Ser arrojado e cuidar das pessoas traz resultado para os negócios

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Para falar sobre o poder feminino nos negócios, subiram ao palco do 10º Fórum Internacional de Gestão de Redes de Franquias e Negócios, Renata Moraes, vice-presidente do Grupo CRM, que fez a apresentação “Rótulos nunca me serviram” e Chieko Aoki, fundadora da rede Blue Tree Hotels, com a palestra “Qualidade, elegância e amor por servir”.

Renata abriu sua apresentação destacando que a questão da diversidade de gênero no mercado de trabalho não pode mais ser ignorada. “Conseguimos crescer no EBITDA porque o lema que eu adoto é “rótulos não definem quem você é ou quem você pode ser”. Isso porque quando aceitamos ideias como que as mulheres não são capazes, quando aceitamos máximas de mercado, dificilmente conseguimos fazer práticas diferentes no mercado”, defendeu a empresária.

O Brasil ocupa a 95ª posição em uma lista de 149 países em igualdade de gênero. Segundo o mais recente levantamento da ONU, serão necessários 108 anos para reduzir a diferença de gênero e 202 anos para atingir a paridade no mercado de trabalho no mundo. Para mudar este cenário, as empresas precisam se engajar.

Um exemplo de mudança é o Grupo CRM, em que as mulheres são maioria. 60% das posições da companhia são ocupadas por mulheres. “E 65% no C-Level. São gerentes, coordenadoras e diretoras engajadas como eu”, destacou Renata.

A executiva destacou que as mulheres não são estimuladas a ocupar posições de liderança desde a infância. As meninas são chamadas de “queridas, lindas, doces” e os meninos de “campeões”. “A forma como estimulamos e estimulamos meninas e meninos são diferentes. Um exemplo é o jogo do ioiô. Quando a menina não consegue dizemos “você já fez tanto, não quer continuar depois?”e para os meninos “vamos lá, você consegue! Vai, você não pode parar!”, esclareceu Renata.

Para exemplificar a questão dos rótulos, Renata falou sobre as três marcas do grupo. “Na época do lançamento, os jornais noticiavam que a Chocolates Brasil Cacau ia ser a segunda marca da Kopenhagen. Hoje, ela tem penetração em 15% nos lares brasileiros e a Kopenhagen em 5%. Ela é a marca que mais me permite inovar”, contou a executiva.

A empresa também trouxe para o Brasil a operação da Lindt, sendo a primeira vez que a marca sede o controle regional. “Dizem que não devemos trazer os nossos concorrentes, mas eu fiz isso”, disse Renata.

Os passos mais recentes da empresa foram a abertura da academia SoulBox, para incentivar a prática de lutas esportivas entre as mulheres e a Kop Koffee, que é uma rede de cafeterias spin off da marca Kopenhagen. “Ela nasceu para ajudar a marca no pilar de rejuvenescimento e permanência. Mas ela nasce muito protagonista da própria história”, contou Renata.

Chieko falou sobre a hospitalidade e o bem cuidar. Ela abriu a apresentação contando que a rede Blue Tree Hotels nasceu após a venda das redes Caesar Park mais de dez hotéis e Westin. “Meu marido tinha acabado de ter um derrame muito forte. Ele ficou muito tempo entre a vida e a morte. Vendemos as redes. Mas eu tinha uma responsabilidade com os meus colaboradores. Eles queriam que eu continuasse na hotelaria no Brasil”, explicou Chieko.

A executiva disse que desejava abrir um negócio que tivesse como lema o Bem cuidar e que notou a falta de bons gestores de hotelaria no Brasil, que a maioria era de estrangeiros. “Desejava formar bons gestores, mas que tivessem calor humano. Que soubessem administrar, mas tivessem um nível de humanidade”, esclareceu. Ela também notou a falta de um estilo próprio brasileiro de hospitalidade. Queria trazer a excelência americana, a qualidade do servir do europeu e também o estilo de hospitalidade e espiritualidade dos japoneses. Tudo isso unido com uma visão de ajudar a construir a hospitalidade brasileira.

Chieko acredita que falta humanidade às empresas e negócios. “Você vende, exporta seus produtos e tem lucro. Mas é preciso estabelecer conexão com as pessoas. A gente só ama aquilo que conhece”, resumiu. Para a executiva, é preciso reaprender a conviver e aprender a cuidar uns dos outros.

Nesta questão entra a hotelaria e a hospitalidade. “As pessoas acham que nosso negócio é cuidar de prédio, de lençol. É também. Mas é, principalmente, cuidar de pessoas para as pessoas”, esclareceu Chieko. Ela também explicou que a hospedagem não é um fim, é apenas um meio: “As pessoas vão para as cidades para fazer negócios, para um casamento, para as núpcias. O objetivo dela é ser feliz. Nós temos que proporcionar isso”.

Os hotéis devem oferecer o máximo de qualidade, para que o hóspede se sinta satisfeito e tenha sucesso naquilo que foi fazer. “Se ele é bem atendido, ele fica mais leve, mais bem disposto a negociar. Eu quero ser uma ferramenta para as pessoas que estão lá fora, com quem ele vai negociar”, afirmou Chieko.

A executiva deseja que seus hóspedes e colaboradores repliquem esse cuidado com o outro em suas casas, suas empresas, com o outro. Ela destaca que a maioria dos elogios dos hospedes são relacionados ao atendimento. “A pessoa não elogia porque a equipe fez o que é obrigação dela. Mas pela forma como foi cuidada”, disse.

Chieko trouxe o exemplo de um recepcionista de hotel que notou que um hóspede estrangeiro não estava bem. “Ele poderia ter feito o que o cliente pediu, dar um remédio e pronto. Mas não, ele o pegou pelo braço e levou ao hospital. O hóspede teve que ser operado naquele mesmo dia”, contou.

Todo este cuidado com o atendimento se reflete nos números. A Blue Tree Hotels cresceu 56% do ano passado para este ano.

Foto: StudioLopes

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