As cartas estão na mesa

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O presidente eleito, os ministros escolhidos, em quase todos os casos o reconhecimento de que se trata de uma equipe ministerial de primeira grandeza.

O Congresso renovado, o presidente do Congresso eleito e alinhado e, finalmente, depois de cenas que tangenciaram um espetáculo circense, o presidente do Senado também eleito, em discurso, se mostrou orientado para o compromisso de contribuir para a solução dos grandes temas nacionais.

Fosse futebol e usando a expressão-chavão, seria: a bola começa a rolar.

Mas é um jogo diferente e o cacife é o presente e o futuro de uma nação. As cartas estão na mesa !

E o jogo começa com envolvimento e interação dos assistentes-cidadãos como jamais se viu antes.

Já havíamos assistido esse envolvimento nas eleições presidenciais, onde a força da voz digital foi decisiva no resultado final.

E voltamos a assistir agora na eleição do presidente do Senado quando houve mobilização digital sem precedentes via redes sociais, com envolvimento na forma de declaração de voto e na pressão pelo não continuísmo que levou à retirada da candidatura do ex-longevo presidente do Senado e impactou na decisão do voto dos senadores.

Toda a sequência da eleição no sábado e no domingo no Senado, depois do Congresso na sexta-feira, foi acompanhada com um nível de interesse e envolvimento como há alguns anos não seria sequer possível imaginar.

Sinal muito positivo da mudança que se instaurou na sociedade.

As cartas estão na mesa.

Para muitos pode até haver dúvidas sobre o jogo a ser jogado. Ele está muito mudado.

Quem imaginar que vai poder jogar como no passado, vai ser posto para fora do jogo sem sequer perceber. As recentes eleições para deputados e senadores já deixaram isso claro.

Os governantes, Congresso, Senado e Assembleias precisam ter nítido que, finalmente, estamos vivendo um novo tempo, redesenhado a partir do envolvimento e interação proporcionados pelas redes sociais e, principalmente, pela insatisfação e repúdio com o que tivemos no passado recente.

As próximas jogadas

É um jogo com muitas alternativas e possibilidades. Com muito por fazer e ser feito. Com uma enorme carteira de demandas, resultado também da omissão e desvios do passado.

Mas é preciso ser coerente e consistente na escolha das prioridades.

E a primeira, sobrepondo-se a qualquer outra, é a questão da Reforma Previdenciária. A mãe de todas as reformas.

Importante e inadiável por si só, mas também fundamental para sinalizar a capacidade de articulação e determinação para levar adiante o que precisa ser feito. Sem transigência e envolvendo todos os setores, especialmente o setor público e, em particular, os militares.

Será a prova definitiva que vai ser feito o que precisa ser feito.

O lado positivo é que, levada adiante e realizada como se espera e precisa ser feito, os benefícios transcendem em muito à solução do grave problema do déficit fiscal.

Será atestado claro e suficiente o compromisso com o longo prazo, com a capacidade de condução do processo e que irá gerar investimentos diretos externos e internos de magnitude,  contribuindo para a continuidade da recuperação do emprego, da renda e, principalmente, da confiança empresarial e dos consumidores.

No mapa global está claro um cenário de redução de crescimento nas maiores economias, maduras ou emergentes, em alguns casos com um quadro estrutural desanimador. Vide Inglaterra, Itália, França e algumas outras economias maduras.

Um excepcional momento para o Brasil apresentar-se renovado politicamente, estruturado e orientado para um projeto de longo prazo, especialmente pautado pela proposta liberal. A conjunção de fatores não poderia soar mais positiva.

Não podemos perder essa oportunidade que os astros geo-econômicos e políticos novamente nos oferecem.

As cartas estão na mesa e o jogo começa a ser jogado com a audiência mais comprometida do que nunca em acompanhar e cobrar quem foi eleito para cumprir o mandato.

Diferente do governo passado, o Congresso, o Senado e as Assembleias não têm o mandato para cuidar de pauta própria. A pauta foi eleita junto com os eleitos e será acompanhada e cobrada de forma jamais imaginada.

Será um grande erro subestimar a dimensão da transformação que estamos vivendo no Brasil.

 

Nota:

Com essas diferentes perspectivas participamos com uma delegação de mais de 230 dirigentes e executivos dos setores de varejo e consumo do Brasil da NRF- Show em Nova Iorque, no período de 12 a 16 de janeiro, pesquisando e avaliando os cenários e seus impactos em outros mercados.

No período de fevereiro a março vamos mostrar o que de mais importante pode ser apreendido num circuito de eventos em diversas capitais no Retail Trends – O melhor do pós NRF.

Esse trabalho será resultado da pesquisa em mais de 300 lojas e conceitos, das 38 horas de visitas e wrap ups do grupo que participou da Pré-NRF e de toda a atuação de nosso time no período da NRF, com cobertura de tudo que aconteceu de mais importante no evento, reunindo mais de 30 profissionais, diretamente de NY, envolvidos nesse processo.

Culminando com o RES nosso evento em NY, um dia depois do término da NRF e que contou com a presença do CEO Global da JBS, da Amazon, da Saint Gobain, da Ambev-Inbev, da Box 1824, de estudantes brasileiros de Harvard, do Consul Geral de Israel em Nova Iorque, da jornalista Sandra Coutinho, de Antonio Carlos Piponzi do lDV e Raia-Drogasil, de Flávio Rocha da Riachuelo e Luiza Helena, e do envolvimento pessoal e decisivo da audiência participando com perguntas e comentários em todo o debate.

Importante lembrar que no evento deste ano da NRF participaram 1700 brasileiros, a maior delegação internacional do evento, com um crescimento de 13% sobre o ano anterior.

*Imagem reprodução

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