CEO da Box 1824 fala sobre a evolução do consumidor durante Retail Trends SP

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Rony Rodrigues, fundador e CEO da Box 1824, empresa de pesquisa de tendências de consumo, participou do Retail Trends – Pós NRF 2019, realizado pelo grupo GS& Gouvêa de Souza. Ele realizou a palestra “Geração Z – Um estudo sobre os hábitos de consumo da nova geração”, sobre o comportamento das novas gerações.

“Os mais jovens querem muitas coisas, querem dirigir, beber. Eles são aspiracionais e servem de inspiração para os mais velhos”, explicou Rodrigues.

É importante perceber que os jovens de hoje são diferentes dos de antigamente. “Os baby boomers, nascidos nos anos 50, após a Segunda Guerra Mundial. O grande diferencial dela é a carteira de identidade, o direito de ir e vir. Eles foram para os centros acadêmicos, para o mercado de trabalho. Eles ficavam com seu próprio documento e com as chaves de casa”, disse Rony.

A geração X desejava ficar rica. “Queriam entrar no mundo corporativo e ter a chave do quarto. Meu pai que é baby boomer me falou “olha, na minha época não tinha nem a chave de casa, quanto mais a do quarto”, contou o executivo.

A geração Y e os millenials foram a primeira a ter computador. “Ela aprendeu a ler ao mesmo tempo em que aprendeu a usar a internet”. Essa geração não liga para marcas. “Eles sempre foram ‘no logo’. Tem uma relação muito mais complexa com as marcas”, disse.

A geração Z passou por um processo completamente diferente. “Eles já nasceram com o mobile. Estão conectados antes de aprender a ler”. Eles estão acostumados com uma comunicação não linear. Isso influencia o varejo porque a jornada do consumidor sempre foi linear. Agora não é mais assim. O consumidor pode pesquisar online, comprar no físico, fazer tudo no online.

“Uma das grandes revoluções foi a era da informação. Era quando rezávamos para receber um e-mail”, brincou Rony. Nesta época, as pessoas tinham medo de expor suas identidades e informações, tanto que usavam nicknames, apelidos virtuais. “As compras eram por impulso e a exposição era o importante. Não podia ter nem produtos nem informações demais”, falou.

Depois veio a era do social networking, com as primeiras redes sociais e a possibilidade de se conectar com milhares de pessoas. “Aqui passamos a usar nossos nomes reais e a nos relacionar dentro da rede. A compra vira pesquisa. Surgem milhões de ferramentas para isso. Falamos com nossos contatos para escolher. A experiência ganha importância e o ponto de venda vira o Playground, um espaço para interagir. Um exemplo é a loja da Samsung, que você pode fazer tudo, mas não comprar produtos”, falou Rony.

“Agora estamos na hiperconectividade. É a era dos memes. É uma linguagem hipercognitiva, as pessoas criam a própria linguagem com as suas experiências. A compra é focada na intimidade, preciso antecipar os desejos do meu consumidor, preciso criar essa intimidade”, resumiu Rodrigues. Outras características são a hiper-conveniência, na facilidade para comprar. Além disso, há a importância da rede, das empresas se relacionarem com a comunidade e o local onde está inserida. As lojas têm que oferecer Learning e Entertainment. O cliente quer ir comprar e aprender alguma coisa na loja, além de se divertir.

Para o executivo, estas diferenças da geração Z criam um abismo geracional. As gerações anteriores gostavam de se definir. Já os jovens de hoje acham importante não se definir, serem fieis aos próprios valores. Além disso, ela é Comuna Holic, ou seja, reúne diversas características, mesmo que se contradigam entre si. Participam de várias comunidades e valorizam demais esta integração. “São Dialoguers, adoram bater papo, dialogar, conversar. É a geração feedback”, brincou Rodrigues.

A última característica é que são extremamente realistas. “Querem carteira assinada, trabalhar. São responsáveis e sabem que precisam poupar. São muito autodidatas”, explicou o executivo.

A Geração Z valoriza a verdade, quer uma relação honesta com as empresas. “Gostam de marcas, ao contrário dos millenials. Mas enxergam como uma pessoa. Quer que as empresas dialoguem com eles. Se entram em contato com uma marca e ela não responde ou atende de forma corporativa, eles se afastam”, disse Rony.

 

* Imagem: Rodrigo Augusto

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