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Plataformas Exponenciais, Ecossistemas de Negócios e Meta Banking reconfiguram o futuro do mercado

No mundo ocidental são as Plataformas Exponenciais, como Google, Facebook, Amazon e outras, incensadas no Vale do Silício que dominam a reconfiguração do futuro do mercado.

A partir da China vieram os Ecossistemas de Negócios, com sua configuração organizacional, cultural e estrutural própria que permite o salto quântico vivido pela economia chinesa que já superou em valor a dos Estados Unidos no critério PPP – Paridade do Poder de Compra. E que neste ano deverá superar em mais de US$ 100 bilhões em vendas no varejo.

Um terceiro vetor de transformação é o que estamos caracterizando como Meta Banking, aquele precipitado pelas atividades financeiras realizadas por agentes não financeiros, controlados ou não pelos sistemas oficiais.

É aquilo que caracterizado pelo pagamento móvel pode, ou não, transitar pelas contas bancárias de usuários ou empresas como, em parte, acontece na China. E também poderiam ser feitos por Apple Pay, Samsung Pay, Amazon e muitas outras plataformas, de forma potencialmente independente dos sistemas financeiros controlados oficialmente.

Os sistemas financeiros têm buscado, em parte se adaptar a essa potencial nova realidade com o movimento que se configurou em âmbito internacional do Open Banking que, em 2015, ensejou a criação do Open Banking Working Group, buscando padronizar esse conceito.

Unindo instituições bancárias, fintechs e outras empresas do setor financeiro, o movimento busca  integrar iniciativas com mais abertura desse mercado e agilidade nos procedimentos adotados, alinhando com as profundas transformações precipitadas pela tecnologia.

Algumas instituições brasileiras já fazem parte dessa iniciativa, em processo de regulamentação pelo Banco Central, e querem obter maior envolvimento de usuários e aumento de venda de produtos e serviços a partir do uso de suas APIs apoiado num ecossistema de aplicativos de terceiros integrados aos seus serviços.

Mas o que conceituamos como Meta Banking é mais ambicioso em sua visão e decorre da transferência potencial cada vez maior da atividade financeira para agentes não egressos do setor financeiro tradicional, monitorado e controlado pelos Bancos Centrais, por conta e obra dos movimentos das fintechs, blockchain, moedas virtuais e mais os avanços em outras formas de atividade no setor a partir do uso da tecnologia.

E se constitui em ponto de preocupação pelo risco das instituições financeiras perderem protagonismo e poder de controle pelos Bancos Centrais.

Em comum nos três movimentos o papel decisivo da tecnologia na dimensão, amplitude, velocidade, impacto e profundidade da transformação.

E também em todos os casos a expansão tentacular e assustadoramente rápida a partir do núcleo transformador como já visto nas Plataformas Exponenciais e nos Ecossistemas de Negócios.

Dos três movimentos o Meta Banking parece ser aquele que deve ser considerado o tema para o momento, pois tem o poder de afetar toda a atuação das instituições financeiras em âmbito global. Bancos Centrais, internacionais e nacionais, em sua atividade fundamental tentam zelar pelo equilíbrio e saúde dos sistemas financeiros, potencialmente afetados pelo choque gerado pela evolução das criptomoedas e mais tudo que pode ser embarcado e, principalmente, desintermediado, pelas carteiras virtuais, como já acontece em parte na China com o pagamento móvel, especialmente envolvendo o consumo.

E que pode ser amplificado pelas Plataformas Exponenciais e mais os Ecossistemas de Negócios, dependendo do grau de controle de atividades financeiras em cada mercado ou país.

De forma direta, o conceito do Meta Banking pode ser o elemento de integração mais disruptivo entre as Plataformas Exponenciais e os Ecossistemas de Negócios na reconfiguração de todo o cenário futuro de mercado.

E o futuro próximo, cada vez mais desintermediado em todas as áreas de atividade humana, pode estar tocando de forma mais direta todo o sistema financeiro global.

