Para Frederico Trajano, as pessoas são o mais importante de uma transformação digital

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Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, revelou que a digitalização é uma das missões da companhia. Ele realizou a apresentação “A radicalização da inclusão. O Magalu e sua missão de digitalizar o Brasil”, durante o 10º Fórum Internacional de Gestão de Redes de Franquias e Negócios.

O executivo afirmou que “gostaria de acabar com o mito de que para construir o futuro é preciso destruir o passado”. Ele destacou que apenas está dando segmento ao que foi feito por sua tia, fundadora da rede, e sua mãe, Luiza Helena Trajano.

Trajano explicou que o crescimento de 41% da participação do e-commerce, não acontece em detrimento das lojas físicas, que crescem mais de 10% ao ano há mais de 15 anos.  “Temos um aplicativo que é um dos mais baixados do país, às vezes ficamos até mesmo na frente do WhatsApp”.

O mercado de e-commerce no Brasil é de 80 bilhões de reais e ainda há muito potencial para crescer, já que o online representa apenas 5% do mercado total do varejo. “O brasileiro gasta em média quase três horas por dia só no Facebook e uma hora no WhatsApp. Eu sempre pensei que era uma oportunidade desperdiçada e o desafio era monetizar essa audiência”, falou.

O presidente do Magazine Luiza apresentou os três principais desafios do e-commerce hoje no Brasil. O primeiro é a infraestrutura logística, que é muito ruim. “Mesmo em grandes cidades temos prazo de entrega de cinco dias. Na China são 30 minutos. Eles estão muito à frente dos Estados Unidos e do resto do mundo na transformação digital.” O custo logístico no Brasil é de 20 a 50% mais caro por km rodado do que no restante do mundo. Isso se reflete no custo do frete cobrado do consumidor.

Além destes problemas, a cobrança de impostos no Brasil é excessiva, o que encarece as mercadorias e o custo de capital, os juros são altíssimos. Embora a taxa Selic tenha baixado, o custo de capital do Brasil é o 10º mais caro do mundo.

O executivo revelou que uma de suas maiores preocupações na transformação digital do Magazine Luiza foi com as lojas físicas. “Sempre pensei que era preciso aproveitar a loja física na transformação digital”, explicou. A empresa possui uma plataforma operacional única, com operação interligada e multicanal. A base de clientes é a mesma, o caminhão que faz a entrega das lojas físicas é o mesmo que entrega as compras do online.

O digital trouxe simplificação de processos e aprimorou a experiência de compra do consumidor. “Antes, para comprar uma geladeira em loja, o consumidor levava 45 minutos. No online ele pode fazer a compra em poucos segundos. Temos 12 vendedores na loja, que fazem a compra em um processo digital simplificado. Tudo que est no online pode ser comprado na loja”, destacou Trajano.

De acordo com o executivo, outro foco do processo de transformação digital foram as pessoas. “Meu foco foi transformar uma empresa tradicional com lojas físicas em um negocio digital com lojas físicas e calor humano”.

Ele contou que quis quebrar a ideia de que para fazer o digital teria que trocar as pessoas, tirar as equipes analógicas e colocar gente jovem, digital influencers. “Claro que contratamos pessoas novas, mas convertemos o pessoal analógico para o digital, mostrando os benefícios”, esclareceu.

Durante a apresentação, ele contou que o foco não era a tecnologia em si, já que o Magazine é uma empresa de negócios. A intenção foi aproveitar a tecnologia para melhorar o processo de venda, a experiência do consumidor. Para isso foi criado o Luiza Labs, onde são feitas pesquisas e o desenvolvimento de novidades para a rede.

Entre as tecnologias criadas está o mapa digital de resultados, em que o gerente de uma loja consegue acompanhar o desempenho das vendas, dos vendedores e os resultados. Tudo por meio de um aplicativo.

Além disso, a rede hoje consegue aproveitar o potencial das redes sociais. A rede conta com a Luiza, que é uma influenciadora virtual com mais de 15 milhões de seguidores. Ela interage com os internautas, reage a questões do momento. Um dos exemplos que o presidente do Magazine Luiza trouxe foi o de quando houve um erro e o robô disparou cupons de mil reais. Mais de 4 mil clientes foram impactados. “Quando entrei na rede vi que o assunto já estava nos trend topics. A imprensa já havia noticiado. Resolvemos aproveitar e brincamos com o que aconteceu. Colocamos a Lu bugada que teve mais de 1,8 milhão de visualizações”, contou.

O momento atual da empresa foi o de transformação do e-commerce em um marketplace. “Viramos uma loja de tudo, one stop shop. Livros, produtos para bebês, casa, acessórios”, comentou. Ele destacou que a empresa faz um processo de seleção rígido dos vendedores parceiros, para manter o nível de qualidade do atendimento. A empresa coloca sua estrutura à disposição dos sellers. Eles podem utilizar a malha logística do Magazine Luiza e ter uma logística melhor.

A criação do marketplace já trouxe resultados. “25% dos clientes estão comprando com o Magalu porque agora temos categorias que antes não tínhamos”, afirmou o executivo.

Foto: StudioLopes

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