Multiplan lança empreendimento no Rio de Janeiro

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A Multiplan começou a buscar lojistas para o ParkJacarepaguá, seu 20º shopping center, acreditando na retomada da economia e apesar da maior crise de autoestima já vivida pelo Rio de Janeiro.

O novo shopping – um investimento estimado em R$ 500 milhões – tem cerca de 38 mil m² de área bruta locável (ABL) e inauguração prevista para maio de 2020.

O CEO José Isaac Peres disse ao Brazil Journal que a Multiplan decidiu acelerar as obras depois da eleição, e que confia na aprovação da reforma da Previdência.

“Não vejo como a reforma não possa ser aprovada, porque a Previdência é a maior injustiça que existe contra o povo brasileiro,” disse Peres. “A média de aposentadoria do setor público é 12 vezes mais que a do setor privado. O Governo erra em um ponto: ao não esclarecer bem essa injustiça.”

Apesar da desarticulação do Governo em Brasilia, evidente hoje na CCJ, Peres disse que vê sinais claros de retomada do consumo. Segundo ele, as vendas totais dos shoppings da Multiplan subiram 8,5% na primeira quinzena de abril contra o mesmo período do ano passado. As vendas das lojas-satélite subiram 11,35% no mesmo período. (Não houve crescimento de ABL nos períodos comparados.)

Os números devem surpreender o mercado, que espera crescimento de same-store sales de 3% a 5% no primeiro trimestre. “O segundo trimestre começou acima do topo da expectativa do primeiro,” disse um analista que acompanha o setor. As ações de shoppings são as que mais caem desde o início do ano na B3; enquanto o indice sobe 6-7%, as principais empresas caem 6%.

O ParkJacarepaguá terá 249 lojas, incluindo 11 âncoras, e será o primeiro shopping da Multiplan no Rio a ter uma pista de patinação no gelo permanente de padrão internacional. Para adoçar a oferta: um parque verde de 6 mil m² integrado ao shopping e um deck de 3.200 m² com vista para o Parque Nacional da Tijuca.

A presença em Jacarepaguá — uma região com 600 mil habitantes — ajuda a Multiplan a ‘fechar o circuito’ na zona oeste da cidade, onde a companhia já tem o BarraShopping, o New York City Center, o VillageMall e o ParkShopping Campo Grande.

Peres disse que um shopping não canibaliza outro. “Quando você cria uma facilidade, você gera demanda. Nem todo mundo que está em Jacarepaguá quer vir pra Barra, até pelo trânsito. … A região vai se transformar, assim como aconteceu com outras regiões em que levamos os shoppings.”

Acreditando que a confiança no Governo veio para ficar, Peres disse que a Multiplan deve lançar em outubro a primeira etapa do Golden Lake, um bairro privativo de alto padrão em Porto Alegre. O projeto — com VGV potencial de cerca de R$ 4 bilhões ao longo de 10 anos — inclui 19 torres (uma delas, comercial) em 250 mil m² de construção na orla do Guaíba. O bairro terá um parque e uma praia particular.

O condomínio será construído na antiga área de baias do Hipódromo do Cristal, ao lado do BarraShoppingSul, outro shopping da companhia. O projeto será desenvolvido em etapas, e a primeira, que começa este ano, é um condomínio de quatro edifícios.

As incertezas do Brasil nos últimos anos não assustaram Peres. Entre 2013 e 2018 — enquanto o Brasil passou pelo Governo Dilma, seu impeachment e uma eleição turbulenta — a Multiplan adicionou 200 mil m² de ABL a seu portfólio, um crescimento de 38,3%.

Na semana passada, a Multiplan comprou os 20% que ainda não detinha no BH Shopping por R$ 360 milhões. Essa participação havia sido alienada ao fundo de empregados da Usiminas em 1982.

Além disso, a Multiplan anunciou a compra de participação na Delivery Center, permitindo que as lojas de seus shoppings passem a atuar também como centrais de entrega de ecommerce e marketplaces. O acordo prevê a exclusividade na operação nos 18 shoppings da companhia, além de um investimento de R$ 12 milhões que dará à Multiplan 18,8% do capital da empresa.

Peres tem suas razões para ser otimista. No ano passado, a companhia teve o melhor resultado de sua história: o lucro líquido cresceu 28% para R$ 473 milhões, a geração de caixa, 15%, para R$ 947 milhões, e o funds from operations (o lucro líquido caixa), 26% para R$ 704 milhões.

Fonte: Brazil Journal

*Imagem reprodução

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