“Não podemos deixar o remédio matar o paciente”, afirma Flávio Rocha

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Flavio Rocha
[tempo para leitura: 2 minutos]

Com o objetivo de prevenir o avanço dos impactos do coronavírus, a Riachuelo foi a primeira rede varejista de vestuário que suspendeu as atividades de todas as suas lojas [são mais de 300] espalhadas pelo Brasil, disse Flávio Rocha, presidente do Conselho de Administração do Grupo Guararapes-Riachuelo, durante de live promovida pela Mercado & Consumo na manhã desta quarta-feira, 8 de abril.

Segundo o executivo, esse tsunami que se abateu sobre o mundo tem referências num passado distante e a população não pode permitir que este pânico impeça a busca por aprendizados em outras pandemias. O empresário fez comparações com as vítimas invisíveis da sociedade. “Se atuarmos com a visão estreita e diminuir a estatística apenas pensando nas mortes pelo coronavírus estaremos deixando de lado a segunda onda do problema, que envolve o desemprego, a fome – que também mata -, além das vitimas da violência urbana”, elencou Rocha, que ainda completou que “não podemos deixar o remédio matar o paciente”.

Fazendo uma comparação com os Estados Unidos, Flávio Rocha lembrou que a maior economia do mundo teve um recorde de pedidos de seguro desemprego, com mais de 10 milhões de solicitações nas duas últimas semanas. “Por aqui o estrago poder ser ainda maior, com cerca de 40 milhões de desempregados, ocasionando uma desordem na economia no nosso país”, lembrou. Pra ele, há maneiras de não parar a economia sem colocar a população em risco. “A recessão resultante de se tirar a economia da tomada vai gerar ainda mais mortes”, alertou o empresário.

A implementação de férias coletivas para seus colaboradores e a interrupção da produção estão entre as providências que a Riachuelo tomou para o período de crise. No entanto, foi mantida a produção de itens hospitalares como máscaras, toucas e aventais, que estão sendo aos órgãos públicos, fruto do Programa Pro-Sertão, com a colaboração de oficinas credenciadas da Riachuelo, que já prestam serviços à varejista. O objetivo da parceria entre elas é fomentar a economia dos microempreendedores que dependem dos serviços para se manterem ativos no mercado, no presente cenário de emergência sanitária e econômica.

Sobre as oportunidades que a crise tem gerado, Flávio Rocha destacou o forte crescimento do grupo lar, com a Casa Riachuelo, que apresentou um aumento significativo na participação no e-commerce, assim como a linha pet, novo mercado que a empresa decidiu investir a partir de um mix abrangente de itens. “Com as nossas lojas físicas fechadas o e-commerce se tornou o grande canal de vendas, que até então representava cerca de 3% do faturamento da empresa. Hoje podemos dizer que tudo está em 100% no online”, disse.

Ainda sobre as mudanças positivas pós covid-19, as transformações que envolvem o processo da aceleração da inclusão digital, como bancarização e marketplace, este segundo com os pequenos varejistas em pé de igualde com o mercado, colaboram com a economia colaborativa. Para Flavio Rocha, a barreira da escala deixa de existir com essa inclusão e nada como um período de crise para eliminar barreiras que ainda existiam até então.

Outro ponto trazido durante a live foi com relação aos atuais estoques previstos para este ano. De acordo com o executivo, o inverno de 2020 cairá em 2021. “Por mais que haja esforços em canais alternativos, teremos uma postergação para o inverno do ano que vem por conta do acumulo de estoque. Este não é um problema tão dramático, como é o recente caso dos ovos de páscoa, mas nos preocupa também”, disse.

* Imagem reprodução

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