Omnistory: missão cumprida

Como programado, depois de 18 meses, a loja Omnistory, a primeira unidade da plataforma laboratório-omni do Brasil encerrou esta etapa no Shopping Vila Lobos, em São Paulo.

Lançada em agosto de 2017, durante o 4º Latam Retail Show, a Omnistory, pela primeira vez ofereceu um amplo conjunto de soluções totalmente integrado em ambiente omni, mostrando experiências e soluções inovadoras pelo apoio decisivo de parceiros de negócios do Grupo GS& Gouvêa de Souza.

E também em caráter inovador, a cada quatro meses, houve a alteração da linha de produtos e serviços que culminou, nesse último ciclo que iniciou em agosto do ano passado, com a inédita operação da Omnistory by Ayrton Senna.

Esse último ciclo foi também marcado pela incorporação em caráter inédito no mundo, do primeiro experimento operacional de VR-Commerce, a integração da Realidade Virtual com o Comércio Eletrônico.

Esse lançamento em âmbito mundial aconteceu durante o Latam Retail Show, no precursor Senna Experience, que apresentou o embrião de um futuro espaço para valorização do legado do piloto Ayrton Senna, uma referência nacional cada vez mais presente no processo transformador que vive o Brasil.

O apoio de parceiros de negócios e o projeto do Grupo GS& Gouvêa de Souza e suas unidades de negócios tornaram viável a demonstração em tempo real, e plenamente operacional, de soluções inéditas que conjugavam experiência, compras em ambiente real e virtual, comunicação digital, personalização, individualização promocional, reconhecimento facial com  identificação de zonas de calor e nível de satisfação, variações olfativas e auditivas adequadas ao momento de consumo, pagamento “frictionless”, além de integração com locker e vending machine.

Tudo reconfigurado com a atuação das equipes de atendimento em uma proposta também inédita de performance teatralizada.

A evolução do projeto inicial está agora em desenvolvimento e elaboração e sua nova etapa deverá ocorrer no próximo Latam Retail Show.

Nota Final e Pessoal

Com esta publicação completamos 800 artigos produzidos exclusivamente para o Mercado & Consumo. Uma jornada interessante, ao menos em termos pessoais.

Como são produzidos e publicados 50 artigos por ano, essa marca representa 16 anos consecutivos de produção deste material, desde quando lançamos o Mercado & Consumo digital e diário, que sucedeu o Retail Now, edição impressa.

Na base histórica, consideradas duas horas em média de pesquisa por artigo e mais uma hora de elaboração direta, estamos concluindo um ciclo de 2.400 horas dedicados à série, iniciada e mantida pela ideia de compartilhar aprendizados pessoais. Algo como se dedicássemos todo o tempo de 240 viagens aéreas à Nova Iorque escrevendo artigos.

Aqui foram apresentados pela primeira vez conceitos que foram posteriormente incorporados e amplificados  pelo mercado como Neoconsumidor, Omnicultura, Metaconcorrência, As ondas dos Serviços no Varejo, Experiência 5.0, GODE – O novíssimo consumidor, PDX, a loja exponencial, O mimetismo do consumidor, Multipolarização, Metaconsumidor, Omnistory, Consumidor-Cidadão, Tudo Junto e Misturado, VR-Commerce, Multivarejo e, agora, o Meta Banking.

Que é até onde a memória alcança!

Não há como negar que nesse processo de pesquisa e elaboração dos artigos, fui o maior beneficiado pela rotina que nos impusemos de tê-los sempre prontos nos fins de semana para publicação nas segundas-feiras, durante 50 semanas por ano por esses 16 anos.

Esperamos que, por esse compromisso, também tenhamos gerado alguma contribuição para o conhecimento, entendimento e antecipação dos movimentos de mercado para aqueles que nos acompanharam nessa jornada.

Agora faltam apenas 200 artigos, mais quatro anos, para fecharmos esse ciclo e aí teremos os mil artigos para atualizar antes de relaxar.

Obrigado pela companhia nesse período e, marcando uma nova fase, faremos algumas pequenas mudanças na apresentação e configuração de nosso artigo semanal a partir de agora.

* Imagem reprodução

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