Varejo brasileiro tem queda de 0,7% em março

269
[tempo para leitura: 3 minutos]

Em março, o varejo brasileiro retraiu 0,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O indicador do mês já tem descontada a inflação que incide sobre os setores do varejo ampliado. Em termos nominais, que refletem a receita de vendas de fato observadas pelo varejista, o ICVA registrou alta de 4,0% na comparação com o ano anterior.

O resultado do mês foi impactado negativamente pelo calendário, intensificado principalmente pelo Carnaval, que neste ano caiu em março contra o do ano passado, que aconteceu em fevereiro. Além disso, março apresentou um domingo a mais, que geralmente é um dos dias da semana mais fracos do varejo, e uma quinta-feira a menos.

Ajustando o ICVA deflacionado a esse efeito, o índice apontaria alta de 2,1%, com uma desaceleração em relação a fevereiro. Pelo ICVA nominal, no mesmo conceito, o indicador apresentaria alta de 6,9% na comparação com o mesmo período de 2018, também apresentando desaceleração.

“O resultado de março chama atenção, mas é bem menos negativo do que parece. Os grandes destaques deste mês foram o Carnaval, jogando as vendas para baixo na comparação com o mesmo período do ano passado, e a inflação, que acelerou”, comentou Gabriel Mariotto, diretor de Inteligência da Cielo. “De qualquer forma, mesmo desconsiderando estes efeitos, o resultado foi mais fraco que o dos últimos meses de 2018 e início de 2019”.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado em março pelo IBGE apontou alta de 4,58% no acumulado dos últimos 12 meses, com uma aceleração em relação ao número registrado em fevereiro (3,89%). Os grupos de itens de Alimentação no domicílio e Transportes contribuíram para a aceleração do índice. A aceleração foi puxada principalmente pelo item de Passagem aérea, saindo de deflação de 1,6% para alta de 24,9%.

Ponderando o IPCA pelos setores e pesos do ICVA, a inflação no varejo ampliado em março ficou em 4,7%, tendo uma aceleração em relação a fevereiro (3,1%).

O bloco de Bens não Duráveis foi o que apresentou maior desaceleração na passagem de fevereiro para março, já considerando os ajustes de calendário. O desempenho negativo deste bloco foi puxado principalmente pelo setor de Supermercados e Hipermercados, parcialmente compensado pelo setor de Drogarias e Farmácias que teve a maior alta do bloco. O grupo de setores de Bens Duráveis e Semiduráveis também apresentou desaceleração na passagem mensal, influenciada pelas quedas de ritmo de setores como Vestuário e Móveis, Eletro e Lojas de Departamento.

Finalmente, o bloco de setores de Serviços apresentou estabilidade de fevereiro para março, com o setor de Alimentação em Bares e Restaurantes puxando o ritmo para baixo e, por outro lado, os setores de Recreação e Lazer e Autopeças e Serviços Automotivos contribuindo positivamente.

Todas as regiões brasileiras apresentaram desaceleração na passagem mensal, segundo o ICVA Deflacionado com ajuste de calendário.

Pelo ICVA deflacionado sem ajustes de calendário, comparando com o mesmo período do ano anterior, o varejo ampliado na região Norte apresentou alta de 3,2%, seguido pelas regiões Sul e Centro-Oeste com 1,4% e 0,8% respectivamente. Por fim, temos as regiões Nordeste, com retração de 0,7%, e o Sudeste, com retração de 2,8%.

Pelo ICVA nominal – que não considera o desconto da inflação – o destaque também foi a região Norte, que registrou alta de 6,7% em março. Em seguida, temos as regiões Centro-Oeste e Sul, ambas com crescimento de 4,7% no período. Por último, temos as regiões Nordeste e Sudeste, que apresentaram crescimentos de 4,1% e 3,5%, respectivamente.

O ICVA encerrou o primeiro trimestre de 2019 com crescimento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado, depois de descontada a inflação. Já em termos nominais, o índice apontou crescimento de 6,2% no primeiro trimestre, ficando abaixo do registrado no trimestre anterior. “Os números mostram que houve uma redução de ritmo de crescimento no primeiro trimestre do ano, em relação ao final do ano passado. Vale lembrar, no entanto, que tivemos uma Black Friday e um Natal acima do esperado no último trimestre de 2018, e um impacto negativo de calendário mais forte no primeiro trimestre de 2019, o que atenua este quadro de desaceleração”, explicou Mariotto.

* Imagem reprodução

Deixe uma resposta