É pouco ou quer mais?

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A bolsa acima dos 110 mil pontos, inflação sob absoluto controle e em patamares baixos equivalentes a economias mais avançadas, desemprego ainda alto, mas em progressiva redução, recordes na produção e exportação agrícola, a menor taxa Selic da história do país, retomada do setor de construção civil, taxas de juros para crédito ao consumo ainda altas, apesar da menor taxa Selic, obrigando a intervenção do Banco Central nas taxas dos cheques especiais.

O melhor Black Friday da história em volume de vendas, o melhor Cyber Monday desde o lançamento da data no Brasil e, por fim, a perspectiva do melhor Natal para o consumo e o varejo dos últimos seis anos.

É pouco ou quer mais para se animar e reconhecer que estamos vivendo, final e tardiamente, uma nova realidade?

Mas não podemos nos conformar. Estamos muito distantes de um cenário estratégico benigno. Por isso queremos mais.

Sem que isso signifique endosso irrestrito ao quadro macro da política e da economia, é real a transformação estrutural que o Brasil está vivendo. E tem contribuído muito para que assim seja o fato de estarmos experimentando um período de distensão nas relações entre poderes que têm uma responsabilidade importante na geração de um clima positivo e emulador da confiança empresarial e dos consumidores.

O resultado está refletido nos números, no aumento da disposição para investir, na contratação da expansão de negócios e no aumento do interesse externo pelo mercado brasileiro. Tudo com muitos reflexos positivos no curto e médio prazo e algum benefício no longo prazo.

Devemos sim comemorar de forma intensa a reversão de expectativas que estamos experimentando. Mas não a ponto de esquecermos o tamanho do fosso que nos separa de um país maduro, mais igual, livre da corrupção e preparado para a transformação social que a tecnologia e o digital trazem consigo.

O mundo vive um período conturbado marcado pela redução do protagonismo econômico norte-americano e europeu ocidental, pelo nacionalismo e instabilidade social e política que isso precipita e pela crescente importância das transformações que são geradas na Ásia, alterando estrutural e estrategicamente a geopolítica global.

Esse cenário é, em muitos aspectos, favorável ao Brasil. Mas não podemos nos conformar em sermos sujeitos passivos desse processo. Como já fomos muitas vezes no passado.

Se no plano tático e de curto e médio prazo dissipam-se as nuvens pesadas que estavam sobre nós, tem muito por subirmos ainda para termos direito a um céu azul mais permanente.

Precisamos reconhecer que como país não temos um projeto estratégico de longo prazo que contemple essas profundas e estruturais transformações Geopolíticas e Econômicas Globais.

Que contemple a integração econômica que se desenha na Ásia sob a hegemonia que se constrói a partir da China.

Que considere nossas reais e sustentáveis vocações econômicas no longo prazo, privilegiando setores onde temos real vantagem competitiva e que abra mais nossa economia à oferta e competição globais.

Que invista decisivamente na educação como elemento de transformação plena da sociedade.

Que tenha o poder de reter os talentos que temos perdido para os países mais estáveis e desenvolvidos.

Que contribua para o desenvolvimento econômico sustentável e integrado com a redução da desigualdade social.

Por tudo isso, vamos viver intensamente este momento sinalizador da transformação que se materializa, mas não vamos esquecer que queremos, e podemos, muito mais.

Isto nos separa de fato de outra realidade.

* Imagem reprodução

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