Epson visa a transformação digital na indústria têxtil

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A Epson inaugurou nesta terça-feira (4) um espaço chamado de Centro de Soluções. Com 200 m² e equipado com impressoras digitais que trabalham com a estamparia de diferentes tipos de tecidos, o local fica na própria sede da empresa, em Barueri, e serve como uma espécie de showroom para os efeitos da transformação digital na indústria têxtil.

Com capacidade de produção mensal de 200 mil m² de tecido estampado e 20 mil camisetas, o espaço foi idealizado durante pouco mais de um ano e é uma iniciativa que nasceu e foi executada em solo brasileiro.

Os equipamentos instalados no complexo na Grande São Paulo são voltados para empresas de diferentes portes. Há desde modelos que podem ser instaladas em lojas de grifes como Calvin Klein, Riachuelo e Hering, até maquinário industrial que requer o investimento de algumas centenas de milhares de dólares. A companhia não revela números específicos, mas estima crescimento de 30% na área em 2020. Até 2022, o Brasil deve investir 345,5 bilhões de reais em práticas de transformação digital para o setor corporativo.

Os dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) deixam claro: o analógico cansou. E não seria diferente em um segmento que movimentou 406 bilhões de dólares no mundo em 2019, segundo o site Fashion United. “É um mercado antigo, gigante e baseado em uma tecnologia analógica”, afirma Fábio Neves, presidente da Epson no Brasil.

Atualmente, apenas 8% dos tecidos consumidos no vestuário da indústria brasileira utilizam de técnicas de estamparia digital. Segundo a Epson, que revelou esse dado, a prática pode ainda reduzir o número de funcionários de uma operação semelhante a montada em sua sede de 20 para apenas quatro. Por fim, há a questão da sustentabilidade. Em alguns casos, a economia de água pode ser de até 90% com o equipamento mais moderno.

Deixar o papel um pouco de lado para imprimir em tecido não é uma ideia nova nas corredores da Epson. Em 2016, a empresa japonesa, através de sua operação italiana, intensificou seus esforços na área. A companhia adquiriu o negócio da Fratelli Robustelli. Fundada em 1972, a empresa italiana tinha uma operação compacta com pouco mais de duas dezenas de funcionários. O faturamento girava em 12 milhões de euros.

A aquisição permitiu à companhia explorar a impressoras que se tornou a queridinha da Epson. Chamada de Monna Lisa e desenvolvida desde 2003 entre a empresa e a própria Epson, ela é equipada com 16 cabeçotes de impressão e permite a impressão de estampas diretamente em qualquer tipo de tecido, desde algodão até seda.

Imprimindo resultados

Além de expor novos produtos – alguns que ainda não têm nem mesmo seus nomes revelados e só serão lançados no segundo semestre do ano –, essa também é uma tentativa fortalecimento da marca como um todo.

Em números globais, a Epson vem tentando aumentar seu marketshare contra suas rivais. Até junho de 2019, conforme dados da consultoria Statista, a companhia tinha 10,7% de participação no mercado de impressoras. Estava atrás de Brother (11,5%), Canon (20,2%) e HP (26,6%). Vale destacar: o percentual da Epson era menor do que 5,5% em 2017.

Com capital aberto na bolsa de valores de Tóquio, a companhia está avaliada em 5,3 bilhões de dólares. Não é lá um grande número para os acionistas. Em janeiro de 2018, a empresa estava avaliada em quase 9 bilhões de dólares.

A receita também vem caindo. Entre abril e dezembro de 2019, o faturamento foi de cerca de 7,3 bilhões de dólares. No mesmo período de 2018, a companhia movimentou 7,6 bilhões de dólares. Queda, portanto, de 4,1%.

Com informações do portal Exame
* Imagem reprodução

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