SPOILER ALERT: Aprendizados da China – Parte 3

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[tempo para leitura: 4 minutos]

Esse artigo é a terceira parte da série onde contamos os principais aprendizados da missão do Grupos GS& Gouvêa de Souza na China. Caso você não tenha lido as partes anteriores clique aqui para conferi-las: Aprendizados da China – Parte 1Aprendizados da China – Parte 2.

VELOCIDADE, VELOCIDADE E VELOCIDADE!

Os chineses vivem verdadeiramente no mundo VUCA, a velocidade de transformação daquela sociedade e daquela economia é algo sem paralelo no mundo, estimo que eles estejam em um ponto da curva exponencial de transformação que o ocidente só deve chegar em 10 ou 20 anos – no mínimo.

Shanghai transformada após a abertura chinesa para o mundo

Em um mundo que se transforma a cada dia, com concorrência feroz e onde as regras do jogo mudam a cada segundo, não é de se espantar que os chineses entendem que a velocidade é uma das competências chave para a perenidade dos seus negócios – ser rápido na China é fator imprescindível para a sobrevivência.

Assista este vídeo com a evolução do sistema de metro em Shanghai:

A melhor forma que encontrei de explicar o que os chineses pensam sobre a importância da velocidade nos negócios foi através do conceito da equivalência massa-energia, elaborado por Einstein, em 1905. A fórmula diz que Energia é igual à Massa, multiplicada pela Velocidade ao quadrado. Podemos fazer uma analogia dessa fórmula com o mundo em transformação exponencial da China.

Nessa analogia, a Energia seria a força da sua empresa, a Massa seria a força da sua marca/a infraestrutura da empresa/o market share que detém/etc. e a Velocidade é a sua capacidade de reagir às mudanças no ambiente de negócios. Seguindo essa analogia, é muito mais importante ser rápido do que deter uma megaestrutura. Sobrevive a empresa que é mais rápida, não aquela que possui a maior massa.

A velocidade é tão importante na China que uma nova forma de estruturação das empresas foi desenvolvida visando proporcionar uma maior agilidade às empresas – os  chamados ecossistemas de negócio (falo mais sobre esse tema na primeira parte dessa série).

Como exemplo, tivemos a oportunidade de visitar a Sede da Decathlon na China, em Shanghai, chamada de Decathlon Lab. Entre os inúmeros aprendizados, nos chamou a atenção a velocidade com que a empresa expandiu seus negócios por lá, são mais de 300 lojas em território chinês, sendo que a maior parte foi aberta nos últimos 3 anos. Apenas como base de comparação, a mesma empresa possui algo como 30 lojas no Brasil.

Visita à Decathlon Lab – histórico de abertura de lojas na China

História: Steve Jobs, fundador e ex-presidente da Apple é conhecido por levar ao extremo o seu time no desenvolvimento dos produtos da empresa e o caso do Iphone original, lançado em 2007, não foi diferente.

Há apenas um mês do lançamento do produto, Jobs demandou para o seu time que desenvolvesse uma nova tela que substituísse a de plástico que havia sido planejada para o Iphone, pois a mesma arranhava muito facilmente. Ele demandou que a nova tela fosse de vidro e que esse desenvolvimento deveria ser feito em apenas seis semanas. Havia apenas um “pequeno” problema, essa tecnologia simplesmente não existia na época!

Com um desafio dessa envergadura, os executivos e executivas da Apple imediatamente voaram para a China, mais especificamente para Shenzhen, cidade reconhecida pela Cultura Maker e por sua competência no desenvolvimento de hardware.

Para sua surpresa, ao chegar na cidade chinesa, uma nova fábrica já estava sendo construída para atender a demanda da Apple, com engenheiros recrutados e disponíveis 24/7 e com toda a matéria prima necessária para iniciar o desenvolvimento do produto. Detalhe: tudo isso antes mesmo de ganhar qualquer contrato com a Apple.

O resultado disso tudo? A empresa ganhou o contrato e o novo vidro para as telas dos Iphones foi desenvolvido em 30 dias. Estima-se que a Apple utilizou 8.700 engenheiros para construir o Iphone na China. O recrutamento de um exército como esse levaria algo como 9 meses se acontecesse nos Estados Unidos, na China, o processo levou 15 dias.

Recomendo a leitura dessa matéria do business insider com mais detalhes sobre o case da Apple: https://www.businessinsider.com/steve-jobs-new-iphone-screen-2012-1

Esse foi nosso terceiro artigo dessa série de aprendizados na China, aguardem os próximos aprendizados que traremos aqui no Mercado & Consumo sobre esse incrível mercado que, definitivamente, é uma janela para o futuro das relações de consumo.

NOTAA GS&MD realizará o “Ignition 360°” em novembro deste ano, que levará uma delegação para conhecer os maiores cases e exemplos de inovação do varejo chinês. O roteiro envolve visitas de estudos, relacionamento e negócios às cidades de Beijing, Shangai, Shenzen, Hanghzou e Hong Kong. Para saber mais, acesse: retailignition.com.br/china.

* Imagem reprodução

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