Supermercado – O restaurante dos sonhos dos consumidores

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É fato que os hábitos de consumo de alimentos mudaram, a presença da mulher no mercado de trabalho provocou uma nova divisão das tarefas de casa, as famílias se tornaram menos numerosas, a expectativa de vida aumentou e a classe média deixou de ter empregadas domésticas fixas que faziam também o papel de cozinheiras da família. Ou seja, o ato de se alimentar em casa mudou na cena brasileira e deve mudar ainda mais.

Nesse artigo eu não pretendo falar de delivery. Ele existe, cresce na casa dos 23% no foodservice brasileiro (fonte: CREST GS&NPD), mas o meu objetivo é falar sobre o que o consumidor espera de fato dos supermercados e da indústria de alimentos.

Em pesquisa realizada pela Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo em 2017, com três mil entrevistados em 14 cidades brasileiras, 38% dos respondentes concordaram total ou parcialmente com a afirmação: “com a vida que levo não tenho tempo para cozinhar em casa”.

Em meados de 2014 as vendas de mercearia nos supermercados americanos foram superadas pelas vendas de serviços caracterizados como restaurantes e a curva continua ascendente nos dias de hoje. (Fonte: Nielsen Homescan Acct Shopper – 52 WKQ3 2015, 52WK Q4 2006-2014)

Vejam, as pessoas deixam de ir ao supermercado para comprar ingredientes e passam a buscar soluções. Entre Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, o Whole Foods tem mais de 450 lojas, todas com serviço de restaurante como uma premissa e como estratégia de diferenciação.

O Mariano´s é uma rede regional de Illinois com algo perto de 50 lojas e que também oferece soluções para seus clientes: Bar de Ostras, Sushi bar, Estação de sucos naturais, grelhados que o cliente escolhe e pede para preparar na hora, extenso buffet de saladas e uma área de rotisserie com assados e outros itens prontos realmente atrativos.

No Brasil, existe o potencial, mas as redes supermercadistas fizeram ações tímidas, ainda não conseguiram se reinventar suficientemente para assumir esse business ou não encontraram o apoio que necessitam da indústria e de parceiros para a operação.

Não estou falando de rotisserie ou da praça de alimentação que reúne de 3 a 5 players, fica mal localizada e parece não receber a atenção que merece. Estou falando sobre encarar o fluxo já existente na loja e oferecer serviço de restaurante com a qualidade que o consumidor deseja/espera em oferta, tecnologia e ambiente.

Do ponto de vista da indústria, intensificar soluções que apoiem aos supermercados nessa direção é imperativo. Legumes e grãos cozidos como a Vapza fornece, carnes/pratos prontos Swift, Seara, Sadia migrarem da versão individual para formatos adequados ao foodservice. Além disso, são necessárias cozinhas centrais com produtos customizados, como os produzidos pela CuisinePro e outras empresas especializadas em catering.

Enfim, usar a potencialidade disponível de consumo e fornecimento, redesenhar o business e envolver stakeholders será um salto para a relação entre supermercados e seus consumidores. Parece-me que em pouco tempo não fará sentido para a indústria pagar por espaço de gôndola e sim por espaço no restaurante do supermercado.

Algumas redes têm histórias ruins para contar a respeito. Parcerias mal sucedidas, falta de adesão do consumidor… Bom… Se fosse fácil não seríamos desafiados a fazer mais e melhor sempre. Para cima!

Cristina Souza, diretora-executiva da GS&Libbra – Estratégia & Gestão para Foodservice
A executiva participará do LATAM Retail Show, que acontece de 27 a 29 de agosto d, no Expo Center Norte. Ela será a mediadora do painel “Alimentação, a cola social da era digital”.

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