Empresas lançam smartwatches com carteira digital

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As carteiras digitais marcam forte presença nos celulares. Agora é a vez dos smartwatches utilizarem o novo sistema. O mercado de pagamento por carteira digital — quando basta usar o celular, relógio ou qualquer dispositivo e aproximá-lo da maquininha do cartão de crédito nas lojas para fazer o pagamento — é dominado hoje por Apple e Samsung. Mas, no Mobile World Congress, maior evento mundial do setor em Barcelona, marcas de relógio como Swatch e Montblanc apresentaram suas novidades.

São relógios que custam cerca de US$ 1 mil e vão permitir o pagamento através de aproximação, além de oferecer uma série de aplicativos, que trazem sugestões sobre consumo de cafeína, a melhor hora para se dormir, além de informações para quem está no exterior, como cotação da moeda, preço das corridas de táxi e noções de idioma.

A Swatch anunciou a criação do Swatch Pay, que foi desenvolvido em conjunto com uma empresa de segurança europeia. Com a solução, o consumidor pode ativar a função de pagamento do relógio vinculada ao seu cartão de crédito.

Carlo Giordanetti, diretor de criação da empresa, destacou que as transações não consomem bateria do relógio. “A inovação é fundamental. Com essa solução, ficou mais fácil do que nunca pagar uma conta”, disse Giordanetti. Ainda não há previsão para o lançamento do produto no Brasil.

As gigantes de tecnologia Qualcomm e Huawei também investem nesta tecnologia, assim como empresas de meios de pagamento, como Mastercard e Visa. Ninguém quer ficar de fora do que deve ser a nova realidade na hora de fazer compras. A era dos cartões de crédito pode estar ficando para trás.

“O objetivo é trazer novas experiências personalizadas e permitir maior duração da bateria nos relógios em parcerias com o Google”, disse Anthony Murray, vice-presidente sênior da Qualcomm Technologies.

De acordo com a empresa de tecnologia Ayden, no Brasil, onde o sistema foi lançado há menos de dois anos, as compras pelo smartphone já chegam a representar até 30% das transações totais, dependendo do estabelecimento. O número é menor que os 60% registrados no mundo.

Para pagar diretamente com o celular e o relógio, é preciso cadastrar o número do cartão e, em seguida, aproximar o aparelho nas máquinas de pagamento, presentes no varejo e até em ambulantes na rua.

Após lançar seu serviço no Brasil há menos de dois anos, a taxa de crescimento da modalidade registrada pela Samsung ajuda a explicar o sucesso da carteira digital entre os brasileiros. No ano passado, o número de usuários cresceu 433,3%, assim como o número total de cartões registrados, com alta de 313%. O volume de transações subiu outros 1.400% em 2018.

Segundo Paulo Cesar do Nascimento, gerente sênior da Samsung Pay Agora, a companhia está estudando trazer para o país novos serviços que já são usados no exterior. “Queremos permitir a compra através de QR Codes, o que já é uma realidade na Ásia em países como a Índia. Outra ideia é permitir que a carteira digital consiga comprar ingressos de cinema e passagens aéreas e armazenar os tíquetes dentro da solução. Estamos ainda investindo em segurança, usando cada vez mais a biometria”, destacou Nascimento.

Ele afirma que o próprio varejo começa a perceber a força do novo modelo de pagamento. Ele cita casos de redes que começam a destacar a modalidade em suas ações de marketing. “Temos parcerias com os grandes bancos do país. Vamos começar a trabalhar com instituições financeiras regionais”, afirmou o executivo.

A Apple tem estratégia semelhante. O Apple Pay já é aceito em mais de um milhão de locais no Brasil. Além do iPhone, a companhia oferece por aqui a possibilidade de pagamento via aproximação com o seu relógio e permite usar os dados contidos no Apple Pay para pagar compras em sites através de seus computadores (MacBook Air e Pro) com leitor biométrico.

“A tendência de crescimento no Brasil é de crescimento. Estamos ainda longe de países como a China, onde 70% das transações já são feitas via carteiras digitais”, disse Jean Mies, presidente da Adyen para a América Latina.

Fonte: Agência O Globo

*Imagem reprodução

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