Número de entregadores cresce 104,2% devido ao desemprego

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Os aplicativos de entrega, como Uber Eats, Loggi, iFood, Rappi, entre muitos outros, vem crescendo no mundo e no Brasil. Diante desta explosão de opções, o número de trabalhadores que atuam na área de entrega aumentou em 201 mil pessoas no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado. A conclusão é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2018, a quantidade de pessoas que trabalham por conta própria com delivery saltou 104,2%. Walter Capelli, especialista em planejamento urbano pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acredita que este aumento se deve à dificuldade para se encontrar vagas formais de trabalho. “O segmento de delivery tem sido um dos destaques em geração de ocupação temporária para muitos trabalhadores que entraram para informalidade durante a crise”, disse.

Quem também tem lucrado com este aumento são as fabricantes de motocicletas. De acordo com associação do setor de duas rodas, Abraciclo, no primeiro semestre de 2019, as vendas de motos cresceram 16%. A produção aumentou 8,4% no mesmo período, na comparação com o mesmo período de 2018. De janeiro a junho deste ano, foram fabricadas 536.955 motocicletas, contra 495.420 em 2018.

A previsão da Abraciclo é que sejam fabricadas 1,1 milhão de unidades neste ano, um aumento de 6,1% em relação a todo o ano passado. André Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE, acredita que este crescimento atende o aumento da demanda gerado pelos aplicativos. “As estatísticas endossam essa leitura, principalmente considerando-se que o setor de motos tem registrado queda no comércio exterior”, esclareceu.

José Eduardo Gonçalves, diretor executivo da Abraciclo, afirmou que há ainda outro dado que corrobora essa teoria. “A demanda por motocicleta de baixa cilindrada representou cerca de 80% das vendas. São motocicletas de baixo valor”, contou. Estes modelos são comprados principalmente por consumidores das classes C, D e E. “Evidentemente, por falta de emprego com carteira assinada, os trabalhadores buscam uma fonte emergencial de renda nesses aplicativos que oferecem serviços de entrega. O crescimento da produção do setor de duas rodas no primeiro semestre de 2019 superou nossas expectativas”, afirmou Gonçalves.

*Imagem reprodução

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