Os cinco papéis definitivos da Indústria de Alimentação Fora do Lar

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Com mais de vinte anos de atuação no segmento de foodservice e há nove liderando uma consultoria especializada no setor, me permito aglutinar nesse artigo algumas das nossas reflexões mais maduras nesse momento de transição alimentar e de múltiplos questionamentos de quem compra, prepara e vende alimentos para o consumidor. A ambição é refletir os papéis definitivos dessa indústria em uma visão da nossa empresa, construída a partir da combinação de pesquisa, estudos de campo e vivência prática. Espero que faça sentido para você em seus negócios e ajude a na construção ou evolução da sua estratégia.

O primeiro e mais importante papel é o de Criador e Gestor de Negócios, ou seja, seu core business. Aqui há de se reforçar a importância de três pilares fundamentais: inovação, gestão e comunicação. Apesar da alimentação fora do lar (foodservice) ser um segmento de entrada, cada vez menos serão tolerados erros de iniciantes, não por arrogância, mas por exigência do consumidor, que com o nível de empoderamento que tem hoje, pressiona e impulsiona as empresas entrantes e as que já atuam no segmento a buscarem patamares ainda mais elevados em suas entregas. Gostaria ainda de reforçar o pilar comunicação como um dos mais poderosos para as marcas de sucesso. Pois somente com uma comunicação fluída, verdadeira e transparente, é possível fidelizar seus clientes. Isso passa por absolutamente tudo que toca os desejos e escolhas dos consumidores.

O papel de Transformador Social como empregador, formador e apoiador de iniciativas. Esse papel sempre existiu porque é uma característica do setor, mas hoje atingiu um nível tão importante que passa a ser missão, estratégia e até PROPÓSITO em algumas empresas que colocam o impacto social como sua maior meta e criam uma conexão ímpar com seus clientes que continuam exigentes com os produtos, mas tornam-se apaixonados pelas pessoas da empresa e por tudo que ela faz. Ele cria uma conexão que envolve respeito, afeto e a crença de que está consumindo de uma empresa que compartilha e investe nos mesmos valores que os seus.

O terceiro papel é o de Humanizador do Ser Humano. Os bares, restaurantes e todos os formatos de foodservice que permitem encontros físicos das pessoas são provedores de espaços e momentos para interação. Considerando todos os avanços da Inteligência Artificial, em breve, o que nos diferenciará das máquinas será o senso crítico, os sentimentos e o fato de comermos, isso certamente numa escala simplista desse contexto. Mas, encontrar amigos, familiares, estar em mesas compartilhadas, espaços com música, ao ar livre, em rooftop, praças, shoppings em espaços reconfigurados… é o que hoje faz e fará muitas pessoas saírem de casa. Essas demandas geram uma explosão de estilos do ponto de vista arquitetônico com novas possibilidades e formatos.  Mobilidade, simplicidade, compartilhamento e compactação serão palavras que ouviremos muito quando o assunto for a área de produção desses negócios.

Há pouquíssimo tempo atrás usávamos o termo “operador de foodservice” e agora cunhamos o termo “integrador de foodservice”, isso porque o foodservice (alimentação fora do lar) passou a ser fundamental como Integrador de Negócios – fazendo a diferença na macro estratégia de outras empresas a partir do apoio à tangilibização dos conceitos de hospitalidade, criando uma atmosfera leve e gentil para o consumo de outros produtos e serviços. Mas um café dentro de uma loja sempre existiu. Fato! O que não existia era a visão dos integradores de foodservice sobre seu papel e empenho para customização, flexibilização, criação de soluções exclusivas e olhar do impacto do seu negócio frente aos outros negócios, gerando um desejo genuíno de coexistir e compartilhar. O que vemos são integradores que estudam a fundo os negócios dos seus parceiros e adaptam suas soluções para uma criação mútua de valor.

O quinto e último papel é a Sobrevivência da Espécie, pois a partir da construção da oferta e compromisso com a cadeia, impactamos a saúde das pessoas. A alimentação fora do lar cresce no Brasil e tem potencial para crescer ainda mais quando comparada a outros países. As pessoas confiam sua saúde e bem-estar às empresas que elegem para fazer sua refeição naquele dia. Só que isso é recorrente. São dias, meses, anos… e a nossa responsabilidade sobre a saúde e efeitos do que oferecemos aos nossos clientes é soberana. A decisão da qualidade da matéria prima, a técnica de preparo… tudo isso o cliente delega a nós. Confiando, que em seu nome, estamos fazendo as melhores escolhas. E hoje temos um movimento lindo de questionamento sobre se de fato estamos fazendo nosso melhor. Questionar-se é sempre bom.

Esses cinco papéis que elenquei são parte de uma grande onda. Parece simples, mas de fato não é. Isso tudo é parte do contexto incerto e volátil que vivemos. O bom é que parece que todos estão mais abertos. Tenho sentido isso nos inúmeros eventos dos quais participamos. O campo, a indústria, distribuidores e os INTEGRADORES, todos empenhados em fortalecer o elo ao qual pertencem e expressam o desejo por contribuir. Abrem-se para startups, apps, questionam-se e param de disputar, de tentar serem detentores do poder. Parece que estamos bem perto de entendemos que juntos somos mais fortes em prol do consumidor.

Sem dúvida, sempre há por fazer, sou uma grande otimista e entusiasta do setor e pelo que contem conosco sempre que precisarem. Obrigada por ler. Até o próximo 😉

NOTA: Cristina Souza, diretora executiva da GS&Libbra – Estratégia & Gestão para Foodservice, participará do LATAM Retail Show, que acontece de 27 a 29 de agosto de 2019, com o painel: “Alimentação, a cola social da era digital”.

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*Imagem reprodução

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