Varejo perde 60% com lock-up de oferta da Petrobras

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Quando o BNDES colocou à venda no mês passado R$ 22 bilhões em ações da Petrobras, os investidores de varejo ficaram com quase 13%. Mas havia uma ressalva: para obter prioridade na alocação das ordens de compra, eles tinham que concordar em não negociar essas ações por pelo menos 45 dias.

O período de bloqueio à venda, que não se aplicou a investidores institucionais, deixou as pessoas físicas com as mãos atadas vendo suas ações caírem 60% desde a oferta de 5 de fevereiro.

Esses investidores finalmente terão a chance de vender as ações a partir de hoje, agora que o bloqueio terminou, o que poderá desencadear uma nova queda para a Petrobras.

A experiência – e outras similares – trará sem dúvida insatisfação após corretores se esforçarem para convencer as pessoas físicas a investir em renda variável.

“É mais um teste para os investidores de varejo, que estão lutando com o recente tombo na bolsa”, disse Fernando Fontoura, gestor de fundos da Persevera Gestão de Recursos, com sede em São Paulo.

A compra ampla de ações da Petrobras por pessoas físicas é uma tendência relativamente nova no Brasil, onde taxas de juros altíssimas sempre fizeram da renda fixa o investimento de escolha para poupadores.

Nos últimos anos, no entanto, como a taxa de referência caiu de 14,25% em 2016 para um recorde de baixa de 3,75%, mais e mais brasileiros passaram a investir em ações na busca por retornos maiores.

O número de investidores de varejo na bolsa local mais que dobrou para 1,9 milhão em fevereiro, de cerca de 813 mil no final de 2018.

O índice de ações Ibovespa subiu 32% no ano passado e atingiu um recorde em 23 de janeiro, antes que as vendas globais de ações o levassem a um recorde de baixa de quase três anos.

A corrida para a renda variável permitiu que as empresas pedissem aos investidores condições mais favoráveis. Quando a Caixa Econômica Federal vendeu as ações da Petrobras em junho, alguns investidores individuais concordaram em manter suas ações por pelo menos 120 dias, segundo documentos da venda.

Na oferta da Petrobras realizada em 5 de fevereiro pelo BNDES, pessoas físicas que investiram a partir de R$ 3 mil e concordaram com o bloqueio de 45 dias para a venda tiveram prioridade e acabaram com 76% da oferta de varejo.

Um grupo menor, que não era considerado varejo e teve que investir pelo menos R$ 1 milhão por pessoa para participar, concordou em um bloqueio ainda mais acentuado de 60 dias.

Eles compraram 2,39% do total, ou R$ 527 milhões, segundo o prospecto. As ações da Petrobras, que saíram a R$ 30 na oferta, caíram junto com o petróleo, já que a Arábia Saudita, irritada com o veto do Kremlin a cortes mais profundos na OPEP+, realizou um aumento histórico na produção enquanto a pandemia do coronavírus derrubou a demanda. Na sexta-feira, os papeis ON terminaram a R$ 12,22.

O fim de outros períodos de bloqueio à venda de ações por pessoas físicas pode aumentar as oscilações bruscas que já abalam o mercado local.

O período de lock-up de investidores de varejo na Locaweb Serviços de Internet SA, empresa de tecnologia que foi ao mercado no mês passado, terminou na sexta, dia 20.

Os investidores de varejo da Priner Servicos Industriais SA, um provedor de serviços para a indústria de petróleo, podem vender suas ações a partir do dia 24 de abril.

Com informações do portal Bloomberg
* Imagem reprodução

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