Com queda de 16,8% nas vendas, comércio tem seu pior resultado em 20 anos

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As vendas no comércio varejista caíram 16,8% em abril, na comparação com o mês anterior, refletindo os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. É o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000, e a segunda queda consecutiva, acumulando uma perda de 18,6% no período. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (16) pelo IBGE.

O recuo nas vendas no varejo atingiu, pela terceira vez desde o início da série, todas as oito atividades pesquisadas. A maior queda foi em Tecidos, vestuário e calçados (-60,6%), seguido de Livros, jornais, revistas e papelaria (-43,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-29,5%).

É a primeira vez que a pesquisa traz os resultados de um mês inteiro em que o país está no quadro de isolamento social, já que ele começou a ser adotado na segunda quinzena de março.

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-11,8%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-17%), setores com atividades consideradas essenciais na pandemia e que tiveram avanço no mês passado, caíram em abril.

Gráfico - IBGE - 2020-6-16

“Em março, podemos imaginar o cenário em que essas atividades essenciais absorveram um pouco das vendas das outras atividades que tinham caído muito, mas nesse mês isso não foi possível. Tivemos também uma redução da massa salarial que, entre o trimestre encerrado em março para o encerrado em abril, caiu 3,3%, algo em torno de 7 bilhões de reais. Isso também refletiu nessas atividades consideradas essenciais”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos.

Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-29,5%), Móveis e eletrodomésticos (-20,1%) e Combustíveis e lubrificantes (-15,1%) completam o grupo das atividades que tiveram queda em abril.

Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que integra também as atividades de veículos, motos, partes e peças (-36,2%) e material de construção (-1,9%), caiu 17,5% nesse mês. “No caso do ampliado, ele já vinha numa queda intensa desde o mês passado (-13,7%), especialmente devido ao recuo em veículos, motos partes e peças”, comenta Cristiano.

O patamar de vendas chegou ao seu ponto mais baixo, registrando os maiores distanciamentos dos recordes históricos, tanto para o comércio varejista (22,7% abaixo do nível recorde, em outubro de 2014) quanto para o comércio varejista ampliado (34,1% abaixo do recorde, em agosto de 2012).

De acordo com o gerente da pesquisa, o resultado do volume de vendas no varejo é uma intensificação do resultado de março, quando o impacto não pôde ser sentido completamente. Do total de empresas coletadas pela pesquisa, 28,1% relataram impacto em suas receitas em abril por conta das medidas de isolamento social, contra 14,5% no mês de março.

Em relação a abril de 2019, vendas no varejo também caem 16,8%

Quando comparado com abril do ano passado, o comércio varejista caiu 16,8%, com o recuo atingindo sete das oito atividades pesquisadas. As atividades com queda foram Tecidos, vestuário e calçados (-75,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-45,6%), Móveis e eletrodomésticos (-35,8%), Combustíveis e lubrificantes (-25,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-9,7%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-45,4%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-65,6%).

Já Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,7%) foi o único setor que mostrou aumento, mas em menor intensidade que em março (11,0%).

Com queda de 27,1% na mesma comparação, o resultado para o comércio varejista ampliado refletiu principalmente o desempenho das atividades de Veículos, motos, partes e peças (-57,9%) e Material de construção (-21,1%), totalizando nove das dez atividades nesse indicador.

Varejo tem queda em todas as unidades da federação

Em abril, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista caiu em todas as 27 unidades da federação, com destaque para Amapá (-33,7%), Rondônia (-21,8%) e Ceará (-20,2%). Para a mesma comparação, no comércio varejista ampliado, a variação negativa também se deu nas 27 Unidades da Federação, com destaque para Amapá (-31,6%), Espírito Santo (-23,4%) e São Paulo (-23,3%).

Em comparação com mesmo mês do ano passado, a queda das vendas do comércio varejista nacional também foi registrada nas 27 unidades da federação, destacando-se Amapá (-42,8%), Rondônia (-40,8%) e Ceará (-33,8%). No comércio varejista ampliado, também em comparação com abril de 2019, todas as 27 Unidades da Federação mostraram resultados negativos, com destaque para Amapá (-41,4%), Ceará (-37,2%) e Rondônia (-35,9%).

Com informações da Agência IBGE.
* Imagem reprodução

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