Varejo perde o empresário Nevaldo Rocha, dono da Riachuelo e referência para o setor

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O empresário Nevaldo Rocha, fundador do grupo Guararapes-Riachuelo, faleceu na noite de quarta-feira (17) em Natal, aos 91 anos. Ele estava em casa quando passou mal. Nevaldo Rocha era considerado um exemplo de empreendedorismo para o Rio Grande do Norte, assim como para o restante do país.

Nascido no sertão de Caraúbas, município no estado do Rio Grande do Norte, ele abriu junto com o irmão Newton Rocha sua primeira loja no final da década de 1940. Em 1979 o grupo Guararapes comprou a Riachuelo, expandindo a marca para todo o país. Hoje, o grupo integra uma das maiores redes de varejo do Brasil, com mais de 300 lojas no território nacional, 40 mil funcionários, o shopping Midway Mall e um parque fabril que supera os demais da América Latina.

Ele deixa três filhos, incluindo o empresário Flávio Rocha, Lisiane Rocha e Élvio Rocha.

Para Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza, “Nevaldo Rocha fez história no varejo nacional e global ao liderar no país a transformação da Guararapes e Riachuelo criando o mais avançado modelo integrado de moda no mundo, que vai dos insumos até o cartão de crédito, passando pelo tecido, malha, confecções, crédito, serviços financeiros, cartão bandeira própria e shopping center. E forjar uma família de empreendedores que, com visão, valores e determinação, levará adiante seu legado.”

Em nota, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) lamentou o falecimento do empresário, destacando sua “trajetória pioneira” e oferecendo condolências à família.

Em mensagem em rede social, Flávio prestou homenagem ao pai. “Suas lições e exemplos estarão sempre nos guiando”, declarou. A mensagem foi publicada junto ao vídeo de 2019 em que Nevaldo sintetiza seus princípios norteadores, em mensagem destinada a seus netos e bisnetos sobre a importância da união para os negócios da família. “Como acolher tantas pessoas, tantos sonhos e tantas expetativas abaixo de uma mesma liderança? Acredito que a resposta seja: unidos a um propósito e liderando pelo exemplo.”

Trajetória de sucesso

Nascido no dia 21 de julho de 1928, na cidade de Caraúbas (RN), Nevaldo teve uma infância pobre no sertão nordestino. Sua vida só começou a mudar aos 12 anos, quando partiu para Natal em busca de trabalho. Na capital do Estado, ele conseguiu emprego como vendedor em uma relojoaria. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele enxergou uma oportunidade de ganhar dinheiro na Base de Parnamirim, que tinha um fluxo intenso de militares brasileiros e americanos. A venda de relógios no local foi tão bem-sucedida que Nevaldo juntou capital suficiente para comprar o estabelecimento onde trabalhava.

Em 1947, o empreendedor abriu a loja de roupas “A Capital” ao lado do irmão, Newton Rocha. O sucesso do empreendimento fez a empresa se expandir no mercado têxtil, com a abertura de novas unidades e a construção de uma pequena confecção na cidade de Recife, em 1951. Cinco anos depois, a família fundou o Grupo Guararapes – holding que controla os negócios do clã até hoje.

No entanto, o grande passo para o crescimento da empresa foi dado em 1979, quando o grupo comprou as redes Riachuelo e Wolens, entrando de vez no varejo têxtil.

A expansão da marca Riachuelo transformou a companhia em uma das maiores empresas de moda do Brasil. Só em 2018, o conglomerado fundado por Nevaldo faturou R$ 7,2 bilhões. Os números da operação renderam frutos para a família Rocha, que aparece na lista de bilionários da revista Forbes em 2019, com fortuna estimada em US$ 2,2 bilhões (R$ 8,75 bilhões).

Em uma declaração rara, Nevaldo revelou os “mandamentos” que guiaram sua trajetória empresarial: “Carrego comigo cinco palavras que acredito terem nos trazido até aqui: honestidade, simplicidade, foco, transparência e meritocracia.”

Ao comentar ter o nome incluído na revista Forbes, ele se mostrou surpreso. “É um verdadeiro prêmio. De tantos brasileiros, do Rio até Manaus, eu ser o mais destacado é uma satisfação muito grande. É um reconhecimento ao meu trabalho. E não é nem pelo fato do dinheiro; é pela posição”, relatou em entrevista na época.

* Imagem reprodução

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