Líderes do varejo cobram ações para conter a crise

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Centauro
[tempo para leitura: 3 minutos]

Para os CEOs das varejistas Centauro e Arezzo e das administradoras de shopping centers Aliansce Sonae e Iguatemi, as medidas de restrição ao funcionamento das lojas não estão sendo acompanhadas por contrapartidas da equipe econômica para ajudar o setor a superar a crise do coronavírus.

Ainda é impossível medir os impactos causados pelo coronavírus. Mas é certo que o varejo é um dos setores que já sentem os mais duros efeitos da pandemia.

O avanço dos decretos que determinam o fechamento do comércio traz uma queda abrupta na receita. E, a cada dia, cresce a incerteza sobre o alcance e a duração dessas medidas.

Nesse cenário imprevisível, é natural que os varejistas não tenham uma fórmula mágica para responder à crise imediatamente.

Mas, ao que tudo indica, há um consenso do que poderia ser feito para amenizar esses impactos. E sinalizar, com urgência, uma saída menos traumática para boa parte do setor.

“Nesse momento, o governo precisa entender que é corresponsável por nossas folhas de pagamento”, afirmou Sebastião Bomfim, fundador e presidente do Conselho de Administração da Centauro, em live realizada pela XP Investimentos com a participação da varejista Arezzo e dos administradores de shopping centers Aliansce Sonae e Iguatemi. “Precisamos de ajuda urgente, para resolver o pagamento do próximo dia 5. Daqui a 60, 90 dias, não resolve.”

A necessidade de medidas urgentes por parte do governo, nos âmbitos federal, estadual e municipal, foi a tônica do debate.

Os empresários concordaram que é inevitável escapar de medidas mais duras como a suspensão das atividades no varejo. Mas ressaltaram que esse contexto atípico exige contrapartidas.

“As empresas não tiveram problemas. Fomos todos colocados em casa por uma emergência fora do nosso negócio”, disse Carlos Jereissati Filho, CEO do grupo Iguatemi. “É preciso que o governo seja rápido e apresente medidas claras para ajudar as empresas e as pessoas de menor renda, como vem sendo feito mundo afora.”

No mantra entoado pelos participantes, as cobranças mais fortes recaíram sobre a equipe econômica liderada pelo ministro da Economia Paulo Guedes. E a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi usada como um contraponto para reforçar essas críticas.

“Hoje, a questão da saúde está bem endereçada”, afirmou Rafael Sales, CEO do grupo Aliansce Sonae. “A mesma abordagem tem que valer para a equipe econômica. Precisamos de uma orientação de economia real, de manutenção de emprego, especialmente para o pequeno empresário.”

Jereissati seguiu na mesma linha. “Há uma bela condução na saúde, seja na esfera federal ou estadual”, observou. “Mas não estou vendo na economia a mesma agilidade e flexibilidade para apoiar essa questão que é de Estado. É um momento atípico. Não estamos em uma economia de mercado.”

A falta de um padrão de comunicação claro e coeso foi outro fator criticado. E a publicação da Medida Provisória 927 foi dado como exemplo desses ruídos.

A MP trazia um artigo que permitia a suspensão do pagamento de salários por até quatro meses. Sem, no entanto, indicar nenhuma contrapartida do governo para os profissionais afetados.

Em meio à polêmica causada, o texto em questão foi revogado. “A medida foi mal comunicada, talvez mal elaborada”, afirmou Bomfim. “Mas, ao contrário do que parece, tem uma importância enorme para segurar o desemprego. As empresas poderiam equilibrar, enquanto o governo entraria com ajuda.”

O fundador da Centauro acrescentou: “Não estamos pedindo doação. Precisamos, no mínimo, de um empréstimo que pode ser pago, posteriormente, com impostos”, disse. “Mas, nesse momento, é vital ter liquidez na economia do dia a dia.”

De acordo com uma reportagem publicada ontem à noite pelo jornal o Estado de S. Paulo e a agência Broadcast, após a polêmica em torno da MP 927, o governo estuda destinar R$ 36 bilhões ao pagamento de compensações a trabalhadores que tiverem redução de jornada e salário ou interrupção temporária no contrato.

Ao mesmo tempo em que cobraram uma atuação mais incisiva por parte do governo, os varejistas ressaltaram a intenção de preservar ao máximo todos os quadros de suas respectivas companhias. E falaram de algumas medidas que estão tomando, seja no escopo de suas operações ou mesmo no entorno dos seus negócios.

“Na Arezzo, todos nós, de conselheiros a diretores, abdicamos de 30% dos nossos salários”, afirmou Alexandre Birman, CEO da Arezzo. Entre outras iniciativas, a empresa está em fase final de testes para usar parte de suas instalações para a fabricação de máscaras de proteção, que serão doadas posteriormente. Ao mesmo tempo, a companhia vem dando apoio financeiro à prefeitura de Campo Bom, cidade gaúcha onde está localizada a sua sede.

Campo de atuação do grupo Iguatemi e da Aliansce Sonae, o segmento de shoppings já vem adotando medidas por meio da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Entre elas, está a suspensão de cobrança do aluguel dos lojistas, anunciada pela entidade na segunda-feira, 23 de março.

Como um reforço a essa iniciativa, os dois grupos em questão também estão reduzindo as taxas de condomínio cobradas dos varejistas em seus empreendimentos.

“Estamos reduzindo nossa receita praticamente a zero para dar esse fôlego de liquidez necessária aos lojistas”, afirmou Jereissati. “É uma contribuição direta do nosso setor, mas não é suficiente.”

Sales, da Alliansce Sonae, acrescentou: “São ações que conseguimos fazer no nosso microcosmo”, disse. “Mas precisamos de uma orientação liderada pelo governo. Do contrário, o drama do desemprego vai ser tão grande ou maior que o da saúde pública.”

Com informações do portal Neofeed

* Imagem reprodução

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