Proibição da cannabis é recente, embora efeitos medicinais sejam conhecidos há milênios

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Nesta quarta-feira, 27 de novembro, foi realizado o Cannabusiness Summit, evento da GS&MD, empresa que integra o ecossistema de negócios do Grupo GS& Gouvêa de Souza, sobre os potenciais do mercado da cannabis medicinal. Denis R. Burgierman, jornalista que escreve no blog A Planta; Tarso Araújo, CBDO da Entourage Phytolab; e Norberto Fischer, diretor da HempMeds, subiram ao palco para falar sobre a história da planta.

“Há cerca de seis anos, fizemos uma reportagem sobre o uso medicinal da maconha. Aliás, este nome pode ser polêmico, mas é o que vende mais. Eu comentei que achava impossível que não houvesse histórias relacionadas ao uso medicinal da planta. Começamos e descobrimos muitas pessoas que precisam da cannabis. São pessoas comuns, que não tem cara de maconheiros”, disse Denis.

A cannabis é usada há muitos milênios. É talvez a planta cultivada há mais tempo pela humanidade, “uma das que traz mais vantagens para a humanidade, devido à suas mais variadas possibilidades de uso”, explicou o jornalista.

Há quase cinco mil anos já há registros do seu uso na China. No Ocidente, no século XIX, suas propriedades se tornaram conhecidas. Em 1920, no Brasil, já eram vendidos cigarros de maconha, indicados para o tratamento de doenças como asma e insônia.

Segundo Tarso, a proibição da maconha aconteceu por uma questão étnica. “Em 1910 acontecia a Revolução Mexicana, foi quando começou uma campanha de demonização contra a cannabis nos Estados Unidos, por ela estar muito identificada com a população mexicana. No Brasil aconteceu a mesma coisa. Aqui ela estava muito identificada com a população negra, o chamado Fumo da Etiópia. No Estado Novo, quando foi proibido tudo que se identificava com essa população, como a Capoeira e a Umbanda, proibiu-se a cannabis”, afirmou Tarso.

O especialista explicou que a busca por informações sobre o canabidiol cresceu muito e mais da metade da população brasileira é a favor do uso medicinal da cannabis: “O Brasil tem dois caminhos. Nós podemos ir em frente e evoluir ou continuar onde estamos, com o Estado restringindo o acesso a este medicamento para pessoas que precisam. Quem quiser atuar neste mercado precisa saber que não é um mercado tradicional, mas uma causa”, explicou.

Norberto contou a história de sua filha, Anny, que possui uma doença rara, que causa convulsões crônicas a cada duas horas. Ela estava no início de seu desenvolvimento e virou um vegetal, não conseguindo nem engolir sozinha. Por meio de uma pesquisa na internet, sua esposa descobriu os potenciais da cannabis. “Em 11 de novembro de 2013 ela utilizou a primeira dose do canabidiol. Após nove semanas de uso, pela primeira vez, ela ficou uma semana inteira sem ter uma crise convulsiva”, explicou.

A partir daí, a história de Anny se tornou conhecida, saindo em uma reportagem feita por Tarso para a Revista Superinteressante e em matérias do Fantástico.

Norberto contou que a Anvisa entende que o uso medicinal é positivo e preparou uma regulamentação que pode permiti o plantio no Brasil, mas membros do governo federal são a favor apenas da liberação da substância isolada. “Eles têm uma visão distorcida de que se liberar o plantio o Brasil vai virar um país de maconheiros, com todo mundo fumando”, disse Norberto.

* Imagem: Rodrigo Augusto Fotografia

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