O caminho da disrupção

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Disruptivo. Uma palavra que provavelmente você deve ter ouvido muito nos últimos dois anos, principalmente se estiver em alguma área ligada à inovação ou tecnologia.

Eu particularmente não gosto do termo. Sempre achei que paira um tom de anarquia na questão da disrupção que me incomoda. Quebrar padrões é interessante e até mesmo essencial, para algum verdadeiro progresso, mas, em alguns casos, há uma linha tênue entre a evolução e o caos, que acredito perigosa.

Porém, um dos aspectos que mais me chamou a atenção nas tecnologias que conseguiram, de alguma forma, se tornarem disruptivas, foi sua fórmula diferente para ganhar mercado e escalabilidade.

Muito do que sempre foi pensado em termos de tecnologia foi criado para ser usado, primeiramente, por uma pequena parcela de pessoas, com características diversas, de acordo com o produto ou serviço que estava sendo oferecido. Os antes chamados opinion leaders, e hoje tratados de alguma forma como os “influencers” (influenciadores) do mercado, deveriam ser os primeiros a se tornarem algo como embaixadores da marca, e assim, carregar mais pessoas que tenham os hábitos e produtos preferidos desses influenciadores como modelos para si mesmos. Se meu ídolo usa, eu uso.

Esse é o velho e bom modelo da propaganda, usado há décadas, estampado com cowboys vendendo cigarros e ídolos da música pop vendendo refrigerantes. Passou-se o tempo, algumas mídias se tornaram mais protagonistas do que outras (algumas nem existiam, como as redes sociais), mas pouco se evoluiu nessa conversa.

Espanta-nos os modelos de adoção e crescimento de uma solução de forma tão pulverizada como o wechat na China, onde se pode comprar de tudo, até mesmo algo como comida de rua, além de ser usada para uma série de outras funções no dia-a-dia, em um modelo que parece ser difícil de ser copiado. Todo meio de pagamento tem como utopia alcançar o mesmo patamar.

Mas como isso se deu? Por que algo como o tal bitcoin, com um apelo internacional muito maior, não conseguiu o mesmo resultado?

Vejo que o maior fator de sucesso para uma plataforma como o wechat ter conquistado a “pulverização” seja o que eu chamo de “carona digital”, usando uma plataforma que já havia sido disseminada e pulverizada como meio de comunicação (similar ao WhatsApp por aqui), para uma possibilidade de pagamento que não havia sido primeiramente planejada. De uma coisa para outra, a plataforma já estava nas mãos do consumidor, era só ensiná-lo a usar.

No caso do bitcoin, muitas redes de varejo tenham buscado oferecer de alguma maneira modos de aceitar o novo meio de pagamento/moeda, seja pela intenção de se manter ligada no mercado, ou de maneira mais simples, apenas gerar buzz.

Fato é que uma das maiores queixas é que os gigantes do e-commerce, como Amazon, não aderiram à moeda, e, com poucas opções interessantes de uso, a moeda pouco rodava no final do dia. No caso, a Amazon seria “o grande influenciador” desse mercado.

Em uma ideia utópica, se o uso tivesse sido iniciado a partir de outro modelo de crescimento, como o turismo, por exemplo, talvez as criptomoedas como o bitcoin poderiam ter sido utilizadas de maneira mais dinâmica e em maior escala. Imagine usar a mesma moeda, considerando as diferenças de cambio entre um país e outro, como moeda de pagamento para restaurantes, hotéis e serviços ligados ao turismo? Sem a necessidade de outras moedas, se tornando uma moeda oficial de turismo, poderia ter crescido e sido adotada rapidamente em escala global. Aí sim, teríamos algo que interessaria aos gigantes do e-commerce que não aderiram até hoje.

Ainda faltam mais exemplos para se corroborar com certeza essa tese, e o papel dos opinion leaders ou influenciadores ainda se faz útil na criação de desejo e identidade entre produtos e seus consumidores. Porém, será cada vez mais importante encontrar novos caminhos, pois, se, no passado, era algo simples definir um líder de opinião ou pessoa relevante para falar sobre alguma novidade da marca, as opções de escolha hoje soam como centenas de milhares de vezes maiores do que no passado. Buscar influenciadores para sua marca se torna cada vez mais custoso e gera cada vez menos resultados.

Encontrar algo disseminado, onde sua marca possa criar algum novo produto ou serviços, pode ser a alternativa de crescimento que você esteja buscando.

* Imagem reprodução

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