidade.

Ela será dominante em algum momento futuro.

Para todos que atuam nos setores financeiros e de consumo, reconhecer como se reposicionar nesse cenário emergente é, talvez, a pergunta que vale muito mais de US$ 1 bilhão, a tomar por base o que acontece na China.

 

Nota:

Este artigo encerra a série sobre realidade e potencial do mercado da China onde analisamos a transformação do mercado a partir de nosso projeto “Ignition 360°” que envolveu visitas de estudos, relacionamento e negócios às cidades de Beijing, Shangai, Shenzen, Hanghzou e Hong Kong, em outubro deste ano. Um documento consolidando números e análises será em breve disponibilizado e, se tiver interesse em receber, escreva para nós no e-mail: mgsouza@gsmd.com.br

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