Nos EUA milhares de lojas são fechadas. E daí!?

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GAP EUA
[tempo para leitura: 3 minutos]

A expressão E Daí, sempre que usada, denota um profundo desprezo pelo que quer que seja. E não deveria ser assim.

No primeiro semestre de 2019 foram abertas 3.064 lojas e fechadas 7.567. Em todo 2018 foram abertas 3.083 e fechadas 5.524. E a previsão do UBS, ainda antes da pandemia, para o período 2020-2026 nos EUA, era que mais 75 mil lojas fechariam enquanto a participação do comércio eletrônico cresceria de 11% para 20%. Era a antevisão da dinâmica natural de mercado.

Marcas e negócios tradicionais, em algum tempo apontadas como modelos de negócios e inovações estruturais, como Toys ‘R’ Us, American Apparel, The Limited, Radio Shack, Sports Authority, Gymboree e muitas outras, desapareceram. Sears, Claire’s, Payless, Chico’s, Aeropostale e outras, estão fechando lojas, contraindo e vivendo quase que por respiração artificial.

Em processo de profunda racionalização e redução de atividades para tentar encontrar caminhos estão Macy’s, Guess, Crocs, Staples, GAP, Coach e várias mais.

Racionalizando e também fechando lojas estão Walgreens, Kmart, Bed Bath & Beyond, Office Depot e outros, na tentativa de reposicionar seus negócios para se adaptarem aos novos tempos, que envolve redução de espaço e a redução do próprio número de lojas, especialmente pelo crescimento da relevância do e-commerce.

Impactadas mais diretamente pela pandemia, na semana passada foram anunciadas as concordatas ou falências de marcas e conceitos das tradicionais Neiman Marcus, J.Crew, Pier 1 e a lista dos próximos, já na UTI, inclui muitos outros negócios tradicionais.

Mas fechamento de lojas, falência e concordatas de empresas de varejo e o desaparecimento de negócios são alguns elementos da transformação de mercado que a pandemia acelera nos Estados Unidos, e também no Brasil, ligado a um processo mais amplo e abrangente de revolução no uso de canais de vendas, promoção, comunicação e relacionamento. Da mesma forma como novas marcas, conceitos, formatos, canais e negócios surgem, se desenvolvem, crescem e se solidificam, com maior ou menor velocidade, por conta da pandemia.

Só para lembrar, como exemplo, os serviços de delivery, serviços para reuniões virtuais e home office. É o ciclo natural de evolução de conceitos adequados à transformação de hábitos, atitudes, preferências e necessidades dos consumidores.

Por mais natural e previsível que seja esse processo, não é o caso de E daí!?

São milhares de empregos perdidos, nem sempre compensados por outros abertos em novos negócios. São milhares de famílias enfrentando novas dificuldades, especialmente dentro de um novo cenário que, por si só, impõe diferentes desafios. São investimentos, trabalho, história e sonhos que desaparecem.

Nos Estados Unidos esse processo é antecedente ao nosso no Brasil e em magnitude totalmente diversa, por razões que incluem idade média da população, maturidade do consumidor, número de lojas por mil habitantes, saturação e consolidação de mercado, número e tamanho de shoppings e centros comerciais, nível de concorrência, práticas comerciais, margens praticadas, taxas de juros, alavancagem financeira e muitas mais, atuando por tornar mais ou menos competitivo o cenário comparativo.

Mas é inegável que a transformação já vinha ocorrendo de forma estrutural e a pandemia só fez acelerar o que seria natural talvez em mais cinco ou dez anos. E esse talvez seja um dos aspectos mais relevantes de todo o processo.

A pandemia acelera ao mesmo tempo em que ajusta tendências que já se manifestavam anteriormente. E cria outras realidades que já não se pode ignorar pelo impacto que terão no DC, Depois do Coronavírus.

Em cada caso, em cada realidade, em cada mercado ou segmento, isso tudo deve ser avaliado e considerado, na emergente cultura do Agile Digital, reconhecendo que generalizações são sempre muito perigosas e que este é o momento para, ao mesmo tempo, repensar o futuro que está sendo reconfigurado enquanto agimos para enfrentar desafios imediatos.

* Imagem reprodução

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