Grandes varejistas dos EUA se manifestam contra aumento de tarifas

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As redes varejistas J.C. Penney e a Macy’s, entre dezenas de outras empresas, imploraram à U.S. Trade Representative (órgão responsável pelo Comércio dos EUA) para retirar inúmeros produtos de vestuário e calçados de uma vasta lista de itens que tiveram suas tarifas aumentadas para 25%.

Um advogado da J. C. Penney observou em uma carta enviada pelas varejistas que as tarifas propostas prejudicariam os principais clientes da Penney: mulheres de classe média que compram para suas famílias e possuem renda familiar pouco maior do que a média dos EUA. A rede também apontou que as tarifas de vestuário e calçados já são altas em relação a outros produtos, e que os custos dos novos impostos recairão inevitavelmente sobre os compradores dos EUA.

Tanto a J. C. Penney quanto a Macy’s notaram a dificuldade em evitar as cadeias de suprimentos dos fabricantes chineses. Ambos também apontaram que apenas 2% dos sapatos vendidos nos EUA são feitos internamente e que não há fabricantes de suéteres no país.

Embora as rodadas anteriores de tarifas tivessem impacto limitado no setor de varejo, a quarta rodada é uma lista abrangente que engloba a grande maioria dos produtos fabricados na China. Analistas e varejistas notaram que mesmo os varejistas mais diversificados sentiriam o impacto.

Analistas da UBS estimaram que as tarifas podem colocar US$ 40 bilhões em vendas e 12 mil lojas em risco. Os analistas da JP Morgan notaram que as tarifas poderiam consumir de 20% a 40% da margem operacional de uma ampla faixa de varejistas, incluindo a Wholesale, a Michael’s, o Walmart, a Target e a Costco. Eles também podem aumentar os preços de 10% a 21%, estimaram os analistas.

Os varejistas têm poucas opções internas, algumas mais palatáveis ​​ou realistas do que outras. Eles podem comer as tarifas, pagando por elas fora de suas próprias margens. Podem transferir os custos para os fornecedores (embora possam estar em contratos que não permitem mudanças de preço no curto prazo). Também podem mudar de fornecedor, talvez comprando do Vietnã, Camboja ou outro país com grande fabricação de vestuário e calçados. Mas a capacidade é limitada nesses países e, como a Penney e a Macy’s notaram, mudar uma cadeia de suprimentos não é algo que pode ser feito da noite para o dia, ou mesmo em vários meses.

Os varejistas e as marcas já estão revendo suas opções e se preparando. De acordo com a Federação Nacional de Varejo, eles estão aumentando as importações para estocar antes do início da validade da quarta rodada de tarifas. Mas muitos varejistas proeminentes, Walmart entre eles, sinalizaram que os aumentos de preços aos consumidores são inevitáveis.

Penney apontou especialmente o impacto nas mulheres consumidoras. “Embora certamente inadvertido, o impacto desproporcional das tarifas da Lista 4 sobre as mulheres é impressionante”, afirmou a carta, observando que 13 dos 19 itens prioritários indicados pela J. Penney nas listas de tarifas são produtos para mulheres ou meninas.

A cadeia de lojas de departamento também observou que as mulheres geralmente supervisionam os gastos de famílias inteiras. Isso significa não são apenas as tarifas sobre moda feminina que afetam as mulheres, mas também as tarifas sobre produtos domésticos, material escolar, roupas para meninos e outros produtos.

A J. C. Penney também observou que os consumidores de baixa renda também seriam desproporcionalmente prejudicados, uma vez que gastam proporcionalmente uma parcela maior de sua renda em vestuário e calçados. Mesmo as festividades das festas de fim de ano podem ser afetadas, já que enfeites de Natal também estão na lista do aumento das tarifas.

* Imagem reprodução

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