Variações do câmbio forçam varejistas a buscar alternativas

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Nos últimos três meses, o setor varejista vem traçando estratégias para fazer frente às turbulências cambiais causadas pelo cenário político-econômico no país. Entre as alternativas dos lojistas, estão as parcerias com fabricantes locais e o antecipação na composição de estoques para amenizar danos colaterais aos custos do negócio.

“As grandes oscilações cambiais afetam diretamente e indiretamente o varejo. Com isso, percebemos que o pior efeito de todos é a imprevisibilidade que o câmbio traz na hora do comerciante compor o estoque e planejar os preços das mercadorias”, disse o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo.

De acordo ele, em virtude da compra antecipada de muitas mercadorias importadas, não deve haver impacto imediato nos preços dos bens duráveis e não duráveis. “Não acredito que possa ocorrer um desabastecimento de produtos, mas o que dificulta a vida do varejista é a falta de estabilidade cambial”, disse.

Na mesma perspectiva, o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, lembra que um possível impacto no preço dos produtos só deve ocorrer nos próximos dois meses. “Geralmente, a cada 1% de alta do dólar, em dois meses, ocorre o aumento de R$ 0,20 nos itens principalmente de bens duráveis e combustíveis”, argumentou Bentes, mencionando que, contando com os picos cambiais, o avanço do dólar contabilizou 10% desde o começo do ano.

Para o economista, embora os produtos de necessidade básica (como remédios e varejo alimentar) sejam as primeiras categorias a sentir o aumento do câmbio, o efeito negativo pode também atingir o consumo de produtos supérfluos e menos fundamentais.

Com forte importação de peças para fabricação de óculos, a rede Mercadão dos Óculos, tenta encontrar caminhos para amenizar os impactos cambiais na operação. “Em condições normais, nosso estoque é de 45 dias. Atualmente, estamos trabalhando entre 90 a 120 dias de armazenamento”, argumentou o CEO da rede, Gustavo Freitas.

De acordo com o executivo, atualmente, a empresa importa cerca de 80% das peças para montagem de óculos e o resto de componentes é desenvolvido nacionalmente. Porém, essa lógica de funcionamento nos próximos anos deve ser invertida. “Nossa intenção é aumentar até 60% o percentual de participação de peças nacionais na produção em dois anos. Essa medida visa amenizar os riscos cambiais como também para acompanhar melhor a velocidade das tendências de moda do mercado”, complementou Freitas. Ainda segundo ele, o faturamento da rede – que em 2018 foi de R$ 130 milhões – deve chegar a R$ 180 milhões.

Na avaliação do economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze, garantir o preço atual do dólar compondo a maior parte dos estoques pode ser uma boa saída para os lojistas de bens duráveis. “É preferível que o empresário faça as compras neste patamar de câmbio atual, tendo em vista a possibilidade da moeda ultrapassar o valor de R$ 4 como já ocorreu”, declarou Dietze.

Neste sentido, outro exemplo de lojistas que está se organizando par sair ileso das oscilações é o Grupo PLL, voltado para o comércio de celulares e acessórios. “Normalmente realizamos compras quinzenais. Mas, neste momento, estamos com compras para manter o estoque por dois meses”, destacou o sócio-diretor da empresa, Pablo Linhares.

Para o executivo uma das categorias de produtos que não sofrem com alta nos custos são os acessórios, itens encomendados por meio da parceria com fornecedores nacionais. “Nossa margem nesses produtos acaba ficando maior”, conclui Linhares.

Fonte: DCI

*Imagem reprodução

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