Boas práticas do mercado de foodservice e as tendências da NRA Show

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O setor de alimentação fora do lar é muito importante para a economia brasileira. Em 2018, ele movimentou R$ 205 bilhões. De acordo com a pesquisa, realizada pela GS&NPD para o Instituto Foodservice Brasil (IFB) em fevereiro de 2019, o setor é altamente descentralizado no país, com cerca de 73% dele sendo representado por restaurantes que não são de redes, ou seja, há uma imensa variedade de conceitos e muitos negócios de menor tamanho.

Ainda segundo a mesma pesquisa, o foodservice passa por um momento de recuperação. Em 2018, o segmento cresceu acima do mesmo período de 2017, embora tenha enfrentado estagnação no primeiro semestre, devido a vários fatores como a greve dos caminhoneiros. Por outro lado, alguns leves sinais de recuperação podem ser observados. O ticket médio gasto com alimentação fora do lar está na casa dos R$ 14 reais, um discreto crescimento de 2%. O tráfego também cresceu, cerca de 1%, com 14 bilhões de visitas, 120 milhões a mais do que em 2017. R$ 5 bilhões foram gastos a mais no foodservice no Brasil, um aumento de 3% do setor.

“A alimentação fora do lar é sempre um dos últimos segmentos a ser impactado pela crise e um dos primeiros a se recuperar. Comer fora, comprar um doce, uma guloseima é um “luxo” que as pessoas se permitem assim que possível”, afirma Cristina Souza, diretora-executiva da GS&Libbra.

Diante da importância deste setor, a GS&Libbra realizou na última terça-feira (26), o Restaurant Trends, um evento para compartilhar as melhores práticas do mercado de alimentação fora do lar, com o objetivo de inspirar e ajudar as empresas e pessoas do setor, para que tracem estratégias e alavanquem seus resultados, além de uma preview das tendências pré-divulgadas que serão aprofundadas durante a 100ª edição da NRA Show 2019, a mais importante feira do segmento, que acontecerá em Chicago, de 18 a 21 de maio.

Durante todo o dia passaram pelo palco Gilberto Xandó, presidente da Vigor Alimentos; Rafael Gentile, gerente de Compras e Logística da Bloomin’ Brands International; Ricardo Garrido, sócio-fundador e diretor-geral da Cia. Tradicional de Comércio; Ernesto Pousada, CEO da Ingredion; Nilson Gasconi, executivo de Desenvolvimento Setorial GS1 Brasil; Dennis Nakamura, CEO da Relp!, entre outros.

Gilberto Xandó, que trouxe falou sobre a reinvenção da indústria de alimentos frente aos desejos e necessidades do consumidor, revelou que cerca de 30% do faturamento da Vigor vêm do Foodservice. Sobre cronograma de lançamento de produtos, o executivo contou que a frequência sofreu mudança. “Há quase oito ou nove anos, 3% do faturamento da Vigor vinha de produtos lançados nos últimos 24 meses. Já, nos últimos sete anos esse número subiu para 28%”, revelou.

Ainda durante sua apresentação Xandó revelou que a empresa desenvolveu uma sobremesa inspirada no foodservice com base nos seus iogurtes. “O produto está chegando para revolucionar o mercado de sobremesas. Serão três texturas, três camadas e três sensações, um produto alinhado com as quatro macrotendências da Vigor (indulgência, bem-estar saúde conveniência/individualidade)”, finalizou.

Já, Ernesto Pousada, CEO da Ingredion América do Sul, empresa líder global em soluções de ingredientes, defendeu o aproveitamento integral dos alimentos em sua apresentação. Segundo ele, os desperdícios da América Latina poderiam combater a fome de 300 milhões de habitantes. “De 41 toneladas de alimentos, cerca de seis mil, ou seja, 15% são desperdiçadas em restaurantes brasileiros. No mundo esse número é de 9%, com base no registro de 1,3 bilhões de toneladas”, explica Pousada.

Em sua apresentação, o executivo listou alguns pontos que podem ser aplicados para reduzir o impacto deste desperdício, são eles: reduzir o desperdício em toda a cadeia de abastecimento, educar o consumidor, reavaliar o padrão de qualidade e repensar na data de vencimento dos produtos. “Nós, que estamos acima da cadeia de produtos, podemos juntos, identificar oportunidades para reduzir desperdícios, através de cocriações inovadoras, e ao mesmo tempo, melhorar a rentabilidade dos nossos negócios”, concluiu.

O cenário econômico e as perspectivas para o foodservice no Brasil, o comportamento do consumidor e a saudabilidade, eficiência logística, novos modelos de negócio, fazendas urbanas e rastreabilidade, a reinvenção da indústria de alimentos, aproveitamento dos ingredientes, delivery e o conceito blended foodservice identificado em operações na NRF 2019, realizada no início do ano, em Nova York, foram os temas abordados no Restaurant Trends.

Startups com fome de mercado

Na ocasião, quatro startup apresentaram suas soluções para otimizar o setor de foodservice. Entre elas estavam a Supermenu, que oferece plataformas para criação de aplicativos de delivery; a Dinneer, uma espécia de Airbnb do foodservice, que reúne pessoas dispostas a receber em suas casas e proporcionar experiências gastronômicas; Pede Logo, que desenvolve inteligência artificial para o foodservice e a plataforma online de cardápios e inteligência de mercado Menyuoo.

Toda curadoria das startups foi feita pelo Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP e um dos maiores especialistas em start ups do mercado. Além de um pitch para que a plateia compreenda o modus operandi dessas empresas, eles participaram de um debate sobre os impactos das foodtechs no aprimoramento da gestão do foodservice sob a ótica dos jovens empreendedores.

* Foto: Rodrigo Augusto

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