Que palmas foram essas?

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Ministro Sérgio Moro em Evento Retail Trends Pós NRF em São Paulo
Ministro Sérgio Moro em Evento Retail Trends Pós NRF em São Paulo
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Quase mil pessoas, líderes do setor de varejo e consumo que participavam do Pós NRF – Retail Tends em São Paulo na última quinta-feira (7/2), aplaudiram de pé, por longo tempo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Era o momento final do Pós NRF – Retail Trends São Paulo nesta semana, quando houve a entrega do Prêmio Personalidade do Ano Retail Executive Summit ao ministro.

Logo após a explicação do porque o ex-juiz recebia o prêmio, de forma espontânea, os participantes do evento ficaram de pé e aplaudiram o ministro.

E assim permaneceram, de pé, por todo o tempo que o ministro falou sobre seus planos, incluindo o recém-lançado projeto contra o crime.

Predominavam dirigentes, executivos, profissionais e empresários atuando nos setores convergentes de varejo e consumo, portanto incluindo shoppings centers, franquias, foodservice, lojas, e-commerce, e seus fornecedores de produtos, soluções e serviços e, portanto, não aplaudiam o juiz ou o ministro baseados em seus pareceres jurídicos.

Aplaudiam o homem que na condição de juiz resgatou a crença na atuação do Judiciário para julgar e condenar empresários, funcionários e dirigentes de empresas públicas e privadas, políticos de todos os escalões e mais deputados e governadores que, num incorreto senso de impunidade, agiam de forma corrupta.

Aplaudiam um juiz que ajudou decisivamente no processo de resgatar no Brasil a crença que a corrupção, do lado do corrupto e do corruptor, é crime e quem comete será investigado, julgado, condenado e cumprirá pena. Algo que não acontecia na forma como deveria no Brasil.

Aplaudiam o juiz que optou por abandonar a carreira da magistratura, duramente conquistada em concursos e uma vida repleta de sacrifícios, para na condição de ministro de um governo que se inicia, encarar as dificuldades envolvidas nas áreas críticas da Justiça e da Segurança Pública.

Aplaudiam e ouviam de pé, respeitosamente, alguém que sendo juiz de uma instância inferior, por seus atos, atitudes, perseverança e postura, tornou-se um herói nacional, dos poucos que temos nas décadas recentes, por cumprir corretamente seu dever e resgatar a esperança de milhões de brasileiros de que o país pode ser melhor e mais ético.

Tão simples assim.

Não deixa de ser emblemático o momento de um país quando um servidor público se torna herói nacional, e é reconhecido, por cumprir rigorosamente seus deveres!

E é mais emblemático ainda quando um ministro da Justiça é ovacionado de pé. Quantos dos últimos dez ministros da Justiça você se lembra o nome deles?

Aplaudiam e o ouviam de pé, fotografavam o ex-juiz e atual ministro, sinalizando para o próprio ministro, que os setores que ali estavam presentes apoiam e querem esse outro país que parece emergir nas transformações estruturais, éticas, sociais e econômicas que foram eleitas junto com os candidatos nas últimas eleições.

Não foi apenas uma homenagem ao ex-juiz e atual ministro. Foi, de fato e mais do que tudo, uma clara e direta, mensagem de que a sociedade quer esse outro Brasil prometido durante o processo eleitoral. E saberá reconhecer os que ajudarem a reconstruí-lo.

Em especial para o setor amplo de varejo, essa perspectiva é fundamental.

O setor é o maior empregador privado do país e seguramente um dos mais competitivos. Tanto assim que grandes grupos internacionais, líderes globais em diversos segmentos, tiveram dificuldades em operar no país e saíram. E não foram poucos.

Nunca teve restrição ou proteção de território ou área, como em alguns outros setores econômicos. Nunca teve programa de incentivos fiscais, desonerações ou estímulos para sobreviver.

Conviveu por muitos anos com as agruras do mercado fechado que limitava a oferta de produtos, marcas e serviços. Convive com o custo e a limitação do crédito ao consumo concentrado em poucas instituições financeiras.

É provavelmente o mais aberto e competitivo dos setores econômicos pois, como destacamos para o ministro, é julgado a cada instante, pelo consumidor, um juiz tão rigoroso como foi o juiz Moro, que avalia a todo momento a oferta de produtos, preços, condições e serviços, e decide onde vai comprar, num cenário de crescente oferta.

Mas que naquele momento, através das palmas, homenageou um daqueles que demonstra que é possível mudar fazendo a coisa certa, no momento certo, orientado por ideais maiores que envolvem ética, justiça e cidadania.

Não é difícil de explicar e interpretar o que aconteceu, mas é, sem dúvida, algo para todos refletirmos e avaliarmos.

Quando um ministro da Justiça e Segurança Pública é aplaudido de pé pelas lideranças de um setor altamente competitivo, como é o varejo, forjado na economia de livre mercado, algo está mudando no Brasil. E merece ser considerado.

Nota Pessoal. O momento da entrega desse prêmio ao ministro Moro foi particularmente importante pela responsabilidade de, naquele momento, representarmos todo o setor de varejo.

Mas em termos pessoais tinha também um outro significado ligado ao resgate da crença na Justiça.

Como filho de um ex-promotor público que na sua carreira passou por várias cidades de diferentes portes no interior do Estado de São Paulo, até chegar à capital, pude acompanhar de perto as dificuldades e desafios de um servidor público da Justiça.

Para quem não conheceu essa realidade, era, e talvez seja, uma vida muito sacrificada que exige um espírito público e dedicação muito altos.

Mais tarde e na evolução de sua carreira, meu pai, foi indicado presidente do Tribunal de Alçada Cível e em seguida desembargador, cargo máximo no âmbito estadual onde, muitos anos depois se aposentou.

No convívio do dia a dia, com uma quantidade enorme de processos para serem analisados, dados pareceres e julgados, cultivou o hábito de acordar muito cedo para cumprir a tarefa, com as enormes dificuldades que sempre existiram no setor. E pela questão de rendimentos, ainda dava aulas em Faculdades de Direito.

No convívio pessoal aprendi a respeitar, valorizar e cultuar aqueles funcionários públicos, como meu pai e a maioria de seus pares e amigos, que sempre foram éticos, dedicados e comprometidos, com suas atividades e as questões maiores que envolvem o país.
Atitudes que nos últimos anos, lamentavelmente, no setor público tinham mudado muito.

E naquelas palmas dedicadas ao ministro Moro, estavam também sendo reconhecidos e valorizados todos aqueles que agiram e agem dessa forma ética e comprometida com o serviço público da Justiça, resgatando sua importância e credibilidade.

 

* Imagem: Rodrigo Augusto

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